Problema da economia brasileira vai além dos juros altos

Sem resolver os problemas fiscais e gargalos logísticos não é possível reduzir os juros básicos na marra

titanic

Existe uma guerra fria no Brasil. De um lado, os economistas heterodoxos, conhecidos como desenvolvimentistas, que querem crescimento e não aceitam a Selic – taxa básica de juros – muito elevada dificultando o crédito para pessoas e empresas ajudando a travar o crescimento; do outro lado, os economistas ortodoxos preocupados com a deterioração da moeda quando o governo perde o controle da inflação.

O Banco Central é o guardião da moeda. É ele que deve tomar medidas para conter o avança da inflação. Quando a demanda supera a oferta é obrigação do BC não deixar que isso fortaleça o Dragão da Inflação e o remédio amargo mais usado pelos economistas do BC é aumentar os juros básicos, a Taxa Selic. Isso provoca uma disputa entre os analistas de mercado, entre Heterodoxos Desenvolvimentistas contra Ortodoxos, de uma tendência liberal. E é colocado mais lenha na fogueira quando entra na pauta a independência do BC.

Principalmente nessa última reunião do Copom, quando indicava que seguiria uma linha e foi em outra direção ao saber do relatório do FMI que prevê recessão na economia brasileira em 2016 e crescimento zero em 2017. Mas o debate sobre a independência do BC foi sufocado pela campanha do PT na última eleição ao distorcer o tema para usar contra a candidata Marina Silva.

Na situação atual do Brasil, com PIB negativo e inflação superando 10% em 2015, essa disputa fica em segundo plano. Nesse momento o debate é por que a inflação está alta mesmo com a economia desaquecida. O normal seria inflação alta se a economia tivesse muito aquecida – demanda maior que a oferta. É mais um caso de Jaboticaba brasileira: só dar no Brasil.

Não é que quem é mais pela ortodoxia não gosta de crescimento do PIB. Não adianta crescer com uma inflação descontrolada corroendo qualquer crescimento do PIB e salários dos trabalhadores. Com inflação descontrolada quem sofre são os mais pobres e muito pobres.

Existe um grande problema maior que trava o crescimento da economia brasileira do que os juros. É claro que tanto a Selic como os juros reais dificultam o crescimento brasileiro, mas há um problema maior travando a economia: falta de reformas estruturais (previdência, trabalhista, política) e investimentos do setor público e privado. E, nesse momento, tem o problema fiscal, o descontrole nas contas públicas e a crise política.

Nessa disputa ortodoxos x heterodoxos, os economistas ortodoxos estão mais certos. Sem resolver os problemas fiscais e gargalos logísticos não é possível reduzir os juros básicos na marra, como fez a presidente Dilma no primeiro mandato, um dos vários motivos que explica o caos atual da economia brasileira. Crescer, ou nem crescer, com inflação é como um barco furado no meio do mar. É como ter um Titanic e ele não ter estrutura suficiente para aguentar um iceberg. A palavra chave é crescimento com sustentabilidade, inclusive ambiental.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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