Esse texto é um pedido de desculpas aos chamados “pessimistas”, que alertaram no tempo de bonança econômica que o modelo adotado a partir de 2008 pelo governo brasileiro para combater a crise internacional – a chamada Nova Matriz Econômica – não era sustentável ao médio-longo prazo.
Agora sei que todas as análises de diversos economistas e consultorias não era só má vontade com o governo do PT. Não achava que era só por discordar do governo petista, da política heterodoxia e programas sociais, mas achava que essas consultorias e economistas exageravam ao decretar o Fim do Brasil em caso de essa política heterodoxia não mudasse. E isso passaria pela eleição de 2014, o mercado financeiro abraçou a candidatura do PSDB, representado pelo Senador Aécio Neves. Ou por Marina Silva (PSB), quando esta ameaçava tirar o tucano do segundo turno e ameaçava inclusive a vitória de Dilma no mesmo.
A funcionária do Banco Santander que fazia seu trabalho mandando cartas aos correntistas do banco alertando as dificuldades da economia se a presidente Dilma fosse reeleita recebeu protestos do PT, do Palácio Planalto e do ex-presidente Lula, o que culminou com a demissão da funcionária. Meses depois do episódio, ela (a funcionária que fez somente seu trabalho) ganhou na justiça uma indenização do banco.
Todas as previsões que governistas acusavam de “pessimistas” estão acontecendo nesses nove meses de segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. A própria presidente abriu mão de suas convicções e crenças colocando um economista pós-graduado na Universidade de Chicago (templo do liberalismo) no Ministério da Fazenda, Joaquim Levy – banqueiro do Bradesco.
Mas nem Joaquim Levy e seu ajuste fiscal impediu o Brasil de perder o grau de investimento da S&P. A crise política atrapalhou o primeiro ajuste e só serviu para escancarar o estelionato eleitoral que derrubou a popularidade de Dilma para 8%, menos de Collor no impeachment. Um novo ajuste fiscal foi elaborado por Levy e Nelson Barbosa (Min. Do Planejamento), cortando R$ 26 bi do orçamento depois do governo mandar para o Congresso Nacional um déficit de R$ 30,5 bi e aumento de impostos, como a volta da famigerada CPMF.
Desemprego perto de 10%, Dólar a R$ 4,00, inflação alta com retração do PIB em 2015 e, muito provavelmente, retração também em 2016, completando três anos de recessão (PIB 2014: 0%), o que deixa o país mais pobre, o poder de compra do real corroído, prejudicando os mais pobres.
O tempo é o senhor da razão, ele nunca falha. Os pessimistas estavam com a razão! Ou melhor, o “Pessimildo” tinha razão.