Paralisação dos caminhoneiros: culpa do Alcolumbre

A partir da 0h desta segunda-feira caminhoneiros entraram em vigília esperando que os senadores tenham um pouco de vergonha na cara e legislem, o que são muito bem pagos por todos para isso. Só assim para destravar e impedir a caducidade da MP do frete que foi aprovada na Câmara e o reizinho do Senado não coloca em votação.

Davi Alcolumbre está embarreirando e não deixando votar nada. Além dessa MP que está para perder a validade, não vota nem despacha para as comissões a PEC do fim escala 6×1 e travou a PEC da segurança pública.

Tudo porque o reizinho do Senado está brigado com o presidente da República e deseja um encontro com ele para destravar a pauta antes do recesso parlamentar.

O que guia Alcolumbre são interesses de empresários, interesses eleitorais e outros inconfessáveis. Só uma paralisação de quem abastece as cidades – seja grande ou pequena – como aconteceu em 2018 para essa turma deixar de politicagem baixa. Antes dos seus interesses, foram colocados lá para os interesses da população e do país.

Revolucionários da boleia ameaçam parar o país de novo

O Brasil ainda sente os efeitos da “revolução da boleia” de 2018

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Caminhoneiros ameaçam nova paralisação se o governo não resolver os problemas da categoria. Reivindicações são as mesmas da paralisação de meados do ano passado. Reclamam do fim do subsídio do diesel que vigorou de junho a 31 de dezembro de 2018, como parte do acordo com o governo anterior para terminar com a paralisação que deixou o Brasil em um caos semelhante ao que vive a Venezuela e com reflexos na economia. O governo do presidente Michel Temer demorou para agir e quando sentou para negociar com representantes dos caminhoneiros não tinha o que fazer e entregou quase tudo que pediram.

Jair Bolsonaro apoiou as paralisações de 2018 e 2015. Em 2018, inclusive, Gustavo Bebianno chegou a discursar para caminhoneiros parados parabenizando a paralisação e usando em favor de Bolsonaro. Quando os prejuízos para população e o transtorno para o cidadão com consequências catastróficas para o futuro governo, Bolsonaro pediu para os caminhoneiros pensar no país sem deixar de parabenizá-los por “mostrar as entranhas do poder”.

Caminhoneiros também ficaram irritados com a fala do presidente e a tímida resposta para suas demandas. Acharam insuficientes a nova política de preços da Petrobras e o cartão-caminhoneiro, que entendem que já são três meses de governo e Bolsonaro não cumpriu a promessa de campanha de resolver o problema do diesel e a tabela de frete – outra reivindicação aceita pelo governo Temer – não está sendo respeitada. O Brasil ainda sente os efeitos da “revolução da boleia” de 2018, uma nova paralisação seria tão ou mais apocalíptica.

Governo Bolsonaro está para pagar uma conta que o candidato Bolsonaro ajudou a criar e não sei se o presidente se arrepende de ter apoiado a paralisação dos caminhoneiros. A paralisação transformou em vilão Pedro Parente, o responsável por reerguer as finanças e credibilidade da Petrobras, derrubou a tímida recuperação da economia e deixou uma bomba armada pronta para explodir. Fora oportunistas encontrando na paralisação a grande chance da vida e virando deputado, como André Janones.

Claro que é preciso olhar com cuidado os problemas de quem leva os produtos e mercadorias para o comércio. A sua importância foi comprovada na paralisação de 10 dias. Resta saber se a convenção ao liberalismo econômico por parte de Jair Bolsonaro personificada em Paulo Guedes é pra valer ou de ocasião e se vai saber desarmar a bomba que ajudou a criar não caindo na tentação do populismo fácil e maléfico.

Apelo ao presidente Michel Temer

Presidente Michel Temer, por favor, faça algo e evite que seu governo termine como o de José Sarney

Excelentíssimo Presidente da República, Senhor Michel Temer, não deixe o seu o governo terminar de forma catastrófico. Sei que seu governo e o senhor foram vítimas de uma trama para derrubá-lo no ano de 2017 – ainda sofre com bombardeios diários maculando sua honra tanto pela imprensa como do Judiciário e ameaça de uma terceira denúncia – e teve que gastar seu cacife político no Congresso Nacional para evitar que “forças obscuras” conseguissem seu objetivo. O governo já não tem mais fôlego para aprovar nem pautar reformas mais do que necessárias, urgentes.

Mas pode piorar e a paralisação dos caminhoneiros tem potencial para provocar distúrbios nas cidades por falta de suprimentos básicos. É preciso medidas rápidas e eficientes, com urgência. Se a situação não for resolvida rapidamente, pode começar a faltar suprimentos nas prateleiras, já começou nos aeroportos, aí o caldo entorna de vez. E a reivindicação dos caminhoneiros não só é deles. A população em geral, principalmente a classe média e os mais pobres, não aguenta mais a escalada no preço da gasolina. Não queremos saber se a culpa é do preço do petróleo em dólares ou se o “mercado” não vai gostar de medidas para conter essa subida.

Chega de pagar a conta (o pato) que não é nossa, seja da corrupção ou da volatilidade do mercado. Queremos um preço justo que caiba dentro do orçamento cada vez mais apertado do brasileiro. O problema vai muito além de déficit fiscal. É a crise social que está se agravando com potencial para desaguar no desabastecimento de produtos. Veja o drama humanitário que os vizinhos da Venezuela estão sofrendo. Estamos longe da situação venezuelana, verdade, e muito graças ao seu rompimento com o governo Dilma, que era cúmplice da ditadura Maduro, proporcionando o impeachment, mas pensar só em equilibrar as finanças públicas e esquecer a população vulnerável não é aceitável.

Presidente Michel Temer, o senhor ainda tem alguns meses antes de entregar o cargo e contornar danos assim como fez ao assumir o comando do governo federal. Por favor, faça algo e evite que seu governo termine como o do seu correligionário José Sarney: trágico economicamente e socialmente.