
Caiu como uma bomba a nota do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que diz que o contingenciamento comprometerá as Eleições Eletrônicas Municipais de 2016. Em outras palavras, 20 anos depois da primeira eleição com voto eletrônico no Brasil (1996), o velho voto no papel pode voltar nas próximas eleições. Desde 2000, o voto de papel foi aposentado em 100% dos municípios brasileiros.
O Brasil vive um momento de retrocessos no meio da segunda década do século 21. Inflação na casa dos dois dígitos, desemprego também perto de 10%, um Congresso Nacional aprovando leis irracionais, fora a corrupção que campeia em todos os partidos e vai do mais simples deputado ao presidente da Câmara e do Senado.
Os conspiracionistas festejam a volta do voto de papel porque acham que a urna eletrônica foi feita para os petralhas-comunistas-do-PT ganharem as eleições e o voto eletrônico é manipulado. Tudo com base em denúncias de Facebook e blogs do sub-mundo da internet (bom lembrar que 90% do que se encontra na rede é falso).
Defendo o voto impresso na urna eletrônica (aqui) porque faz parte do aperfeiçoamento do sistema de votação eletrônico e ajuda a blindar a urna eletrônica contra esses teóricos de conspirações de botequim. Acho descabido o argumento de alguns ministros do TSE, principalmente do presidente Dias Toffoli, de que o voto impresso é inviável por consumir R$ 1 bi a mais. Tudo que minimize falhas e garanta segurança máxima ao processo eleitoral não pode ser descartado por consumir mais dinheiro. Afinal, a eleição é que decide quem vai gerir esse dinheiro que é público e tem que ser 100% transparente.
Agora, voltar com o voto em cédulas de papel seria o maior retrocesso da história do Brasil desde 1500. Ainda mais por falta de dinheiro, o governo federal está cortando tudo para fechar o rombo de bilhões que ele mesmo provocou. Já sabia que o Brasil está quebrado, mas não ter dinheiro nem para urna eletrônica é só uma pequena amostra do tamanho do buraco que nos enfiaram. Pior: sem prazo para sair dele.