Mais uma ideia estúpida dos políticos

A baixa representatividade das mulheres nos parlamentos se dar por falta de uma política atrativa dos partidos

Passeando pelo Twitter dei de cara com o seguinte tuite do deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP) (tinha que ser petista…)

“O Brasil precisa destinar metade das cadeiras nos parlamentos às mulheres. Afinal, elas são mais da metade da população.”

A ideia do energúmeno é populista e passando uma lei dessa mataria o significado de eleição. Porque eleição é disputa e você carimbando determinado percentual de cadeiras mataria a disputa saudável. Fora que ideias do tipo geram efeitos colaterais como a cota de 30% de candidatas mulheres que se transformou em “candidaturas laranjas” ou “candidaturas fantasmas”, só para preencher os 30% da lei.

A baixa representatividade das mulheres nos parlamentos se dar por falta de uma política atrativa dos partidos para atrair mais mulheres. Ações que faça as mulheres quererem entrar para política. Não é obrigando os partidos a destinar 30% das candidaturas para mulheres e, pior, segregar destinando metade das vagas que o engajamento feminino vai crescer.

O pior é saber que já existe projeto de lei comprando a ideia do deputado Paulo Teixeira.

Está surgindo um novo Severino

No Parlamento o que vale é voto e influência, menos ideologia e bom mocismo de virgem no puteiro e mais pragmatismo

baixo clero

O apoio do PSL a Rodrigo Maia (DEM), atual e candidato a presidente da Câmara dos Deputados, continua gerando revolta em eleitores e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Essa “nova direita” já deveria ter aprendido que no parlamento ideologia é mais desvalorizada que a camisa da seleção brasileira após uma eliminação da Copa do Mundo de futebol.

A vitória de Maia é certa. Só um novo Severino Cavalcanti evitaria. Fábio Ramalho (MDB/MG), atual 1º vice-presidente da Câmara, vulgo Fabinho “do apê” – diz a lenda de Brasília que o deputado leva colegas para festinhas no seu apartamento funcional – se articula para ser o que foi Severino Cavalcanti em uma composição que une “golpistas” e “golpeados”, MDB e PT.

Na eleição de 2005, o governo do então presidente Lula bateu cabeça em um enredo muito parecido o que acontece no ano da graça de 2019. PT queria continuar na presidência da Câmara e escolheu o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh como candidato oficial desagradando outros deputados do partido que lançaram de forma avulsa o deputado Virgílio Guimarães. Como o partido do presidente não se entendia, a base ficou sem rumo e o baixo clero se aproveitou elegendo Severino Cavalcanti, que durou alguns meses na presidência e caiu quando explodiu o “mensalinho”.

10 anos depois, em 2015, Dilma Rousseff tentou bater de frente não apoiando Eduardo Cunha para presidência da Câmara. Cunha foi eleito no primeiro turno de votação, priorizou na pauta de votações projetos do Legislativo em detrimento da pauta do governo e dificultando ao máximo o ajuste fiscal de Joaquim Levy, o que agravou o quadro de desequilíbrio fiscal desaguando na pior recessão econômica do país, quase 15 milhões de desemprego, inflação atingindo dois dígitos culminando com o impeachment.

No Parlamento o que vale é voto e influência, menos ideologia e bom mocismo de virgem no puteiro e mais pragmatismo que, aliás, o verdadeiro conservador é pragmático em que defende a regra do jogo só aceitando qualquer tipo de mudança dentro das leis. Em resumo, o conservador é o racional pragmático e a política é a arte do diálogo. Quem é revolucionário nunca deveria se candidatar a qualquer cargo eletivo e quem é puritano, passe longe da política.