44% aprovam gestão de João Doria

Datafolha mostra aprovação recorde do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), em menos de dois meses no cargo.

44% aprovam a gestão de João Doria e apenas 13% desaprovam; o tucano é aprovado por mais de 60% na faixa de renda de 10 ou mais salários mínimos, mas é aprovado também pelas faixas de renda mais baixas da população paulistana.

Entre os principais programas já implementados por João Doria, o Corujão da Saúde, que está zerando a fila por exames na rede pública, é aprovado por 67%. Já o polêmico aumento de velocidade nas marginais, é aprovado por 57%. Porém, a pesquisa não é só flores. A decisão de apagar o mural da Avenida 23 de maio é reprovada por 61%. Por outro lado, 97% aprovam a batalha contra os pichadores.

No mais, a pesquisa, no geral, é positiva para o prefeito. Só não pode se embriagar com o sucesso no início da gestão e se acomodar. Até porque a pesquisa mais detalhada mostra que João Doria precisa rever algumas de suas ações.

Por exemplo, a maioria acha que se vestir de gari beneficia mais a imagem do prefeito que da cidade. Mas, também, não pode administrar a maior cidade do Brasil de olho em pesquisa de avaliação de governo.

A vez do João Trabalhador

O João Trabalhador vai poder mostrar se é realmente trabalhador

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João Doria tomou posse domingo (1º) e na segunda-feira (2) já começaram os ataques dos derrotados na última eleição na capital de São Paulo. Marqueteiro, presepeiro, embusteiro foram uns dos vários insultos que se leu nas redes sociais daqueles que ficaram quatro anos elogiando a gestão passada. E tudo porque o novo prefeito cumpriu a promessa de vestir o uniforme de gari e em ato simbólico lançar o programa Cidade Linda, um programa voltado para zeladoria da cidade que foi deixado um pouco de lado pelo Fernando Haddad, que apoiava pichações e depredações em nome da “arte” (quando tudo é arte nada é arte).

Mas Doria não ficou só no ato simbólico. O prefeito, junto com o secretariado, deu detalhes de qual será o caminho da nova gestão. E foram sinais muito bons.

Há quem acha que prefeito, governador e presidente, tem que ficar em palácios incomunicável. Isso deixa os governantes bem distantes da população e da realidade. Se enclausurar não é bom para o homem público, principalmente quem tem nas mãos grandes responsabilidades. Já dizia o tio Ben para o sobrinho Spider-Men: com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.

João Doria vai tentar governar de olho nas atribuições básicas de um prefeito, justamente o grande “pecado” de Haddad, que foi querer brincar de prefeito “revolucionário”, de “prefeito do futuro” e esqueceu do eleitorado base que foi fundamental na sua vitória em 2012: a periferia. Não é coincidência que teve desempenho pífio nessas zonas da cidade em 2016 e, no geral, caiu de 28% para 16% em quatro anos.

O João Trabalhador vai poder mostrar se é realmente trabalhador pelos próximos quatro anos.

Vitória consagradora de João Doria e Alckmin em São Paulo

Vitória de João Doria é uma vitória de Alckmin

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João Doria foi eleito novo prefeito de São Paulo e no primeiro turno. O candidato bancado pelo governador Geraldo Alckmin e que rachou o PSDB paulista teve 3.085.187 de votos, seus rivais ficaram bem atrás. Uma vitória consagradora não só por ter sido no primeiro turno, mas por vencer na Zona Leste, reduto historicamente petista.

A vitória de João Doria é uma vitória de Alckmin para disputa presidencial de 2018 dentro do PSDB, contra o Ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o Senador Aécio Neves. Aécio tentou minimizar a importância de Alckmin na vitória de Doria, mas ele sabe que, mesmo fazendo João Leite prefeito de Belo Horizonte – disputa o segundo turno contra Alexandre Kalil -, o Governador paulista se cacifou. O Senador mineiro ainda aposta no poder que tem nos diretórios estaduais.

Já o futuro prefeito da maior cidade do país, João Doria se cacifou para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual de SP) com essa vitória consagradora, mas já disse que pretende cumprir o mandato de quatro anos pelo qual foi eleito e só. Não pretende disputar nem reeleição, por ser contra a mesma.

Sobre os adversários do tucano, a derrota mais dura não foi a do PT com Haddad, foi pelo simbolismo da queda do petismo nessas eleições em todo Brasil, nem a esperada queda de Celso Russomanno (de novo). O resultado de Marta Suplicy, porém, foi desastroso para a neopeemedebista. Ela esperava que seu histórico a levasse pelo menos ao segundo turno, só que terminou em quarto lugar, o último entre os principais candidatos. E, nem ganhando em duas zonas eleitorais, as únicas que Doria não venceu, Marta volta ao Senado Federal sem força eleitoral dentro do PMDB, sem conseguir apoio do enorme grupo antipetismo que tem em São Paulo e perdeu o apoio dos petistas.

Efeito João Doria é negação à “velharada” política

O povo está cansado da “velharada” da política tradicional e encontrou em Doria uma alternativa

A disputa de São Paulo está de tirar o fôlego. João Doria (PSDB) pulou de 5% na primeira pesquisa do instituto Datafolha, no início da campanha, para 25%, Celso Russomanno (PRB) caiu de 31% para 26% e agora está com 22%, empate técnico com Marta Suplicy (PMDB), com 20%. O atual prefeito Fernando Haddad (PT) aparece com 10%.

Russomanno repete 2012, quando era líder e foi caindo até ficar fora do segundo turno. Resta saber se a sangria vai continuar até o dia 2 de outubro.

Impressiona a subida de João Doria, de 5% para 25% em poucas semanas. O maior tempo no horário eleitoral rendeu 20 pontos para o tucano, até aqui.

João Doria Júnior, ou simplesmente João Doria. Ou “João trabalhador”, como ele se auto denominou na campanha para prefeito de São Paulo.

Por que um candidato do mundo do empresariado que nunca disputou uma eleição está surfando e derrotando políticos “profissionais”?

A resposta é simples. O povo está cansado da “velharada” da política tradicional e encontrou em Doria uma alternativa com chance de vitória. João Doria pode não ter a experiência política, mas o que a população quer é justamente se afastar dos políticos e toda crise de falta de representatividade, de todos os partidos. E João Doria vem de um mundo onde um erro pode custar milhões, bilhões, a população quer zelo e, sobretudo, eficiência no serviço público.

Se João Doria vai resolver pelo menos em parte os problemas de São Paulo, se o paulistano confirmar o nome dele para prefeito pelos próximos quatro anos, só o tempo para responder.

Votar em João Doria não é uma negação à política. É um voto de desconfiança aos políticos. É um voto de negação à classe política em geral.