Battisti e o caso de amor da esquerda por ditaduras ‘amigas’

8 anos depois e livre das amarras ideológicas revolucionárias, o Brasil corrige (não apaga) a passagem mais triste da nossa diplomacia

battisti

A captura do italiano Cesare Battisti, que fugiu para Bolívia após o ministro do STF Luiz Fux decretar sua prisão e consequente autorização para sua extradição, confirmada pelo ex-presidente Michel Temer, vira a página mais nebulosa na diplomacia brasileira. Battisti não é um ativista que lutava contra um regime autoritário em seu país, como parte da imprensa brasileira insiste em colocá-lo nessa posição. Para se ter uma ideia até Mino Carta não acha Battisti um ativista de esquerda. Como italiano, Mino sabe bem como agia Battisti.

Mas o ex-ministro da justiça Tarso Genro pensa diferente de Mino e concedeu status de refugiado para Cesare Battisti, argumentando que ele é perseguido político na Itália. Fazendo uso do cargo Genro não deixou a extradição acontecer, o governo italiano recorreu ao STF brasileiro que aceitou extraditar Battisti, só que deixando a última palavra para o presidente da República, um verdadeiro “lava mãos” dos ministros.

O então presidente Lula deixou para tomar uma decisão no último dia de seu governo, em 2010, referendando a decisão de Tarso Genro. Lula está preso por outros motivos mais graves, como ocultar propina em propriedades em nomes de terceiros, mas esse seu último ato com a caneta presidencial sujou a belíssima história do Itamaraty.

8 anos depois e livre das amarras ideológicas revolucionárias, o Brasil corrige (não apaga) a passagem mais triste da nossa diplomacia mandando um assassino com práticas terroristas para cumprir sua pena imposta pelo Judiciário da democracia italiana.

Agora, é triste de ver a “esquerda naftalina” e outros que fingem que deixaram seu passado de revolucionário no passado fazendo malabarismo para defender o que Lula e Tarso Genro fizeram no episódio Cesare Battisti. Assim como embrulha o estômago a defesa cega e doentia dessa mesma esquerda para ditaduras da mesma coloração ideológica ao mesmo tempo que diz defender a democracia.

Quando ditaduras são da mesma cor ideológica está lá Gleisi Hoffmann na posse de um presidente não reconhecido como legítimo por quase toda comunidade internacional e organismos internacionais, eleito por uma eleição de faz de conta, enquanto boicota a posse do presidente eleito legitimamente em seu país. Esse é o duplo padrão moral da esquerda.

Ditadura alguma autoriza você virar terrorista para combatê-la. Ou ser cúmplice por algum grau de afinidade ideológica. A luta contra ditaduras, de direita ou esquerda, têm que ser travada no campo institucional e domesticamente, sem intervenção estrangeira.

Por outro lado, não vejo uma saída que faça a democracia e a liberdade retornarem para Venezuela sem ser por meio da força, não de guerrilhas armadas, mas uma união de forças como na que livrou o Iraque de Saddam Hussein, porque Nicolas Maduro não tem escrúpulo e vai sugar até a última gota dos recursos da Venezuela para manter a ditadura sanguinária que leva milhares de venezuelanos a fugir do seu próprio país e da fome.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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