Não existe amor em SP?

Aecio-Neves-FH

Kaio Esteves

Fica um pouco difícil de compreender a real estratégia que o PSDB está adotando para aumentar o potencial político do presidenciável e senador Aécio Neves. Aécio, em agosto do ano passado, iniciou sua agenda política no estado de SP, maior colégio eleitoral do país, mas parece não receber o apoio necessário do governador do Estado e tucano Geraldo Alckmin.

Durante as visitas nas cidades médias do interior do estado, o governador não acompanhou Aécio em sua maioria. Há 20 dias, o governador esteve em Araçatuba e foi recepcionado apenas pelo deputado estadual Dilador Borges e, num evento tucano realizado numa cervejaria da cidade, encontrou-se com Aloysio Nunes e outros membros do partido.

A ausência de Alckmin tem sido alvo de críticas internas de alguns tucanos que apoiam Aécio. Membros do partido afirmam que a montagem paralela de outra estrutura de governo pode ser algo prejudicial ao PSDB há poucos meses das eleições.

Inicialmente, Alckmin preferiu não acompanhar Aécio nos encontros para não se comprometer com José Serra, que ainda pleiteava uma vaga para concorrer à presidência pelo partido. Porém, mesmo após Serra ter desistido de se candidatar, o governador não parece ter feito esforços para engajar apoio ao senador.

Nas visitas de Aécio, a crítica ao atual governo são parte da pauta, naturalmente, além da sequência de argumentos onde o senador cita a desvalorização da Petrobras após o PT assumir o governo federal. Segundo ele, a petrolífera perdeu 55% de seu valor durante o governo Dilma.

Enquanto isso, a aprovação de Dilma manteve os mesmos percentuais de novembro do ano passado, segundo a Datafolha. A preocupação em evitar protestos durante a Copa do Mundo, em junho, e em tentar remendar as feridas que a economia sofreu nos últimos meses têm feito os dias da presidenta mais difíceis.

Ainda assim, mesmo com a queda nas últimas pesquisas, a clara divisão nas intenções de voto entre Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) colocam a presidenta como a favorita em outubro.

Aécio tenta convencer um eleitorado que pouco conhece suas ideias e projetos, enquanto Eduardo Campos aposta no sucesso durante a colheita dos votos dos “marineiros”.

Kaio Esteves é jornalista em Araçatuba. Atua como repórter do jornal O Liberal Regional e é colaborador na Folha de S. Paulo

Articulações 2014

chargem

O ano ainda está nos seus primeiros dias e a política nacional já ferve. Articulações em todos os partidos para as convenções partidárias que indicarão os candidatos e as respectivas alianças para a campanha eleitoral de 2014.

Situação

O clima é pesado entre PT e PMDB. A relação dos dois principais partidos da situação balança e pode separar os dois. O PMDB quer aumentar sua participação no governo, e quer que esse aumento se manifeste com mais cargos relevantes, só que o governo tem outros partidos para “agradar” na reforma ministerial. Como o PSD, de Gilberto Kassab; o PROS, do governador do Ceará Cid Gomes, que deixou o PSB para apoiar Dilma Rousseff; o PTB; e outros. E não tem cargos para todos. A não ser que o governo inche ainda mais a máquina pública criando novas pastas ministeriais, algo impensável em um momento que o governo procura economizar para a inflação não desgarrar da meta  e recuperar a confiança perdida de empresários, economistas e investidores, mundo afora.

Atrelado a isso, há a disputa em ebulição no Rio de Janeiro, onde o PT não abre mão de lançar o senador Lindbergh Farias como candidato ao governo. O partido já até decidiu deixar as secretarias e cargos que ocupa no governo Sergio Cabral, a partir do dia 28 de fevereiro, fazendo com que o próprio governador optasse por antecipar seu desligamento das atividades de liderança máxima do estado fluminense para dar mais visibilidade a seu candidato, bem como ter caminho livre para concorrer ao senado federal, como projetado. O PMDB condiciona o apoio do partido à reeleição de Dilma ao contraponto petista na situação do vice-governador Luiz Fernando Pezão, num claro caso de “quid pro quo”, além do já referido desejo de mais participação em Brasília.

Não é apenas no Rio, porém, que PT e PMDB têm dificuldades de encontrar um denominador comum. No Ceará, também existe racha, embora não diretamente entre estes dois partidos. Por lá, a direção do PT tenta manter a aliança vitoriosa que se sustenta desde 2006 com PMDB e o grupo político de Ciro e Cid Gomes. O senador Eunicio Oliveira (PMDB) não abre mão de ser candidato ao governo do Estado e garante que concorrerá com ou sem apoio petista. Inclusive, já admite disputar governo em aliança com Tasso Jereissati (PSDB), ex-governador e aposentado político que deve se candidatar ao senado a pedido de Aécio Neves, já que o presidenciável considera fundamental ter um palanque de destaque no Estado.

Oposição

Do outro lado também há muita indefinição. O PSDB ainda não fechou qualquer aliança oficialmente e parece não se incomodar, já que o Aécio diz aos quatro cantos que ainda é cedo para fechá-las. Na dobradinha PSB/REDE, há um racha claro entre os grupos de Eduardo Campos e Marina Silva. Campos quer que Marina seja sua vice, mas para isso ela quer que o PSB tenha candidato ao governo de São Paulo e não apoie a reeleição do governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

Fora isso, se as pesquisas continuarem com Marina na frente de Aécio e bem à frente de Campos, o panorama pode mudar com Marina sendo lançada como a candidata do PSB, o que mudaria o cenário da corrida ao Planalto 2014. Só que Eduardo Campos não está disposto a abrir mão de seu lugar na disputa, e, dizem seus correligionários, a candidatura do presidente nacional do partido ao planalto é sem volta, ainda que os números do governador de Pernambuco não aumentem nas pesquisas.

Segundo alguns analistas políticos, o objetivo de Eduardo Campos não é ganhar já em 2014, mas consolidar seu nome nacionalmente para 2018.

No PSOL, Luciana Genro, do próprio partido, foi convidada para ser a vice na chapa que tem o senador pelo estado do Amapá, Randolfe Rodrigues, como candidato a presidência.

Como se vê, a política ferve, mas com muitas indefinições. Só a partir de março começarão a se definir os caminhos para a campanha que começa em julho. Até lá, muitas especulações e jogos políticos – ou chantagens políticas -, por cargos em governos atuais e futuros, ainda passarão por debaixo da ponte chamada Eleições 2014.