Desigualdade diminui no país da polarização de renda

Índice de Gini aponta que a desigualdade caiu devido ao aumento de renda pela população menos afortunada

cidades

Gustavo Vaz

Quatro de cada cinco cidades brasileiras tiveram redução do índice de Gini, que mede a desigualdade social em um determinado local, na década de 2000. Enquanto nos anos 1990, o mesmo índice tinha aumentado em 58% dos municípios do país. Todas estas informações são encontradas nesta matéria, do último dia três de agosto, d’O Estado de São Paulo.

Estes dados comprovam toda a propaganda governista de que a gestão petista é voltada para o lado social, e também comprovam o que seus partidários dizem da gestão anterior, e que hoje representa a oposição, de que o PSDB governa não pensando nos populares, no povo que “mora do outro lado da ponte”.

Enfim, gracejos à parte, de fato o levantamento mostra o sucesso da política petista no sentido social, pelo menos, por hora, com seus programas (alguns deles criados pela gestão tucana, que hoje faz campanha aberta contra os Bolsas Famílias da vida) dão resultado, diminuindo a desigualdade, fator sempre criticado pelos paladinos da ética e moralistas do país.

Este mesmo levantamento do índice de Gini aponta que a desigualdade caiu devido ao aumento de renda pela população menos afortunada, a tão falada ascensão de muitos para a classe média, e não pelo empobrecimento dos mais ricos – o que também diminuiria a desigualdade. Todas estas estatísticas vão contra a conversa de que o Brasil está em uma “crise imensa” e a supervalorização de problemas – apesar de perigosos e merecedores de cuidado, como a inflação. Conversa muito propagada pela classe média e alta reacionária, e uma das bandeiras da oposição brasileira.

Segundo o presidente do IPEA (procurado como fonte pela matéria citada no primeiro parágrafo), o Bolsa Família ajudou a diminuir a desigualdade em 38% do que seria, caso o programa não existisse. Nos últimos dez anos, o desemprego caiu de 13% para menos de 6%, pelo que indica o IBGE. Além disso, o rendimento per capita dos domicílios brasileiros aumentou 63% acima da inflação, nos anos 2000. Tudo isso serve como contraprova a quem diz que atualmente “se dá o peixe, mas não a vara de pescar”, já que os dados dizem que a oferta de emprego é dada, mas para quem ainda não conseguiu, uma ajuda pequena é dada – já que o máximo que se pode adquirir nos programas governamentais é cerca de R$ 200, o que não deixa ninguém rico e autossustentável.

Contudo, é possível notar pelo infográfico, colocado na matéria, que o Norte do país conta com várias cidades que sofreram com o aumento de desigualdade, ao contrário do resto do país. A região marcada pela Amazônia e pelo domínio de alguns “xerifões” que mandam e desmandam parece não receber muita atenção da gestão petista, podendo significar um aumento de poder dos coronéis daquela região. O histórico dessas pessoas fala por si e indica a dimensão desse problema.

Por fim, fica claro, também, um fenômeno interessante: muitas das pessoas que vão contra os programas sociais implantados pelo governo federal são novos integrantes da classe média que ascenderam a esta posição durante a última década, algo que muitos analistas colocam como um “medo de perder sua renda e posição para outros cidadãos que ascendem”. Vale esta reflexão.

A importância dos preços livres

Não é possível saber se eu devo produzir ou não produzir um determinado produto se eu desconheço as condições reais de oferta e demanda

Pedro Henrique Dias (@phdro)

Sempre antes de iniciar minhas discussões sobre economia com amigos comunistas, socialistas, sociais-democratas e adeptos de qualquer vertente do intervencionismo, faço questão de frisar um ponto crucial em relação à minha escolha de defender as ideias liberais. Como diz o grande mestre Ludwig von Mises, existe apenas uma coisa em que os liberais concordam plenamente com os socialistas: a necessidade de elevar o padrão de vida das pessoas, principalmente as mais pobres. Sempre procuro destacar que nossos fins são comuns (e isso é muito efetivo para diminuir a incidência do argumento ad hominem na conversa), de forma que nossa discordância se dá no tocante aos meios para chegarmos a esse objetivo. Feita essa observação, podemos prosseguir em nosso raciocínio e investigar as razões de as intervenções governamentais na economia serem tão maléficas à nossa meta de elevação do padrão de vida dos menos afortunados no aspecto de conforto material.

A pior coisa que alguém pode fazer para alcançar esse objetivo é interferir no sistema de preços livres. Por que os preços livres são tão importantes e determinantes para o sucesso e o progresso material dos seres humanos? Porque os preços são os principais sinais seguidos na tomada de decisão dos empreendedores. Não é possível saber se eu devo produzir ou não produzir um determinado produto se eu desconheço as condições reais de oferta e demanda para ele. Em outras palavras, não é possível fazer o cálculo econômico racional, que resulta na produção direcionada para as demandas dos consumidores. Sem saber o que os consumidores querem e a quantidade existente desse produto no mercado, fatalmente irei tomar minhas decisões “no escuro”, fazendo uma alocação errônea dos recursos escassos.

Para se ter uma ideia prática do impacto dessa variável no resultado final de bem-estar das pessoas, é a intervenção governamental nas taxas de juros (preço do dinheiro) que origina as crises e os ciclos econômicos. A determinação de taxas de juros pelo banco central em valores abaixo das taxas que seriam determinadas pelas relações de mercado (oferta de recursos poupados x demanda por recursos poupados) criam uma ilusão de que existem mais recursos poupados do que realmente existem, levando os empreendedores aos malinvestments, que desembocam nas subsequentes crises. São as intervenções governamentais no preço do dinheiro que causam as “crises do capitalismo de livre-mercado”. Sim, o desemprego desse monte de gente na Europa e nos Estados Unidos foi causado por uma aparentemente inocente intervenção num preço.

Socialismo e capitalismo são dois diferentes sistemas que objetivam promover a melhor alocação dos recursos escassos existentes em nosso mundo. Os preços livres sinalizam essa escassez. Preços são capazes de aglutinar as informações de oferta e demanda de um determinado bem ou serviço. Eles funcionam como uma votação, onde cada demandante/consumidor sinaliza sua disponibilidade em pagar por determinado produto e cada ofertante sinaliza o quanto deste produto está disponível para ser comercializado. A interação dessas duas informações gera o que chamamos de preços livres, que são a expressão plena da escassez do produto, ou seja, o quanto está disponível para ser ofertado e o quanto está sendo demandado.

Tendo em vista esse conceito de preços como sendo informações sobre a escassez, chegamos à conclusão de que ações governamentais que visam reduzir preços através de decretos não aumentam a oferta real de um bem ou serviço. O governo apenas mexe no sinal e não nas causas desse sinal. Ao contrário, medidas de congelamento de preços geram o efeito inverso ao esperado, que é a redução da oferta de bens e serviços. Isso sempre ocorrerá quando o preço tabelado pelo governo estiver abaixo dos custos para a produção do bem ou do serviço. A consequência do congelamento de preços no longo prazo é a redução do nível de vida das pessoas. Trata-se de um método baseado numa interpretação completamente errônea do funcionamento da economia.

Há uma frase do Hayek que resume perfeitamente o porquê de as intervenções governamentais em preços serem tão mal sucedidas: “Você não pode corrigir sinais que lhe informam sobre circunstâncias que você não conhece”. Governos e planejadores centrais são incapazes de saber melhor do que os preços quais são as condições de oferta e demanda de um determinado produto, porque os preços são exatamente as condições de oferta e demanda de um determinado produto. Se já existe um mecanismo que expressa da melhor forma possível a vontade das pessoas, não há necessidade de se criar substitutos para ele. A única forma de baixar preços e consequentemente tornar todos mais ricos é através da desobstrução da produção e da desburocratização da livre iniciativa. Isso vai criar uma maior oferta de bens e serviços e um melhor padrão de vida para todos, principalmente para os mais pobres.