Razão ou populismo

Responsabilidade fiscal não é questão de ideologia

populismo

Em certos acontecimentos é que vejo que foi DEUS que colocou aqueles 3,5 milhões de votos a mais para Dilma vencer a eleição. Já pensou o caos do Brasil com outro governo fazendo um ajuste fiscal até mais duro do que esse que a presidente Dilma Rousseff está fazendo com o PT na oposição? O exemplo claro está no Rio Grande do Sul.

José Ivo Sartori, governador gaúcho pelo PMDB, pegou um governo todo desequilibrado nas contas públicas, herança de outros governos, entre eles está o PT, e hoje vive um dilema entre fazer o que é certo e saudável para o estado ou cair no populismo deixando para outro governo os mesmos problemas fiscais preservando sua popularidade.

Melhor perder a oportunidade de ser reeleito e deixar um legado para história ou preservar a popularidade? Só o tempo para responder. O tempo responde todas as questões e dúvidas.

O populismo não é de esquerda nem de direita. A direita também faz populismo e existe governo de esquerda que sabe que não pode gastar mais do que arrecada. Responsabilidade fiscal não é questão de ideologia, é responsabilidade com o país, ou deveria ser assim. A esquerda culpa o ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy pelo desemprego crescente, mas ele é um técnico que recebe ordens. E o ajuste feito pelo governo brasileiro está longe do arrocho imposto pela troika à Grécia.

O governo Dilma é uma tragédia na área econômica e política

O governo Dilma é uma tragédia na área econômica e política

Em Entrevista para Folha de São Paulo, Dilma disse que vai lutar para defender seu mandato. “O que você quer que eu faça? Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo. Não me aterrorizam.”

Não desejo a queda da presidente Dilma. Dois presidentes depostos em pouco mais de vinte anos seria traumático por demais para a jovem democracia brasileira e justamente no momento de crise econômica. Também porque o PMDB concentraria muito poder em mãos, já controla o Congresso e controlaria o Planalto em caso de impeachment, o vice Michel Temer assumiria; em caso de cassação da chapa no TSE, Eduardo Cunha, que é presidente da Câmara e terceiro na linha sucessória, assumiria mesmo que temporariamente a presidência da República e convocaria novas eleições – cassação do presidente e do vice com menos da metade do mandato cumprido é realizada nova eleição de forma direta. Com mais da metade do mandato é realizada eleição indireta pelo Congresso. Mas essa coisa de “golpe” não faz sentido. O voto popular é soberano, ninguém vai discutir isso. Mas o voto popular não está acima das leis e da Constituição. Nada está acima da Constituição, diga-se.

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O governo Dilma é uma tragédia na área econômica e política. Lula deve estar arrependido de ter escolhido o nome de Dilma Rousseff. Tudo bem que os nomes para sucessão do ex-presidente foram caindo um por um por escândalos de corrupção. Primeiro José Dirceu e, depois, Antonio Palocci. Contudo, ainda tinha nomes com mais afinidade com Lula e o PT. Marina Silva e Marta Suplicy deixaram o partido porque Lula preteriu as duas com longa carreira política e identificadas com o PT para apostar em Dilma. Eduardo Suplicy é outro que sempre defendeu e defende o PT e não tem um reconhecimento nem de Lula muitos menos de Dilma.

Com o cenário político econômico social de 2010, o escolhido por Lula ganharia a eleição independente do nome escolhido. Tanto é verdade que Dilma Rousseff nunca havia disputado nada eleitoralmente e venceu um candidato com a experiência de várias eleições ganhas e perdidas como José Serra, inclusive uma eleição presidencial perdida para o próprio Lula. A diferença é que com Marina, Marta ou Suplicy ao invés de Dilma não seria uma experiência logo no cargo mais alto da República. A “gerentona” e “mãe do PAC” – Programa de Aceleração do Crescimento – na verdade foi um engano (ou engodo) de Lula. E o próprio Lula sabe que essa conta será cobrada dele, já está sendo cobrado, diga-se.

Menos ministérios

A presidente Dilma faz um ajuste fiscal para colocar a economia do país de volta aos trilhos do crescimento, o que provocou a ira de boa parte da esquerda e dos movimentos sociais tão importantes na sua vitória apertada em outubro passado. A população toda se pergunta por que fazer um ajuste fiscal cortando direitos trabalhistas e deixar intocável a máquina pública?

Com base nesse infográfico da Folha de S. Paulo, nota-se que até 1990 o Brasil tinha 12 ministérios. Fernando Collor aumentou para 14 ministros e Itamar Franco dobrou para 28. FHC cortou quatro ministérios, porém, entregou o governo com 26 ministros. Ainda assim, dois a menos quando assumiu o governo, aí veio Lula e um salto para 37 ministérios, um aumento de 42%. Dilma assumiu o governo e criou mais duas pastas chegando a 39 pastas.

Estado mínimo ou Estado máximo? Sou contra ambos. Com 20 ministérios não acho que seja Estado mínimo. Mas 40 ministérios é Estado máximo que só serve para cooptação de deputados e senadores para formar uma base aliada que não está adiantando muito.

Fiz um cálculo e é possível o governo federal cortar até 19 dos atuais 39 ministérios. Hoje é humanamente impossível você decorar o nome de todos os ministros. Com quase 40 ministérios o governo fica pesado, burocrata demais, ineficiente e aumentam as chances de corrupção. O PMDB que colocar em votação a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de autoria do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) que limitaria o número de ministérios a 20.

Para 84% de entrevistados pelo Datafolha, Dilma sabia da corrupção na Petrobras. Para 61%, ela sabia e deixou que ocorresse enquanto para 23%, ela sabia e não podia fazer nada. Nessa semana o mesmo Datafolha mostrou que a popularidade do governo caiu para 13%. Estou cada vez mais convencido que a presidente Dilma foi reeleita mais pela rejeição ao nome de Aécio Neves e ao PSDB. Porque não é possível que a população tenha votado nela mesmo achando que a presidente sabia o que acontecia na estatal.

Se Dilma tomar a iniciativa de fazer uma grande reforma administrativa antes do PMDB colocar essa PEC em votação calaria a oposição, mostraria a população que não só escutou, mas assimilou o pedido de mudança do povo e poderia recuperar sua popularidade ou pelo menos boa parte, o que daria a ela estabilidade para governar. E o Estado brasileiro ganharia em eficiência com menos ministérios.

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Os 20 ministérios:

  • Ministério da Economia (fusão dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Desenvolvimento)
  • Banco Central
  • Ministério do Esporte e Turismo
  • MEC volta a ser Ministério da Educação e Cultura
  • Saúde
  • Justiça
  • Agricultura (fusão dos ministérios da Agricultura e abastecimento, Reforma Agrária e Pesca)
  • Ministério do Trabalho e Previdência Social
  • Desenvolvimento Social
  • Comunicações
  • Minas e Energia
  • Relações exteriores
  • Ciência e Tecnologia
  • Meio Ambiente
  • Defesa
  • Integração Nacional
  • Casa Civil
  • Segurança Institucional da Presidência
  • Advogacia-Geral da União
  • Controladoria-Geral da União

Secretarias com status de mistérios não precisariam deixar de existir, mas perderiam esse status.

Previsões de economistas e realidade política costumam brigar

Fábio Piperno

Petistas e antipetistas se esgrimiram nos últimos dias por conta da carta enviada pelo Santander aos correntistas de maior renda, ou Select no jargão do banco. A mensagem oferecia aos clientes especiais análises econômicas que estariam atreladas ao cenário político. O estudo vinculava o eventual sucesso eleitoral da presidente Dilma à turbulência dos mercados.

Nada mais rotineiro. Os tais “agentes de mercado”  sempre agiram assim e desde que o voto tornou-se universal tentam, com meios mais ou menos sutis, influenciar o público. Defendem, é claro, interesses e visões de mundo próprias de um segmento. É a regra do jogo. Não pretendo discutir questões éticas envolvidas, nem a lógica que permeia esse tipo de iniciativa. Mas gosto de números.

Como tal, e para iniciar a discussão, não há como deixar de lembrar da emblemática entrevista do então presidente da Fiesp, Mario Amato. Confrontado com a ascensão do então temível petista Luiz Inácio Lula da Silva, perto do dia da eleição de 1989 profetizou que se o ex-sindicalista vencesse, no dia seguinte cerca de 800 mil empresários correriam do país rumo à Flórida.

Bem, a profecia de Amato em parte se cumpriu. Enriquecidos na última década, de inegável progresso social e econômico para o país, hordas de empresários e de simples investidores compraram o que puderam não apenas na ensolarada Flórida, como também em outras regiões dos Estados Unidos. O único equívoco do profético Amato é que jamais ocorreu o histérico êxodo dos endinheirados assustados com a heterodoxia petista. Muito pelo contrário. Ficaram e ganharam muito.

É claro que as previsões catastrofistas sobre a economia brasileira no ciclo petista não se circunscreveram aos antipetistas nativos. No exterior, o megainvestidor George Soros e o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, já fizeram das suas. O primeiro foi claro e direto. “Serra ou o caos”, profetizou em 2002. Não deu uma coisa, nem outra.

O último chegou a narrar suas desconfianças em relação ao lulopetismo no best-seller A Era da Turbulência (2007). No livro, admitiu que se enganou. Só que para quem confiou nele em 2002 e perdeu suas apostas, Inês estava morta e o dinheiro, perdido. Afinal, oráculo não aceita devolução!

Pouco antes da crise de 2008, momento antológico do capitalismo especulativo, legiões de “analistas” previam que o barril de petróleo “em breve” romperia a barreira dos US$ 200. A futurologia servia de deleite para xeiques, parasitas do mercado e titulares de ações da Petrobras, dona do novo “bilhete premiado” da praça, muito bem guardado na camada pré-sal.

Dar um simples Google na frase “petróleo a US$ 200” é tão didático, quanto divertido. Consultorias das mais diferentes pátrias (elas têm?), matizes e patrões, bancos como Goldman Sachs e HSBC, mais as corretoras e o presidente Hugo Chávez formaram uma inusitada aliança que apostava na disparada das cotações. Todos erraram e levaram para a bancarrota muitos dos que acreditaram nos seus dotes de Mãe Dinah das finanças. Afinal, o onipotente e onisciente Deus Mercado também não aceita devolução!

Bem, eis que então chegou o momento da mudança e, com ele, novas apostas. A atual condução econômica está com o prazo de validade vencido, como os mercados já atestam. Sim, porque há um efeito-gangorra entre os principais indicadores do mercado e a popularidade da presidente. Quanto pior, melhor e vice-versa. Quanto mais Dilma cai, mais o mercado reage para cima. É assim que o mercado reescreve e reinventa a Lei da Gravidade. Tome-se como prova o desempenho dos papeis da Vale. Quanto mais Dilma sobe, menor o valor de face. Nada mais cartesiano.

Mas alto lá! A Vale acaba de anunciar que o lucro no segundo trimestre de 2014 praticamente quadruplicou em relação a igual período de 2013. Saltou de R$ 832 milhões para R$ 3,18 bilhões. Portanto, não deve ser por acaso que nas últimas semanas os papeis da empresa registraram ganhos importantes após um período de grande desvalorização. E então, a alta deveu-se à queda da presidente nas pesquisas ou à notável recuperação dos lucros? E o Santander, o mesmo do começo do texto, anunciou resultado trimestral melhor em 5,35% do que nos três primeiros meses de 2013. Bem, uma provável valorização teria então mais relação com o lucro em alta ou com a Dilma em baixa?

Prefiro concordar com a revista Exame, que na capa da edição de 932, publicada em 27 de novembro de 2008, perguntava: “Para que servem os analistas?” E completava: “E os economistas? E os gurus da economia? A atual crise escancara nossa incompetência em fazer previsões – e a imprudência do mercado em acreditar nelas”.

Há poucos dias, importantes bancos e consultorias esfregaram suas bolas de cristal sobre o cenário eleitoral. Para a MCM, Dilma tem 60% de chances de perder. Na contramão, a Eurasia aposta que a presidente tenha 60% de possibilidades de reeleição. De cara, uma delas já errou feio. A Tendência atribui a Dilma favoritismo na base de 55% a 45%. A Nomura vai de Aécio por 70% a 30%. A disparidade mostra que alguns desses gurus estão descalibrados.

Bom, mas afinal, em qual deles acreditar? Ou ainda, como perguntou a Exame, para que servem os analistas? Você se atreve a acreditar neles? Aliás, recentemente a Goldman Sachs publicou seu estudo sobre Copa do Mundo. Até porque, oráculo que se preza faz previsão de tudo. De acordo com o trabalho, o Brasil tinha 48,5% de chances de ganhar o hexa. A Alemanha corria por fora, com meros 11,4%. Também nesse caso, o banco perdeu de goleada. Como no caso do petróleo a US$ 200, tomou um 7 x 1 da realidade!

O banco dos BRICS é, sim, uma boa!

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Desculpa aos amigos liberais, mas discordo da crítica ao banco recém-criado dos BRICS – grupo dos países em desenvolvimento composto por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul. A principal crítica é que o novo banco nada mais é do que uma continuação da política fiscal frouxa em um momento que os países apertam as finanças. A tal austeridade.

Não sou economista, mas vou tentar defender a ideia da criação do banco e, se meus argumentos forem frágeis demais, podem rebater eles com argumentos mais sólidos.

Não é que sou a favor da gastança, porém, não significa fechar todas as torneiras. Não é terminando de uma hora para outra com a política de consumo que a economia do mundo vai se recuperar, pelo contrário. Outra crítica é que o banco só está sendo criado porque os membros não têm influência no FMI – Fundo Monetário Internacional – e que o fundo cortou os “créditos fáceis”. Ora, juntamente por isso que a ideia de criar o banco é boa.

Chega desses países como Brasil e os outros membros dos BRICS irem ao FMI e se ajoelhar em troca de algumas migalhas. Chega do FMI ter o monopólio do dinheiro do mundo. Chega de o Dólar ser a única moeda oficial do mundo. Chega de monopólio na economia. O banco dos BRICS, bem administrado e sem desvios, pode ser o começo para derrubar o monopólio do FMI.