Quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Olimpíada do Rio 2016 em 2009, a economia brasileira era celebrada no mundo. O ex-presidente Lula usou essa conquista como propaganda de seu governo para impulsionar o nome da então ministra Dilma Rousseff, de olho na eleição presidencial de 2010. Até a revista Economist fez a famosa capa do Cristo Redentor com “Brasil decola”. Brasil era a nova vedete do mundo com crescimento de quase 10%.
Não é mais. A realidade hoje é mais dura. A economia estagnou e uma inflação persistente acima da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central. Um ajuste fiscal negado na campanha pela presidente reeleita Dilma Rousseff é feito via aumento de impostos para reequilibrar as contas públicas. O governo promete que o país voltará a crescer com inflação controlada em 2016, no ano olímpico. O Brasil de hoje lembra muito a Grécia de dez anos atrás.
Quando ingressou na União Europeia, a Grécia fez uma farra com dinheiro público e patrocinou a Olimpíada de Atenas 2004. Na hora de pagar a conta vem o discurso “anti-imperialista” contra a Troika (FMI, BCE e Comissão Europeia).
Sem legado, o orçamento dos Jogos Olímpicos do Rio já chega perto dos R$ 40 bilhões – exatos R$ 37,7 bilhões. O Brasil de 2017 será a Grécia de 2015? Só o tempo dirá. Mas caminha para isso.