O discurso divisivo de Zema

A direita tem que aprender a fazer Nordeste votar nela

Cartaz da campanha eleitoral de 2022 mostrando voto Zema-Lula

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, concedeu entrevista ao jornal Estado de S.Paulo. Na entrevista Zema disse que quer unir o bloco da direita e também disse que quer uma frente Sul-Sudeste para se opor ao Nordeste.

No lugar de atrair o Nordeste querem isolar e afastar a região das decisões de poder. Os sulistas culpam os nordestinos pelas eleições vitoriosas petistas. Sem levar em conta que, se o Nordeste dá proporcionalmente mais votos ao PT, o Sudeste dá mais votos totais.

Tem textos meus neste blog tentando mostrar porque o nordestino é grato pelas administrações petistas. A região foi abandonada por governos durante anos e foram nos governos petistas que a região teve o mínimo para sua sobrevivência e desenvolvimento.

Não é incentivando mesmo que sem querer a secessão entre as regiões do país que a dita direita vai cativar e ganhar o voto dos nordestinos. É mostrando resultado e menos preconceito. Ganhar mentes e corações.

Elitismo e preconceito do partido NOVO

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), foi, no mínimo, infeliz em pronunciamento no evento do Consórcio das regiões Sul e Sudeste. Foi uma declaração cheia de preconceito contra as outras regiões do país, principalmente para o Norte e Nordeste.

O que disse o Zema: “Se há estados que podem contribuir para o país dar certo, são os sete (das regiões Sul e Sudeste). (…) Eles têm uma proporção muito maior de gente trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial”

Zema e o partido NOVO sofrem de um elitismo que prejudica o partido em eleições. Por exemplo o candidato do NOVO a presidente, Felipe d’avila, teve menos de 1% dos votos e o partido viu sua bancada na Câmara dos Deputados encolher de 8 para apenas 3 deputados prejudicando assim o partido na cláusula de barreira.

Além de preconceituosa, passou uma informação enganosa. O Pedro Fernando Nery (no Twitter você o encontra no @pfnery) rebateu o governador mineiro.

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“Isso é um mito. Quem está no Bolsa Família trabalha ou quer trabalhar. O recebimento não impede ocupação. 70% dos beneficiários estão na força de trabalho. Desses, 80% têm uma ocupação. A maior parte trabalha por conta-própria ou é empregado informal. O que de fato é minoria é o emprego com carteira assinada. Este argumento parte das reportagens que comparam número de Bolsa Família com número de empregos formais. É uma confusão: eles não são excludentes, e nem emprego formal é a única forma de ocupação. Para o Brasil e outros países, a evidência de que benefício e emprego são excludentes não está colocada, como mostra o Banco Mundial. Um estudo de 2020 do FMI mostra que o Bolsa Família tem efeitos positivos na oferta de trabalho, especialmente entre os jovens. O benefício pode mais pobres a superar obstáculos na busca por emprego, como a falta de recursos para preparar um currículo ou pagar passagem. Tem também o efeito positivo no bem-estar psicológico dos beneficiários, segundo a literatura. A escassez de recursos afeta negativamente o processo de tomada de decisões, perpetuando o ciclo de pobreza. O benefício reduz estresse diário e permite uma organização melhor da vida. O Bolsa Família frequentemente é um complemento de renda, principalmente para famílias envolvidas no mercado informal. De fato, há – apenas bem recentemente – uma queda na taxa de participação no Brasil, mas que parece ter mais a ver com o valor único de R$ 600 estabelecido em 2022 – que começa a ser corrigido com a MP aprovada essa semana. Importante mencionar ainda que as regras do programa permitem a formação de filas, o que resulta em atrasos nos pagamentos, mesmo para famílias que já tiveram seu direito ao benefício reconhecido. Essa incerteza pode levar as pessoas a recusarem oportunidades de emprego. O Congresso aprovou o fim das filas em 2021. O então Presidente vetou. Na verdade, a maior parte do gasto social com benefícios no Brasil é exatamente nos 7 Estados (do Sul e Sudeste (parênteses nosso)). Por conta da Previdência, inclusive o decorrente de aposentadorias que ocorreram sem idade mínima para pessoas em idade ativa. No Norte e Nordeste, as pessoas tipicamente pedem aposentadorias depois. (Por conta das regras de tempo de contribuição serem mais difíceis de cumprir naquelas economias)”

NOVO X VELHO

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Toda vez que vejo os críticos do governador Romeu Zema (NOVO/MG) por vender avião, carros, helicópteros do estado, fico pensando que esse pessoal prefere o governador que constrói aeroporto na fazenda da família e desfruta do avião de propriedade do estado para viagens pessoais, como acontecia há não muito tempo.

Obviamente que vender o avião, carros, não pendurar o retrato do governador nas repartições públicas, não morar em palácio, nada disso gera uma grande economia, mas é importante pelo valor simbólico. A mudança de mentalidade gera um exemplo incalculável para substituir o velho patrimonialismo por uma verdadeira República.

Mas o que incomoda nesses críticos é omitir que as críticas ao atual governo de Minas Gerais é por questões partidárias e de visões de mundo. Gosto e preferência política não se discute, mas deixe isso claro na sua crítica e não finja que ela é apartidária, sem viés ideológico.

Zema pegou um estado comparado com países europeus no pós-guerra da década de 1940 e nos primeiros dias de governo veio o desastre criminoso da Vale, em Brumadinho, para piorar a situação já caótica herdada de PT e PSDB. Mesmo assim, em 100 dias de governo, Zema já encaminhou muita coisa. Os críticos o acusam de ser “marqueteiro”.

Será que para esse pessoal gerar empregos também é marquetagem? Fica a pergunta no ar. Mande cartas para a redação.