
A jovem sueca Greta Thunberg, de 16 anos, virou um incomodo para marmanjos. Seu ativismo em favor do meio-ambiente passou a incomodar quem acha que a pauta ambiental é eco socialismo e a garota é um meio que as esquerdas descobriram de se reinventar explorando a proteção ambiental. Outros vão mais além e acusam Greta de ser um plano ambicioso de meta-capitalistas para um governo “globalista”.
Fora essas teorias (conspiratórias) mirabolantes, o que chama mais atenção é a agressividade contra uma jovem nas redes e em meios de comunicação mais tradicionais. Fantoche de ONGs financiadas por George Soros, histérica, hipócrita, doente mental, pirralha e outros xingamentos contra uma mulher menor de idade. O ápice foi um jornalista sugerindo em plena rádio que o problema da Greta era “falta de homem”. Obviamente, houve forte reação do público e ele acabou perdendo o emprego (o mínimo).
Não tenho pretensão de convencer quem não acha que o meio-ambiente está sendo degradado e o aquecimento global é uma realidade. Eu sei o meu lugar e minha insignificância. Segundo, não sou eco ativista. Também não sou especialista em clima para afirmar cientificamente se o aquecimento global é verdadeiro ou uma farsa.
Mas mudei minha posição de uns meses pra cá. Passei a olhar com mais cuidado para a questão ambiental até por experiência própria de quem já sofre e pode sofrer mais ainda pelas mudanças climáticas em curso. Ter preocupação ambiental não é coisa de esquerda, direita ou centro. A questão ambiental não deveria ser encarada pelo olhar ideológico.
A polarização Agronegócio versus Meio-Ambiente não existe pelo simples fato de um precisar do outro. Acabar com áreas de proteção ambiental e reservas indígenas para expandir a plantação de soja ou criação de gado vai prejudicar o próprio Agro mais cedo ou mais tarde, seja por sanções econômicas ou desequilíbrio climático que provoca escassez de chuva.
Reservas indígenas têm dupla missão: protege o meio-ambiente e ameniza um pouco a dívida histórica do Brasil com os povos nativos. No seu primeiro ano o atual governo não demarcou um centímetro de terra indígena. Deseja a abrir as já existentes para o garimpo ou facilitar legalização de terras invadidas. O discurso do presidente Jair Bolsonaro termina por incentivar garimpeiros, madeireiros e grileiros a invadir terras indígenas culminando com o derramamento de sangue indígena.
Mas o problema para muitos está numa garota de 16 anos e no seu ativismo. A jovem Greta optou por fazer alguma coisa antes que o seu futuro – e de bilhões – seja inviabilizado por ações inconsequentes de governantes e pelos próprios cidadãos desse planeta azul que, até que provam o contrário, é circunferencial.