
A greve geral organizada por sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos contra reformas trabalhista e da Previdência se transformou em vandalismo. Grevistas fechando vias e até agredindo fisicamente quem não aderiu à greve. Pior: queimando ônibus (foto/Rio de Janeiro).
Protestar e fazer greve dentro do que diz a lei, respeitando percentuais mínimos para não interromper serviços públicos essenciais, são direitos assegurados na Constituição. Pode protestar, se manifestar, mas vandalismo e incitação à desordem, ameaças e agressões são crimes.
Manifestações que levaram milhões para ruas pelo impeachment, entre 2015 e 2016, aconteceram sem que se registrasse um incidente mais grave.
Greve é ficar em casa e não ir ao trabalho. Já impedir os outros de trabalhar, é coerção. Fazer coerção para aumentar amplitude da greve faz a população ficar contra a greve, inclusive quem é a favor da causa. Impedir o trabalhador de trabalhar para seu sustento não atinge o patrão e o governo, mas atinge justamente quem eles dizem defender, o trabalhador, os mais pobres.
Sobre o mérito da greve, sou contra. A reforma da Previdência não é por gosto. É por necessidade. É a reforma ou aumento de imposto para não faltar dinheiro para os aposentados de hoje e de amanhã. Se a dívida pública não for controlada com cortes de gastos ou aumento de impostos será com inflação, o inimigo dos pobres. E as mudanças feitas na proposta original deixaram a reforma menos amarga.
A reforma trabalhista também é necessária para quebrar a rigidez absurda no contrato de trabalho sob guarida de uma lei de 1943 (CLT), de uma lei inspirada no fascismo de Mussolini. Desemprego no primeiro trimestre de 2017 atingiu 13,7%, são mais de 14 milhões de desempregados e a flexibilização da lei trabalhista pode amenizar esse drama causado pela tragédia que foi o governo de Dilma Rousseff.
Se as reformas retirassem diretos, eu seria contra.
