Palhaço Tiririca

O palhaço Tiririca fez da Câmara dos Deputados seu picadeiro. Em seu primeiro discurso na tribuna que não disse nada com nada anunciou o fim da carreira política.

Parece que não é bem assim

Tiririca foi eleito o deputado mais votado de São Paulo na eleição de 2010 e reeleito em 2014. Em 7 anos apresentou poucos projetos de lei, não aprovou nenhum, se gaba de ser o deputado mais assíduo nas sessões, o que só é obrigação, além de falar no microfone apenas na sessão do impeachment de Dilma e nas duas denúncias contra o presidente Temer.

Tiririca usou o slogan “pior que tá não fica” na campanha. Agora, diz que não pode fazer nada. E que a Câmara é uma vergonha. Reclama dos deputados que ganham muito e não ajuda que está na rua passando fome, só que ele recebe pelo menos R$ 30 mil todo mês como qualquer parlamentar.

Por que ele não usa seu salário no lugar de ficar esperando os outros? Melhor ainda: usar seu mandato legitimante ganho para ajudar quem precisa com políticas públicas. Disse que muitos deputados andam de cabeça baixa na rua – fora ele, claro – e ele é filiado ao PR, o partido do mensaleiro Waldhemar Costa Neto – na qual ajudou a eleger com sua grande votação – e Anthony Garotinho.

O Brasil passa por uma fase que ser honesto virou mérito e qualquer um vira “herói da pátria” só porque diz meia-dúzia de palavras populistas, vazias e clichês. Tiririca pode mal saber ler e escrever, mas bobo não é. Seu discurso de despedida da política pode sido um grande picadeiro – ele é palhaço profissional – para uma jogada de marketing de olho na eleição de 2018.