Daniel Coelho: “Não podemos generalizar”

O deputado Daniel Coelho (Cidadania/PE) muito solicito com este blog deu uma breve entrevista sobre alguns assuntos na ordem do dia do país.

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A reforma da Previdência passa na Câmara com as mudanças propostas por partidos que tem 90% dos votos necessários para ser aprovada no plenário?

Pode ser aprovada, mas isso depende muito do convencimento da sociedade. Dizer que não precisa convencer o povo, que é só Congresso, é um erro. Todos lutamos para que o Congresso represente a sociedade, os deputados foram eleitos pelo povo, é natural que a opinião de suas bases influenciem no voto. Estamos trabalhando para conscientizar as pessoas da importância da reforma.

Sabe o que realmente deixou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, revoltado com o governo, foi só os ataques na rede bolsonaristas ou teve algo mais?

Maia tem compromisso com a reforma. Não posso responder por ele, mas sei que é ruim para o Brasil essa briga. Espero este episódio esteja superado.

Como avalia a falta de articulação política do governo Jair Bolsonaro?

Temos que abandonar a velha política. As velhas formas de articular com o toma lá, dá cá. Mas, de forma republicana é possível dialogar, convencer, prestigiar quem defende a reforma com palavras de apoio. Parar de criar conflitos que não constroem nada também faz parte. Temos que buscar soluções para o país.

O que o governo poderia fazer para melhorar a relação com o Congresso sem que o presidente quebre a promessa de campanha de não seguir o modelo tradicional, tem outro modelo?

Ir às ruas, igrejas, universidades, ocupar os espaços na imprensa e rede social defendendo o projeto. Se algum partido ou parlamentar fizer pedidos indecentes, denuncie, mas diga quem foi. Não podemos generalizar. Quando alguém apoiar, elogie. Nunca vi o presidente elogiar e reconhecer o trabalho de alguém que não seja do PSL, por defender a reforma. Nós do Cidadania não queremos cargo, nem vantagens e apoiamos a reforma. O que recebemos em troca foram ataques nas redes sociais vindo de parlamentares do PSL. Não muda nossa opinião, mas claro, não ajuda.

A criminalização da política pelo Judiciário, pelo atual governo, prejudica a democracia representativa?

Os poderes tem que funcionar de forma respeitosa e harmônica. Há erros, corrupção e coisas erradas em todos eles. O caminho para pacificar, é fazer críticas sem generalizar. Claro, respeitar a constituição.

Reforma da Previdência ou caos

A Reforma da Previdência é uma ameaça a um privilégio de uma casta

Por que somos a favor da Reforma da Previdência? Sem a Reforma da Previdência, o Brasil caminha para a falência total porque os constituintes de 1988 só sabiam a existência da palavra “direitos” e pensavam que a conta nunca chegaria. Sem uma mínima reforma previdenciária, o Brasil vai passar pelo que Portugal e Grécia viveram. Será um caos muito maior do que nos últimos anos.

É agora ou nunca. Se não aprovar nada o próximo presidente vai ter que voltar ao tema em dose muito mais amarga ou é falência total da Previdência e o Estado vai junto. Não tem escolha. É o futuro do Brasil em jogo. A reforma não é do atual governo. Fazer cálculo político e votar contra a reforma por ser impopular é jogar contra o país.

Quem fala que a reforma corta direitos não viu nada. Sem reforma agora, que é instituir uma regra mais realista para aposentadorias futuras, não mexe com quem está para se aposentar e quem já se aposentou, aí que vai ter cortes em aposentadorias atuais, cortes em salários de servidores, na educação, segurança, saúde, o investimento público vai cair ainda mais, vai ter aumento de impostos para compensar e fechar buracos no orçamento provocados pela Previdência. Consequentemente o crescimento vai ser puxado para baixo, a inflação vai voltar, desemprego parar de cair.

A Reforma da Previdência é uma ameaça a um privilégio de uma casta, o Judiciário. Explica as ações para desestabilizar e até tentativas de derrubar o atual governo.

A PEC em que mexe na regra do regime de previdência pública não mexe com os mais pobres, como a oposição tenta disseminar na opinião pública. Como está na emenda aglutinativa, se a reforma for a aprovada afetará menos de 10% da população e no topo da pirâmide social. A reforma é necessária justamente para evitar cortes nas atuais aposentadorias e garantir as futuras.

Uma das falácias de quem não acredita no déficit da Previdência é a muleta das dívidas das empresas. Só que não é em um passe de mágica que o governo recebe esse dinheiro, tem todo um trâmite judicial e burocrático. Mesmo assim, não cobriria o déficit. Outra falácia dita por quem diz que não há déficit na Previdência é a Desvinculação das Receitas da União. Mesmo com a DRU e contando com todos os tributos do sistema de seguridade social, o déficit previdenciário ainda seria enorme. E a reforma não mexe com os trabalhadores rurais nem com o BPC – Benefício de Prestação Continuada.

Dizer que a reforma é contra os pobres e negar que há déficit na Previdência são apenas falácias de quem só enxerga os direitos e ignora os deveres. Quem acha que o Estado deve abraçar tudo e todos sem se importar de onde sai o dinheiro para financiar. Quem acha que a conta nunca vai chegar após a gastança descontrolada. A Reforma da Previdência é urgente. Se empurrar para o próximo governo, vai ter que ser elaborada uma outra reforma e essa, sim, bem amarga. Se ficar postergando é que vai precisar cortar direitos de verdade.

Enfim, sem reforma é o caos, as trevas. É por isso que somos a favor da Reforma da Previdência.

Greve geral vira vandalismo

Impedir o trabalhador de trabalhar para seu sustento não atinge o patrão e o governo, mas atinge justamente quem eles dizem defender, o trabalhador

A greve geral organizada por sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos contra reformas trabalhista e da Previdência se transformou em vandalismo. Grevistas fechando vias e até agredindo fisicamente quem não aderiu à greve. Pior: queimando ônibus (foto/Rio de Janeiro).

Protestar e fazer greve dentro do que diz a lei, respeitando percentuais mínimos para não interromper serviços públicos essenciais, são direitos assegurados na Constituição. Pode protestar, se manifestar, mas vandalismo e incitação à desordem, ameaças e agressões são crimes.

Manifestações que levaram milhões para ruas pelo impeachment, entre 2015 e 2016, aconteceram sem que se registrasse um incidente mais grave.

Greve é ficar em casa e não ir ao trabalho. Já impedir os outros de trabalhar, é coerção. Fazer coerção para aumentar amplitude da greve faz a população ficar contra a greve, inclusive quem é a favor da causa. Impedir o trabalhador de trabalhar para seu sustento não atinge o patrão e o governo, mas atinge justamente quem eles dizem defender, o trabalhador, os mais pobres.

Sobre o mérito da greve, sou contra. A reforma da Previdência não é por gosto. É por necessidade. É a reforma ou aumento de imposto para não faltar dinheiro para os aposentados de hoje e de amanhã. Se a dívida pública não for controlada com cortes de gastos ou aumento de impostos será com inflação, o inimigo dos pobres. E as mudanças feitas na proposta original deixaram a reforma menos amarga.

A reforma trabalhista também é necessária para quebrar a rigidez absurda no contrato de trabalho sob guarida de uma lei de 1943 (CLT), de uma lei inspirada no fascismo de Mussolini. Desemprego no primeiro trimestre de 2017 atingiu 13,7%, são mais de 14 milhões de desempregados e a flexibilização da lei trabalhista pode amenizar esse drama causado pela tragédia que foi o governo de Dilma Rousseff.

Se as reformas retirassem diretos, eu seria contra.