
A campanha presidencial do senador Flavio Bolsonaro (PL) já é histórica antes da campanha eleitoral começar. Nunca uma candidatura a presidente da República foi bagunçada como a dele e cheia de problemas.
Os problemas estão dentro da campanha, incluindo a família, que vem de disputa por liderança e escândalos, como o epicentro que vem do Rio de Janeiro, que é o berço do bolsonarismo.
O Rio de Janeiro é simbólico. O estado foi saqueado pela quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral. Wilson Witzel surpreendeu ao vencer a eleição de 2018, um ex-juiz com a bandeira anticorrupção e para moralizar. Só que o governador brigou com o então presidente Jair Bolsonaro por causa das ações na pandemia e por Witzel já vislumbrando a cadeira de presidente.
Bolsonaro cavou a cova política do Witzel após suspeitas de desvio de recursos que seria para a pandemia com o seu impeachment na ALERJ em acordo com o vice-governador Cláudio Castro, que emergiu ao poder e foi reeleito em 2022. O problema é que o grupo que assumiu o poder no RJ tem figuras que são caso de polícia, inclusive o próprio Castro. É pior que a quadrilha do Cabral.
O novo escândalo é nada menos com o presidente nacional do PL, o senhor Valdemar Costa Neto, um senhor probo que tem uma condenaçãozinha e cumpriu pena de prisão por corrupção, veja só, no mensalão do PT. Valdemar simplesmente indicava emendas parlamentares sem ser parlamentar, uma monta de quase R$ 120 milhões. Bolsonaro entrou no PL e fez dele o maior partido por não ter conseguido criar o seu partido. Desesperado, abraçou o sujeito que ajudou Lula a vencer a eleição depois de 3 derrotas.
Defendia as emendas parlamentares que já eram alvo de críticas porque são importantes para cidades médias e pequenas (algumas não sobrevivem sem), mas a partir de Eduardo Cunha, a consolidação por Arthur Lira e Davi Alcolumbre, viraram caixa paralelo de campanhas políticas nas mãos de poucos para manutenção de poder e enriquecimento ilícito de alguns. Desvirtua eleições e o funcionamento regular do sistema presidencialista.
Lula na campanha prometeu mudar isso, mas no governo optou por acomodar interesses. Tem que acabar com as emendas parlamentares urgentemente ou mudar o seu funcionamento. Só que quem pode mudar usufrui e tira proveito das emendas. E a Constituição de 1988 é parlamentarista. É um nó difícil de desatar. Diria impossível.


