Próximo passo

Para muitos, um presidente da República precisa ter 50 diplomas, falar 25 idiomas, ser intelectual, ter estudado em Harvard, ser químico, dominar todas as ciências da matemática. Resumindo: precisa ser DOUTOR.

Essa pequena introdução é para deixar claro que não precisa de nada disso para ser um bom presidente da República. Com todos os problemas, com toda a corrupção (sim, petistas e lulistas, houve muita corrupção no governo Lula) em seu governo, Lula se saiu melhor no exercício da presidência do que o intelectual pertencente da Academia Brasileira de Letras, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. O retirante nordestino semianalfabeto e torneiro mecânico deixou um país melhor socialmente e com um PIB de 7,5% para seu sucessor, no caso a sucessora, do que o sociólogo FHC deixou para o próprio Lula em 2003.

“Mas a economia mundial estava favorável e no governo FHC eram crises atrás de crises”. Sim, mas no final do governo Lula houve uma crise que valeu por dez comparando com as crises econômicas da década de 1990. Com sua inteligência e astúcia (e um pouco de sorte) Lula conseguiu que a economia brasileira não sucumbisse a ela. Não foi só uma “marolinha”, mas o Brasil foi um dos últimos a entrar e um dos primeiros a sair e ter um crescimento de China. Outros irão dizer que o antídoto usado foi errado ou o sistema se esgotou. Acho que a segunda parte está correta. O modelo usado com sucesso para enfrentar a crise de 2008 pelo governo precisa de uma atualização.

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FHC ou Lula. PT ou PSDB. Tucanos acusam petistas de usurparem programas criados no governo tucano. Petistas acusam tucanos de entreguistas dos bens do país ao capital estrangeiro.  Nem um nem outro. O governo FHC criou vários programas que o governo Lula unificou gerando o programa Bolsa Família. Mas o governo FHC teve oportunidade de fazer um programa parecido e não o fez porque não quis. Para “não comprometer o Tesouro Nacional”. Discurso usado por alguns que são contra programas de assistência social. Esquecendo-se de que quem tem fome não pode esperar. Tem que ensinar a pescar, mas não pode deixar morrer de fome.

Nos últimos 20 anos o Brasil teve muitas conquistas (PSDB-PT), mas precisa avançar no que falta. Ou seja: melhorar os serviços públicos. Só que não vejo nem em Aécio nem em Campos essa mudança que tomou conta do brasileiro.  E isso se reflete nas pesquisas, muito bem colocado pelo jornalista Mauricio Puls em artigo publicado na Folha de São Paulo. O povo quer mudança, mas não sente nos atuais opositores a confiança necessária para apostar neles. É a velha máxima: não troco o certo pelo duvidoso. Trocar seis por meia-dúzia pra quê? O Brasil com o PSDB saiu dos tempos da hiperinflação. O Brasil com o PT avançou, sim. Com PSDB foi plantado as bases. Com o PT foi levantada a casa. Agora vem a terceira fase. Porém, não sei se Aécio Neves, Eduardo Campos e a própria presidente Dilma, ou outro nome, são capazes de ser o líder dessa terceira fase.

Entrevista: Matheus Leone

O Brasil Decide entrevista o mais jovem candidato a deputado federal nessas Eleições 2014, Matheus Leone. Matheus (@MatheusLeone45 – Blog do Matheus Leone) é estudante de Ciência Política na UnB (Universidade de Brasília-DF).

Por que você resolveu entrar para política e ser candidato a deputado federal?

Em 2010, com 16 anos, eu tirei meu título de eleitor e quis prontamente escolher um partido para militar. Fiz isso porque acreditava que o Brasil estava no rumo errado, com Mensalão, dossiês e outras coisas. Escolhi o PSDB e nele milito desde então. Ano passado, como milhares de brasileiros, fui às ruas em diversas manifestações contra a corrupção. No fim do ano alguns amigos me perguntaram se eu seria candidato e eu pensei “por que não?”. Acho que aqueles protestos de Junho de 2013 precisam de uma continuidade, e essa continuidade se dá nas urnas com a eleição de pessoas que sejam capazes de dialogar com a sociedade para bem representá-la.

Qual sua posição política – liberal, conservador, socialista ou socialdemocrata?

Eu sou um liberal social, o que significa dizer que prezo pelas liberdades individuais e pela autonomia do indivíduo sobre sua própria vida. Acredito também que o mercado é mais eficiente na geração de emprego e renda, que geram por sua vez o desenvolvimento de qualquer país. Regulações por parte do Estado são necessárias para evitar abusos do setor privado, mas a iniciativa privada deve ser a locomotiva do progresso econômico. Defendo programas de transferência de renda, mas não da forma como estão postos hoje. É necessário aplicar bem os impostos no que de fato é atribuição do Estado: Saúde, educação e segurança. Educação de qualidade deve vir aliada à transferência de renda para que as oportunidades individuais se expandam.

Se eleito, levantará alguma bandeira especial e qual?

Há algumas bandeiras que quero levantar no exercício do meu mandato. Dentre elas está uma mudança no currículo do Ensino Médio para flexibilizá-lo e permitir que os alunos direcionem para as áreas de seu interesse. Nosso currículo é arcaico, bem como nosso sistema educacional como um todo. É necessário também pensar em temas relativos à reforma política. Não dá mais pra manter o atual sistema de indicação para os tribunais de contas, e nem o nosso modelo eleitoral confuso e que deforma a representação. É possível lutar por essas questões com ética e honestidade.

Qual o principal problema do Brasil?

Sem dúvida o principal problema do Brasil é a qualidade dos serviços públicos, principalmente educação. Nenhum país no mundo conseguiu desenvolvimento econômico e humano sem uma educação de qualidade. O Brasil ainda rasteja nesse sentido. No governo FHC houve um importante passo que foi a universalização do ensino básico. O próximo passo seria o investimento para garantir a qualidade dessa educação, isso não foi feito. Infelizmente.

Qual deve ser a prioridade do novo governo?

Um novo governo (e espero que seja o do presidente Aécio) deve ter duas prioridades: Revolução educacional e melhoria do quadro econômico do país. Educação é a principal ferramenta de justiça social e depois de 8 anos de governo Aécio em Minas o estado hoje tem a melhor educação do país. No cenário econômico vemos o país caminhando para 7% de inflação e 1% de crescimento do PIB. Somado a isso temos uma carga tributária e carência de infraestrutura que estão tirando cada dia mais a competitividade das empresas e produtores brasileiros. Não dá mais pra continuar nesse caminho. É preciso mudar!

Tudo em família

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Marcus Rodrigues (@mvrodrigues)

Alguém aí se lembra desse senhor de laranja?

O nome dele é Leonardo Prudente. (Ex?) Membro da Sara Nossa Terra, aliado do então deputado federal Bispo Rodovalho e filiado ao antigo PFL (DEM), ele foi deputado distrital, presidente da Câmara Legislativa do DF e ganhou desprestígio nacional por dois vídeos:

1. Estava presente, junto com Durval Barbosa e Junior Brunelli, naquilo que ficou conhecido como a “oração da propina”.

2. Guardou dinheiro entregue por Durval Barbosa na meia.

Agora esse rapaz da foto, Rafael Prudente, filho dele, é candidato a deputado distrital. Rafael já gastou — vem mais aí! — 322 mil reais na campanha. Pra quem não está acostumado com os valores, é MUITO DINHEIRO! Para efeito de comparação, o então deputado distrital Reguffe, foi eleito para a Câmara Federal — cuja vitória demanda um número de votos várias vezes maior do que para a Câmara Legislativa — gastando R$ 120 mil na campanha inteira. Reguffe foi eleito com 18% dos votos válidos no DF, a maior proporção do país.

E de onde vem o dinheiro da campanha de Rafael Prudente? Dos 398 mil reais recebidos pelo candidato em doações, 90 mil vem da empresa 5 Estrelas Sistema de Segurança LTDA, 60 mil vem da 5 Estrelas Serviços de Apoio Administrativo e 100 mil vem de Leonardo Prudente.

Leonardo Prudente, o pai, é um dos sócios do Grupo 5 Estrelas, que inclui a 5 Estrelas Sistema de Segurança LTDA, doadora de campanha de Rafael Prudente, o filho, que também é sócio desta empresa, segundo sua declaração de bens ao TSE.

A 5 Estrelas Sistema de Segurança LTDA recebeu do Governo do Distrito Federal, entre 2009 e 2014, mais de 17 milhões de reais, por contratos firmados com a Novacap.

É bom lembrar que vice-governador do Distrito Federal é Tadeu Filippelli, presidente do PMDB-DF, partido pelo qual Rafael Prudente concorre nestas eleições. Nesta foto você pode ver os sorridentes Filippelli e Rafael Prudente, no lançamento de sua candidatura. Prudente pai, claro, também estava na festa. Está vestido com a camisa de cor laranja forte. Do outro lado, de óculos, Rôney Nemer, deputado distrital pelo PMDB, candidato a deputado federal e também envolvido na Caixa de Pandora. Ano passado, Nemer foi condenado, pela 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, a devolver dois milhões de reais aos cofres públicos por sua participação no esquema.

Previsões de economistas e realidade política costumam brigar

Fábio Piperno

Petistas e antipetistas se esgrimiram nos últimos dias por conta da carta enviada pelo Santander aos correntistas de maior renda, ou Select no jargão do banco. A mensagem oferecia aos clientes especiais análises econômicas que estariam atreladas ao cenário político. O estudo vinculava o eventual sucesso eleitoral da presidente Dilma à turbulência dos mercados.

Nada mais rotineiro. Os tais “agentes de mercado”  sempre agiram assim e desde que o voto tornou-se universal tentam, com meios mais ou menos sutis, influenciar o público. Defendem, é claro, interesses e visões de mundo próprias de um segmento. É a regra do jogo. Não pretendo discutir questões éticas envolvidas, nem a lógica que permeia esse tipo de iniciativa. Mas gosto de números.

Como tal, e para iniciar a discussão, não há como deixar de lembrar da emblemática entrevista do então presidente da Fiesp, Mario Amato. Confrontado com a ascensão do então temível petista Luiz Inácio Lula da Silva, perto do dia da eleição de 1989 profetizou que se o ex-sindicalista vencesse, no dia seguinte cerca de 800 mil empresários correriam do país rumo à Flórida.

Bem, a profecia de Amato em parte se cumpriu. Enriquecidos na última década, de inegável progresso social e econômico para o país, hordas de empresários e de simples investidores compraram o que puderam não apenas na ensolarada Flórida, como também em outras regiões dos Estados Unidos. O único equívoco do profético Amato é que jamais ocorreu o histérico êxodo dos endinheirados assustados com a heterodoxia petista. Muito pelo contrário. Ficaram e ganharam muito.

É claro que as previsões catastrofistas sobre a economia brasileira no ciclo petista não se circunscreveram aos antipetistas nativos. No exterior, o megainvestidor George Soros e o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, já fizeram das suas. O primeiro foi claro e direto. “Serra ou o caos”, profetizou em 2002. Não deu uma coisa, nem outra.

O último chegou a narrar suas desconfianças em relação ao lulopetismo no best-seller A Era da Turbulência (2007). No livro, admitiu que se enganou. Só que para quem confiou nele em 2002 e perdeu suas apostas, Inês estava morta e o dinheiro, perdido. Afinal, oráculo não aceita devolução!

Pouco antes da crise de 2008, momento antológico do capitalismo especulativo, legiões de “analistas” previam que o barril de petróleo “em breve” romperia a barreira dos US$ 200. A futurologia servia de deleite para xeiques, parasitas do mercado e titulares de ações da Petrobras, dona do novo “bilhete premiado” da praça, muito bem guardado na camada pré-sal.

Dar um simples Google na frase “petróleo a US$ 200” é tão didático, quanto divertido. Consultorias das mais diferentes pátrias (elas têm?), matizes e patrões, bancos como Goldman Sachs e HSBC, mais as corretoras e o presidente Hugo Chávez formaram uma inusitada aliança que apostava na disparada das cotações. Todos erraram e levaram para a bancarrota muitos dos que acreditaram nos seus dotes de Mãe Dinah das finanças. Afinal, o onipotente e onisciente Deus Mercado também não aceita devolução!

Bem, eis que então chegou o momento da mudança e, com ele, novas apostas. A atual condução econômica está com o prazo de validade vencido, como os mercados já atestam. Sim, porque há um efeito-gangorra entre os principais indicadores do mercado e a popularidade da presidente. Quanto pior, melhor e vice-versa. Quanto mais Dilma cai, mais o mercado reage para cima. É assim que o mercado reescreve e reinventa a Lei da Gravidade. Tome-se como prova o desempenho dos papeis da Vale. Quanto mais Dilma sobe, menor o valor de face. Nada mais cartesiano.

Mas alto lá! A Vale acaba de anunciar que o lucro no segundo trimestre de 2014 praticamente quadruplicou em relação a igual período de 2013. Saltou de R$ 832 milhões para R$ 3,18 bilhões. Portanto, não deve ser por acaso que nas últimas semanas os papeis da empresa registraram ganhos importantes após um período de grande desvalorização. E então, a alta deveu-se à queda da presidente nas pesquisas ou à notável recuperação dos lucros? E o Santander, o mesmo do começo do texto, anunciou resultado trimestral melhor em 5,35% do que nos três primeiros meses de 2013. Bem, uma provável valorização teria então mais relação com o lucro em alta ou com a Dilma em baixa?

Prefiro concordar com a revista Exame, que na capa da edição de 932, publicada em 27 de novembro de 2008, perguntava: “Para que servem os analistas?” E completava: “E os economistas? E os gurus da economia? A atual crise escancara nossa incompetência em fazer previsões – e a imprudência do mercado em acreditar nelas”.

Há poucos dias, importantes bancos e consultorias esfregaram suas bolas de cristal sobre o cenário eleitoral. Para a MCM, Dilma tem 60% de chances de perder. Na contramão, a Eurasia aposta que a presidente tenha 60% de possibilidades de reeleição. De cara, uma delas já errou feio. A Tendência atribui a Dilma favoritismo na base de 55% a 45%. A Nomura vai de Aécio por 70% a 30%. A disparidade mostra que alguns desses gurus estão descalibrados.

Bom, mas afinal, em qual deles acreditar? Ou ainda, como perguntou a Exame, para que servem os analistas? Você se atreve a acreditar neles? Aliás, recentemente a Goldman Sachs publicou seu estudo sobre Copa do Mundo. Até porque, oráculo que se preza faz previsão de tudo. De acordo com o trabalho, o Brasil tinha 48,5% de chances de ganhar o hexa. A Alemanha corria por fora, com meros 11,4%. Também nesse caso, o banco perdeu de goleada. Como no caso do petróleo a US$ 200, tomou um 7 x 1 da realidade!

Às favas os escrúpulos

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A primeira pesquisa Ibope para o GDF (governo de Brasília) revelou que o ex-governador José Roberto Arruda está na liderança até com certa folga de distância para o atual governador Agnelo Queiroz (PT) e para o terceiro colocado, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB). Os números conferem a José Roberto Arruda (PR) 32%, Agnelo Queiroz (PT), 17%, e Rodrigo Rollemberg (PSB), 15%. Para quem não se lembra, Arruda foi filmado colocando no bolso dinheiro do esquema conhecido como “o mensalão do DEM” – Na época Arruda era do Democratas – em novembro de 2009. Foi preso e teve seu mandato cassado posteriormente pela Câmara Distrital.

A trajetória de Arruda é conhecida pelos escândalos políticos. Em 2001, reconheceu publicamente que violou o painel eletrônico do Senado Federal. Renunciou para não ser cassado. Pediu “perdão” à população de Brasília e foi eleito governador do GDF com uma votação expressiva em 2006. Até ser derrubado pelo escândalo, era considerado um dos melhores governadores do país e cogitado para vice-presidente na chapa do candidato José Serra em 2010.

Rodrigo Janot, Procurado-geral da República, já disse que não vai deixá-lo assumir caso seja novamente eleito. Arruda diz que o PT tem medo de perder para ele e completa dizendo que pedirá voto para o candidato a presidente Aécio Neves (PSDB). Aécio, por sua vez, quer distância de Arruda e lançou um candidato azarão no DF, o deputado Luiz Pitiman (PSDB) que ficou com 6% na pesquisa Ibope.

Vejo esses 32% de intenções de voto como algo pior para a democracia do que simplesmente a candidatura de Arruda. Se a justiça decidir que ele pode ser candidato mesmo com seu passado, paciência. Decisão da justiça não se discute, se cumpre. Em um Estado de Direito, fatos assim podem ocorrer. O mais grave é a população do DF eleger alguém mesmo sabendo de tudo o que aconteceu e do próprio ser reincidente em práticas ilegais na vida pública.