Para derrubar Maduro e o chavismo, Brasil não pode entrar em guerra

Itamaraty foge da tradição de Rio Branco ao incentivar a queda forçada de Maduro por Trump

A tentativa desastrada e frustada de derrubar o ditador Nicolas Maduro nesta terça-feira só ajuda o ditador a ganhar fôlego. É claro que desejo a queda do ditador Nicolas Maduro o quanto antes e o povo venezuelano seja livre dessa ditadura que arruinou um país próspero. Mas é com eles lá. Os venezuelanos são soberanos para tomar seus rumos. Intervenção estrangeira é agressão contra sua soberania. E o Brasil não deve entrar nessa briga que tem EUA e Rússia (China apoiando russos) por trás, só tem a perder sendo joguete no projeto do presidente Donald Trump para a eleição americana de 2020.

Itamaraty foge da tradição de Rio Branco ao incentivar a queda forçada de Maduro por Trump e seu fantoche Juan Guaidó. Jair Bolsonaro apenas serve de “peça” no xadrez do presidente americano e parece não se incomodar com esse papel deprimente de “cachorrinho trumpista” que não corresponde com o cargo constitucional que ocupa legitimado pelo povo brasileiro.

Por sorte, os militares brasileiros “tutelaram” o Chanceler Ernesto Araújo, que não passa de “um testa de ferro” do Eduardo Bolsonaro e por sua vez reza uma cartilha ideológica perigosa para a política externa. Ainda bem que, ao menos na política externa, o presidente Jair Bolsonaro é aconselhado pelo General Augusto Heleno e não por Olavo de Carvalho, mesmo que lá no fundo esteja louco para embarcar nessa aventura que seria o Vietnã sul-americano.

Carlos Bolsonaro nem disfarça mais ao usar a rede social do pai para mandar recados a seus desafetos no próprio governo. Tuitou que o presidente decidiria “exclusivamente” qualquer hipótese sobre a Venezuela, deixando no ar que uma intervenção com ajuda do Brasil não está descartada e contrariar Heleno e o vice-presidente Mourão, que foram taxativos ao descartar uma intervenção militar estrangeira.

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Rodrigo Maia precisou vir a público e em duas mensagens alertou o presidente que não basta só ouvir o Conselho de Defesa para declarar guerra a um outro país. Quem tem a última palavra, ou seja, quem decide é o Congresso Nacional. Maia deu uma aula constitucional ao Carlos Bolsonaro. Obviamente, conhecendo a figura, não deve levar como ensinamento e deve voltar a mirar os canhões digitais para o presidente da Câmara dos Deputados deflagrando mais uma crise entre Planalto e Legislativo.

Alguém precisa parar os filhos do presidente – especificamente Eduardo e Carlos – antes que joguem o Brasil em uma guerra que não lhe pertence, desnecessária e inoportuna. Apesar de envolver a vizinha Venezuela, uma guerra naquele país seria catastrófico para o continente.

Ditadura na Venezuela vive os seus estertores e dobra repressão

Maduro colocou fogo em caminhões com a ajuda humanitária

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O ditador Nicolas Maduro está completamente desesperado. Depois de aprofundar o descalabro econômico e social do chavismo na outrora próspera Venezuela, de reprimir com muita violência os seus próprios cidadãos em manifestações, agora tenta de tudo evitar que caminhões com suprimentos em ajuda humanitária de vários países a entrar no país. Maduro ordenou primeiro o fechamento da fronteira com Brasil e também ordenou fechar a fronteira da Venezuela com a Colômbia. Não hesita em mandar atirar e até matar quem desobedecer. Já são duas mortes – indígenas – e vários feridos nessa crise que já é a crise mais delicada na América do Sul em muito tempo.

Para completar, a milícia de Maduro colocou fogo em caminhões com a ajuda humanitária. Tudo com apoio de uma ala de uma esquerda que ficou parada no tempo da guerra fria e acha que o inimigo é o imperialismo dos EUA. Gente que se diz defensor dos direitos humanos que na última presidencial brasileira dizia votar pela democracia  e fecha os olhos para os crimes contra a humanidade praticados pelo ditador que está pronto para cair de podre.

Ser contra a ajuda humanitária a um povo que está morrendo de inanição e fugindo de seu país justificando temer se tratar de intervenção estrangeira capitaneada por Donald Trump é colocar a ideologia acima de tudo. Manter apoio a um regime que deu um golpe e tirou poderes constitucionais da Assembleia Nacional após ter perdido a maioria nas eleições parlamentares de 2015, convocando uma Assembleia Constituinte apenas com apoiadores, que controla o Judiciário e os militares, é colocar a ideologia acima de tudo.

PT, PSOL, PCdoB, PSB e outros membros dessa esquerda sem ser dos partidos citados, entre eles artistas e intelectuais, usam palavras direitos humanos e democracia para levantar bandeira. Na hora da verdade o sangue stalinista fala mais alto, são cúmplices. A maioria contra Maduro não deseja uma guerra no cone sul e prefere que os venezuelanos se libertem por conta própria, mas quem está provocando uma clima bélico é o próprio ditador em busca de um inimigo externo capaz de revigorar sua ditadura permanecendo mais tempo no poder para infelicidade de uma Venezuela em cacos.

Como eles dizem: Não passarão!

Ditadura Maduro é genocida; Brasil corre risco com os alinhados a ela daqui

A questão na Venezuela há muito deixou de ser política e ideológica. O Governo de Nicolas Maduro é uma ditadura com tudo o que uma ditadura tem de pior (esquerda ou direita). Maduro consegue ser pior que Hugo Chávez, seu padrinho político e mentor. Chávez ao menos tinha habilidade política.

O que aconteceu no último dia de 2017, na Venezuela, extrapola tudo que já aconteceu até aqui. Uma grávida vai tentar receber um pernil do Estado, porque falta até comida na Revolução Bolivariana, resultado de uma política na economia que jogou a pujante Venezuela em uma crise humanitária gravíssima, ela não consegue e se junta com manifestantes, um soldado da milícia armada de Maduro atira matando a mulher. A ditadura Maduro é genocida do seu próprio povo.

Mas o pior é uma parte da esquerda brasileira ainda sair em defesa ou a omissão de outra parte se preocupando com a desigualdade nos EUA.

Muitos riram dos alertas de que o Brasil corria risco de virar uma Venezuela gigante. Só não virou porque o PT não conseguiu – chegou a sondar o Exército para evitar o afastamento de Dilma Rouseff – domar as Forças Armadas assim como o chavismo fez com os militares do país vizinho.

Porém, o Brasil ainda corre o risco dessa ameaça por ter essa gente que passa a mão na ditadura Maduro chegar ao poder na eleição. A retomada do PT ao poder não será de pactos com o capital financeiro, as elites e menos ainda de reconciliação. E, caso Lula consiga escapar dos processos, ser candidato e eleito, vai querer retaliar a quem ele julga perseguidores dele.

O Brasil corre risco de um verdadeiro retrocesso se a esquerda revolucionário retomar o poder. Se a esquerda alinhada com a ditadura assassina de Caracas triunfar.

Brasil não pode deixar passar a agressão diplomática da Venezuela

É inadmissível a agressão diplomática ao Brasil, pela Constituinte fake do ditador venezuelano

Chega de querer resolver a situação caótica da Venezuela com diálogo, de modo pacífico. É inadmissível a agressão diplomática ao Brasil, pela Constituinte fake do ditador venezuelano Nicolas Maduro.

O governo brasileiro, de imediato, precisa expulsar o embaixador venezuelano do Brasil. Depois da reciprocidade, chegou a hora de cortar qualquer relação com o país vizinho e fechar a fronteira – apenas deixar entrar no território brasileiro venezuelanos em situação de risco. Ou o Itamaraty toma essas atitudes com urgência, ou será a desmoralização completa. Um vexame internacional que só reforçaria o apelido de “anão diplomático” do Brasil.

Não há diálogo possível com um governante que expulsa de seu território o embaixador brasileiro e o encarregado de negócios do Canadá. Não há modelo pacífico de resolver uma confusão provocada por um governo ditatorial que cassa partidos de oposição, prende opositores e ordena sua milícia armada atirar na sua própria população que sai às ruas para protestar cansada de autoritarismo responsável por jogar a Venezuela em uma crise econômica, política, institucional e humanitária.

Dilma e a Venezuela

Dilma mancha a sua biografia

dilma-rousseff-nicolas-maduroDilma Rousseff saiu em defesa explícita do governo autoritário de Nicolas Maduro na semana passada em Bruxelas. Disse a mandatária brasileira: “Rechaçamos a adoção de quaisquer tipos de sanções contra a Venezuela”. Disse mais: “Nós, países latino-americanos e caribenhos, não admitimos medidas unilaterais, golpistas e políticas de isolamento”.

Dias depois, o governo venezuelano proíbe um avião da FAB – Força Aérea Brasileira – de entrar em território venezuelano com senadores de oposição. Senadores Aécio Neves (PSDB/MG), Aloysio Nunes (PSDB/SP) e Ronaldo Caiado (DEM/GO) tentam visitar os presos políticos Leopoldo Lópes, que está em greve de fome há 22 dias, e o prefeito da área metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma.

Quando o Senado paraguaio acionou um dispositivo legal da sua Constituição e afastou por 39 votos a 4 o presidente Fernando Lugo, o governo brasileiro fez um barulho imenso. Só que a imprensa paraguaia trabalhava livremente nem havia tropas nas ruas reprimindo manifestantes. O governo conseguiu até afastar o Paraguai do Mercosul na mesma época que foi aprovada a entrada da Venezuela no bloco.

O silêncio ensurdecedor do governo brasileiro diante do caos que se passa na Venezuela mancha uma tradição brasileira, a tradição de um país que tem na Constituição o respeito à liberdade de expressão e os direitos humanos. Pior, ao falar na Bélgica sobre a Venezuela, Dilma deixou o silêncio e passou a defender o indefensável.

A presidente Dilma mancha a sua biografia. De militante que pegou em armas para combater uma ditadura agora defende uma ditadura por ideologia. O problema é que ela não é representante só de um partido, ela é a presidente da República e representa todo o país. Não pode rasgar a Constituição por ideologia. E não pode ficar em silêncio depois dessa agressão ao Brasil por parte do governo venezuelano.

Dilma afaga Maduro e ele, como retribuição, não deixa brasileiros entrar em solo venezuelano. Se Dilma não quer falar nada é a consciência dela, mas o governo tem que tomar uma atitude firme em resposta a essa agressão, mesmo contra parlamentares da oposição ao seu governo. Não precisa lembrar que a presidente tem que governar para todos. É o nome e a liderança do Brasil no continente que está em jogo.

Atualização

A presidente Dilma chamou de ‘viés político‘ a viagem de senadores brasileiros à Venezuela. É claro que é ‘viés político’. E isso não é pejorativo. O que acontece na Venezuela é referente à política, sim. O que acontece na Venezuela é um governo que está sufocando a democracia e os direitos humanos. E a Venezuela faz parte do Mercosul. Tudo que acontece lá é de interesse do Brasil.

Os senadores brasileiros que foram em comitiva para lá foram em visita a um país membro do Mercosul para tentar encontrar uma solução. Foram em uma missão diplomática a convite das esposas de dois presos políticos. Inclusive, um está em greve de fome há mais de 20 dias.