Caudilhismo de Bolsonaro

Bolsonaro é um caudilho de direita aspirante a Imperador que esbarra em nossas instituições

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Expectativa do PIB de 2019 caindo para abaixo de 1% de crescimento e o país voltando para a recessão enquanto o presidente Jair Bolsonaro se ocupa do seu tempo criando factoides para alimentar suas feras digitais com o objetivo de manter o clima de campanha permanente nem se for preciso caçar bruxas dentro do próprio governo e, assim, mostrar quem governa.

Falta foco em ações prioritárias do governo e sua consequência é trágica para a economia e para todos os brasileiros, principalmente os mais pobres. Mas Paulo Guedes também tem responsabilidade. Apesar da equipe econômica ser “dream team“, alguns membros – incluindo Guedes – têm um lado ideológico carregado. É um governo que a ideologia fala mais alto e o presidente confunde fazer um governo sem ideologia trocando uma por outra. Um governo sem ideologia não sai pedindo demissão de funcionários só por ter trabalhado em governos de outros partidos enquanto ministros encrencados com denúncias até envolvendo ameaça de morte a correligionários – Marco Alvaro Antonio e seu “laranjal mineiro” – seguem intocáveis.

A equipe econômica comandada por Paulo Guedes, salvo exceções, espera a reforma da Previdência como a grande panaceia para resolver os problemas e não será. Vai ajudar muito o lado fiscal e os investimentos, mas para a economia crescer e gerar empregos, é preciso mais. O problema é que o ministro não acredita que possa fazer estímulos na economia sem a reforma e não abre mão do xodó que é capitalização, mas não tem voto para passar, o que acaba junto com o partido do presidente mais atrapalhando do que ajudando.

Bolsonaro é um populista de direita que deseja destruir tudo para reconstruir com base no que acredita; Guedes é um ‘liberal ideológico’. Casamento perfeito. O caso Joaquim Levy é exemplo: agora ex-presidente do BNDES nunca teve simpatia do presidente por ter colaborado nos governos Lula, Cabral e Dilma, o engoliu por Guedes. Que não estava satisfeito do ritmo imprimido por Levy, mais especificamente em não querer desfazer ações da BNDESPAR em momento de baixa na bolsa, na devolução do dinheiro que o banco pegou do Tesouro Nacional e privatizações. E do jeito que foi o processo todo, como Maia disse, foi “uma covardia“.

Já a demissão de Santos Cruz é mais um recado do presidente para o alto comando das Forças do que sobre Olavo de Carvalho. Bolsonaro tem um passado de insubordinação dentro do Exército e teve que ir para a reserva mais cedo. Mesmo virando político e atuando como representante de classe dos militares nunca foi tido como representante político dos militares. Lá no fundo ele guarda uma certa mágoa. Obviamente que não abria mão do prestígio dos militares na sociedade na construção da sua popularidade, como os militares viram em Bolsonaro a chance de voltar ao poder pelo voto popular e se redimir da ditadura militar. O problema é que o presidente não quer ser tutelado pelos militares e não pode abrir mão deles. Desse impasse, um lado cede o que pode.

Bolsonaro tem um sonho de não precisar do Parlamento para governar. Por isso acha que precisa mais do apoio popular do que do Parlamento. Já governa praticamente por decretos, mas que podem cair no Congresso ou no STF. Sonha em ‘domar’ o STF indicando para o cargo de ministro pessoas alinhadas com seu modo de enxergar a vida copiando o modo PT – o que não deu muito certo porque alguns dos indicados se viraram contra o partido ao sentar na cadeira. Ministro do STF sente gratidão por quem o indicou no máximo por seis meses a um ano e pesa mais suas convicções pessoais do que partidárias.

No resumo, Bolsonaro é um caudilho de direita aspirante a Imperador que esbarra em nossas instituições, que apesar dos inúmeros defeitos são sólidas.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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