Devemos desculpas a Daniel Silveira

Peço aqui desculpas públicas a Daniel Lúcio Silveira, o primeiro preso político do regime de exceção que começou a vigorar no país e achávamos que tinha ficado no passado. Em nome da democracia que achava ameaçada apoiei a sua prisão, sua condenação e sua cassação do mandato.

Mesmo o vídeo postado com palavras que passaram do limite da liberdade de expressar, que tinha um tom de ameaça contra ministros do STF, o artigo da Constituição sobre imunidade parlamentar é claro quando diz QUAISQUER PALAVRAS. Foi a porteira sendo aberta para relativizar a imunidade parlamentar e coagir os parlamentares.

Ao condenar Silveira se sentiram livres para corromper a palavrar “ameaça”. Tudo virou ameaça contra nossos deuses do olimpo para se blindarem não só de crimes de responsabilidade, como de crimes comuns. Ali metade ou mais da atual composição deve explicações, mas se acham intocáveis e não devem satisfação a ninguém, ainda mais por se sentirem salvadores da democracia. Fazem o mesmo que os militares para perseguir qualquer pessoa que fosse contra ou ameaçasse o regime.

Muitos caíram, inclusive eu, mas não era para salvar a democracia. O objetivo era de proteção a eles mesmos. Alguns jornalistas ainda acreditam na fábula dos defensores da democracia. Alguns porque creem que ainda existe uma ameaça do autoritarismo rondando e outros por questões políticas se prestam a ser porta-vozes dos intocáveis. As eleições de outubro, principalmente para o Senado, serão definidoras para esse regime de exceção.

Ministério Público virou censor de novelas

Ditaduras começam tirando a liberdade de pequenas coisas

O Ministério Público do Trabalho não satisfeito em atrapalhar empresários e quem emprega resolveu interferir no elenco da próxima novela da Rede Globo – Segundo Sol.

Em tom ameaçador, MPT deu 45 dias para Globo cumprir Notificação Recomendatória de 12 páginas e 14 recomendações ou a emissora prestará esclarecimentos em audiência. Entre as medidas está até realizar um censo para saber quantos negros trabalham na emissora.

Como é que é? O Ministério Público virou censor de novela? Que maravilha. Não falta mais nada em Banânia. Essa notificação do MP é abjeta. É censura em nome de boas intenções. E o prior é que a emissora é vítima do próprio veneno do politicamente correto ideológico que invadiu a Rede Globo nos últimos anos.

Seguindo a sua nova linha editorial, a Rede Globo não vai denunciar a censura que está sofrendo do Ministério público. Pelo contrário, a empresa militante da luta por diversidade na TV vai se agachar e obedecer o censor fazendo tudo que “recomendar”. Uma ditadura não nasce de um dia para o outro nem necessariamente precisa ser oficial. Ditaduras começam tirando a liberdade de pequenas coisas, interferindo aqui e ali no livre arbítrio de uma sociedade.

Ditadura Maduro é genocida; Brasil corre risco com os alinhados a ela daqui

A questão na Venezuela há muito deixou de ser política e ideológica. O Governo de Nicolas Maduro é uma ditadura com tudo o que uma ditadura tem de pior (esquerda ou direita). Maduro consegue ser pior que Hugo Chávez, seu padrinho político e mentor. Chávez ao menos tinha habilidade política.

O que aconteceu no último dia de 2017, na Venezuela, extrapola tudo que já aconteceu até aqui. Uma grávida vai tentar receber um pernil do Estado, porque falta até comida na Revolução Bolivariana, resultado de uma política na economia que jogou a pujante Venezuela em uma crise humanitária gravíssima, ela não consegue e se junta com manifestantes, um soldado da milícia armada de Maduro atira matando a mulher. A ditadura Maduro é genocida do seu próprio povo.

Mas o pior é uma parte da esquerda brasileira ainda sair em defesa ou a omissão de outra parte se preocupando com a desigualdade nos EUA.

Muitos riram dos alertas de que o Brasil corria risco de virar uma Venezuela gigante. Só não virou porque o PT não conseguiu – chegou a sondar o Exército para evitar o afastamento de Dilma Rouseff – domar as Forças Armadas assim como o chavismo fez com os militares do país vizinho.

Porém, o Brasil ainda corre o risco dessa ameaça por ter essa gente que passa a mão na ditadura Maduro chegar ao poder na eleição. A retomada do PT ao poder não será de pactos com o capital financeiro, as elites e menos ainda de reconciliação. E, caso Lula consiga escapar dos processos, ser candidato e eleito, vai querer retaliar a quem ele julga perseguidores dele.

O Brasil corre risco de um verdadeiro retrocesso se a esquerda revolucionário retomar o poder. Se a esquerda alinhada com a ditadura assassina de Caracas triunfar.

Cuba: Melhor sem ditadura

Um país sem liberdade é um país manco

No fim de 2014, uma polêmica perto do dia de natal ferveu o Twitter. Foi no dia que o presidente Barack Obama e o presidente Raul Castro começaram a pôr fim a mais de 50 anos de um bloqueio econômico entre EUA e Cuba. Um comentário de um fã da ilha caribenha – talvez fã dos Castro – incomodou quem não gosta do regime implementado por Fidel e Che.

Os defensores do regime argumentam que Cuba é modelo em educação e saúde promovidos pelo Estado. A direita refuta e mostra dados que a miséria é grande na ilha. Como não tem liberdade de imprensa, é difícil achar dados confiáveis. A esquerda rebate usando o embargo dos EUA como fator que impediu Cuba de ser uma potência. Só que quem discorda do regime é censurado e até preso.

Cuba foi potência olímpica, mas perdeu força com deserção de atletas para países livres. Pela primeira vez desde 1967, cubanos ficarão abaixo do segundo lugar no quadro de medalhas dos jogos Pan-Americanos – ficou em primeiro quando os jogos foram em Havana, em 1991.

No Brasil, a polêmica é grande quando Cuba é assunto. Até mapa dividindo o país depois do resultado da eleição 2014 teve. O empréstimo do governo brasileiro ao governo cubano para a construção do Porto de Mariel é cercado de controvérsia. Outro assunto polêmico é o Programa Mais Médicos. Opositores ao programa do governo federal (PT) dizem que o governo brasileiro financia a ditadura cubana e esse dinheiro volta para financiar campanhas políticas do Partido dos Trabalhadores.

Quem é favorável tanto do empréstimo ao Porto de Mariel quanto as regras do programa Mais Médicos – o governo federal paga diretamente aos médicos estrangeiros do programa, exceto os médicos cubanos, e boa parte do salário vai para o governo da ilha – argumenta que o empréstimo para construção do porto é estratégico, o Brasil está se adiantando para ter vantagem econômica quando Cuba se abrir ao mercado mundial. E sobre o Mais Médicos, os médicos brasileiros não querem ir para os rincões do país.

O “vai pra Cuba” virou slogan dos contra ao regime cubano para os defensores do mesmo. É uma discussão de 5ª série e cheia de ódio recíproco. Eu prefiro ficar ao lado do povo cubano que torce para o fim de um embargo econômico que já deveria ter caído e, com ele, a abertura da economia. Um novo tempo para Cuba, com liberdade de imprensa e prosperidade para o seu povo. Mesmo que Cuba seja exemplo como um país sem analfabetismo e referência em saúde, um país sem liberdade é um país manco.

Carta a um ministro da Ditadura

Fábio Piperno

Caro ministro Célio Borja, li com muita atenção sua entrevista publicada hoje na Folha de São Paulo. Lamentei, e me solidarizo, com sua bem-intencionada e ingênua crença sobre a duração do Golpe de 64. Foi assim que interpretei aquele trecho em que o senhor falou que “supunha que seria uma intervenção cirúrgica”. Pois é, muitos como o senhor também acreditaram na história de que os “militares de formação democrática, Castello à frente, encurtariam a permanência no poder”.

O senhor vê, né ministro, quantos enganos de avaliação o senhor e seus parceiros (comparsas?) foram capazes de cometer!! O senhor acreditou que tudo seria “cirúrgico”, que Jango, “um pobre homem… um aprendiz de caudilho despreparado para governar”, como o senhor mesmo definiu, fosse um golpista e que as torturas, ou “brutalidades” como as classificou, ocorriam porque os facínoras “agiam à revelia”.

Bem, ministro, a longa escuridão que durou 21 anos, foi mesmo uma guerra!!! Na sua definição, é claro! E como guerra é guerra, o senhor honestamente admite que “às vezes havia conivência”, ao referir-se às torturas como prática de Estado. Eles (os torturadores) “achavam que tinha que ser assim. Senão, não ganhavam a guerra”.

Como o senhor foi candidamente induzido a tantos enganos de avaliação, permita-me imaginar que mais um entre os seus equívocos foi quando disse que a visão que se tem do regime é “absolutamente distorcida”. Afinal, o senhor cunhou um eufemismo para negar a ocorrência de uma ditadura no Brasil. “Ditadura nunca houve. O que se podia dizer é que havia um REGIME DE PLENOS PODERES”.

Certo! Isso, ministro, me remete mais àquela música PODRES PODERES, mas como imagino que o senhor esteja em uma fase mais para Lobão, não vai acabar se lembrando qual é. Sem contar que também não podemos esquecer que suas credenciais democráticas não são tão notáveis assim. Claro que induzido por enganos conjunturais, o senhor não apenas apoiou a ditadura, como presidiu a Câmara dos Deputados nos bons tempos do general Geisel, quando a ditadura matou, entre outros, Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho. E, de quebra, novamente como ministro, atuou na frustrada operação para salvar do impeachment o presidente Collor de Mello. Mas nada como ser fiel aos pares. Afinal, ele era um dos seus desde os velhos tempos, não é?

Mas foi bom esse diálogo, ministro. Ah, imagino que o senhor não tenha lido a entrevista daquele coronel reformado, chamado Paulo Malhães, que outro dia confessou ter participado de muitas sessões de tortura e de assassinatos de presos políticos. Com muita expertise no tema, ele contou que arrancavam as arcadas dentárias e os dedos dos mortos para não permitir a identificação, e extraíam as vísceras para evitar o incômodo dos corpos ficarem boiando nos rios para onde era atirados.

Claro que o senhor, muito temente a Deus, certamente não ficou sabendo que seus comparsas (como é mesmo o coletivo de golpistas e de torturadores?) de regime eram capazes dessas atrocidades. E como tudo isso acabou ministro, certamente não vou desejar que seus filhos e netos um dia passem pela mesma dor. Não vou não, ministro. Nem tanto pelo senhor, mas pela história desse país, por formação humanista e por defender até a morte que mesmo a mais imperfeita das democracias é sempre muito melhor que qualquer REGIME DE PLENOS PODERES.

No fundo, ministro, desejo apenas que o senhor se recolha também ao mesmo sarcófago para onde foram seus renitentes parceiros da Marcha da Família. Porque para o lixo da história, o senhor já foi!