Que feio, Celina

De vez em quando aparece um ser destinando preconceito contra um grupo da sociedade por causa do voto dele. Acusando pessoas a não saber votar por ser menos escolarizadas e instruídas, o alvo principal são os nordestinos.

O ser da vez é a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que resolveu culpar os não instruídos pela derrota do seu candidato na última eleição presidencial afirmando que o PT só tem voto em estados com pessoas mal informadas. Não é a primeira nem será a última.

Além de culpar os eleitores pelo fracasso do seu grupo político ainda erra. Apenas um exemplo: na maior cidade do país quem venceu em 2022 foi Lula, que por acaso vem a ser do PT.

A governadora da capital federal acha que a população de São Paulo é formada na sua maioria por pessoas ignorantes? É mais fácil culpar algo ou alguém do que fazer autocrítica e corrigir seus erros.

O preconceito contra Erika Hilton

A escolha de Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a comissão dos direitos das mulheres da Câmara dos Deputados provocou indignação e protestos do campo conservador. Se está dentro das regras da Câmara, segue o jogo. Ser contra por questão moral é preconceito.

O ápice dos protestos foi do apresentador/empresário/latifundiário Carlos Massa comentando a notícia em seu programa no SBT. Ratinho vociferou um monte de clichês, desinformação e preconceito contra a deputada.

A presidência da Comissão das Mulheres. A mulher trans. Eu não achei muito justo, não, com tanta mulher.

Por que vai dar pra uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela é trans. Não tem nada contra a trans.

Mas se tem outras mulheres, a mulher mesmo. Porque mulher pra ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito todo mundo que… É a Comissão lá dos Direitos da Defesa dos Direitos da Mulher. Eu respeito todo mundo que tem comportamento diferente. Tá tudo certo. Pra mim tá tudo certo.

Agora, mulher, pra ser mulher, tem que ter útero.

Hilton acionou a PGR contra o apresentador pedindo a sua prisão por transfobia. Lembrando que homofobia e transfobia foram equiparados ao crime de racismo em 2019.

Se a pessoa nasceu com um sexo e ao se descobrir passou a se enxergar com o sexo oposto de livre e espontânea vontade, ninguém tem nada com isso. Pode não gostar, achar absurdo, mas é obrigado a respeitar e nunca incitar, principalmente quem tem algum tipo de poder estatal ou comunicacional, pessoas contra indivíduos por sua sexualidade.

Elitismo e preconceito do partido NOVO

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), foi, no mínimo, infeliz em pronunciamento no evento do Consórcio das regiões Sul e Sudeste. Foi uma declaração cheia de preconceito contra as outras regiões do país, principalmente para o Norte e Nordeste.

O que disse o Zema: “Se há estados que podem contribuir para o país dar certo, são os sete (das regiões Sul e Sudeste). (…) Eles têm uma proporção muito maior de gente trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial”

Zema e o partido NOVO sofrem de um elitismo que prejudica o partido em eleições. Por exemplo o candidato do NOVO a presidente, Felipe d’avila, teve menos de 1% dos votos e o partido viu sua bancada na Câmara dos Deputados encolher de 8 para apenas 3 deputados prejudicando assim o partido na cláusula de barreira.

Além de preconceituosa, passou uma informação enganosa. O Pedro Fernando Nery (no Twitter você o encontra no @pfnery) rebateu o governador mineiro.

                                     *

“Isso é um mito. Quem está no Bolsa Família trabalha ou quer trabalhar. O recebimento não impede ocupação. 70% dos beneficiários estão na força de trabalho. Desses, 80% têm uma ocupação. A maior parte trabalha por conta-própria ou é empregado informal. O que de fato é minoria é o emprego com carteira assinada. Este argumento parte das reportagens que comparam número de Bolsa Família com número de empregos formais. É uma confusão: eles não são excludentes, e nem emprego formal é a única forma de ocupação. Para o Brasil e outros países, a evidência de que benefício e emprego são excludentes não está colocada, como mostra o Banco Mundial. Um estudo de 2020 do FMI mostra que o Bolsa Família tem efeitos positivos na oferta de trabalho, especialmente entre os jovens. O benefício pode mais pobres a superar obstáculos na busca por emprego, como a falta de recursos para preparar um currículo ou pagar passagem. Tem também o efeito positivo no bem-estar psicológico dos beneficiários, segundo a literatura. A escassez de recursos afeta negativamente o processo de tomada de decisões, perpetuando o ciclo de pobreza. O benefício reduz estresse diário e permite uma organização melhor da vida. O Bolsa Família frequentemente é um complemento de renda, principalmente para famílias envolvidas no mercado informal. De fato, há – apenas bem recentemente – uma queda na taxa de participação no Brasil, mas que parece ter mais a ver com o valor único de R$ 600 estabelecido em 2022 – que começa a ser corrigido com a MP aprovada essa semana. Importante mencionar ainda que as regras do programa permitem a formação de filas, o que resulta em atrasos nos pagamentos, mesmo para famílias que já tiveram seu direito ao benefício reconhecido. Essa incerteza pode levar as pessoas a recusarem oportunidades de emprego. O Congresso aprovou o fim das filas em 2021. O então Presidente vetou. Na verdade, a maior parte do gasto social com benefícios no Brasil é exatamente nos 7 Estados (do Sul e Sudeste (parênteses nosso)). Por conta da Previdência, inclusive o decorrente de aposentadorias que ocorreram sem idade mínima para pessoas em idade ativa. No Norte e Nordeste, as pessoas tipicamente pedem aposentadorias depois. (Por conta das regras de tempo de contribuição serem mais difíceis de cumprir naquelas economias)”

Ressocialização ou barbárie

Fica difícil ressocializar alguém que errou não aceitando a volta da pessoa ao convívio em sociedade

O goleiro Bruno Fernandes está prestes a assinar contrato de dois anos com o Boa Esporte, clube sediado em Varginha/MG, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro de futebol. Bruno reapareceu no noticiário desde que o ministro do STF Marco Aurélio Mello concedeu liberdade provisória enquanto o julgamento do recurso não acontece. No primeiro julgamento, Bruno foi condenado a mais de 20 anos de prisão, pelo assassinato, cárcere privado e desaparecimento do corpo de Eliza Samudio, que tentava fazê-lo pagar pensão para o suposto filho que tiveram.

Muita indignação nas redes sociais. Primeiro, pela soltura do ex-goleiro do Flamengo. Agora, por essa contratação. Mas onde está o direito de presidiário e ex-presidiário tentar voltar a trabalhar e retomar sua vida normal? Cadê os defensores dos direitos humanos? Alguns feministas – mulher e homem – dizem defender a bandeira dos direitos humanos, só que seletivamente.

Revoltante não é o Bruno voltar a trabalhar. A revolta tem que mirar os verdadeiros problemas: Código Penal defasado, desatualizado, de 1940; a lentidão da justiça. Por que ainda nem se quer foi marcada a data do julgamento do recurso que a defesa recorreu? Se a gente, como sociedade, não está preparado para aceitar um ex-presidiário ser empregado, a luta tem que ser pela prisão perpétua ou pena de morte.

Pessoalmente, não defendo a prisão perpétua e muito menos a pena de morte, ainda mais no Brasil e essa justiça que temos. Bandido não é herói, no entanto, apesar de ser tratado como tal por parte de uma galera. Só que prefiro um ex-presidiário trabalhando a pegar em armas e voltando a delinquir, a roubar e matar. Existe muita resistência e preconceito por parte de empregadores e da população, princialmente a turma do “bandido bom é bandido morto”, para ex-presidiários. Fica difícil ressocializar alguém que errou não aceitando a volta da pessoa ao convívio em sociedade.

Patricia Abravanel diz que não mostra seu filho “por morar no Brasil”

Como foi dito passou impressão de deboche, de que todo brasileiro é um perigo para seu filho

Mais uma declaração infeliz da apresentadora do SBT, Patricia Abravanel. Depois de dizer no programa de seu pai, Silvio Santos, que ser gay não é “normal” e colocar a fome e mazelas da África nas religiões de matriz africana, ela diz que só não mostra seu filho em público por morar no Brasil. A declaração foi no programa The Noite, de Danilo Gentili. 

É um direito dela não querer expor o filho publicamente. E é bom que pense assim. Patricia foi vítima de sequestro em 2001. Ela faz bem proteger seu filho do assédio da imprensa e dos fãs até por ser filha de quem é.

Mas essa sua última declaração foi preconceituosa. Será que ela não tem medo de mostrar o filho nos EUA, onde invasões de desequilibrados mentais entram em escolas, boates com arma de fogo e saem atirando por nada e matam dezenas, centenas de pessoas? Não tem medo de mostrar o filho na Europa, que vive uma onda de ataques de terroristas?

O Brasil está longe de ser um país tranquilo e desenvolvido. Ocorre, porém, que a fala de Patricia no The Noite foi, sim, preconceituosa. Poderia ter dito que preserva o filho com outras palavras menos agressivas para o país dela. Como foi dito passou impressão de deboche, de que todo brasileiro é um perigo para seu filho. Patricia Abravanel é uma patricinha daquelas bem caricatas que vive em uma mansão cercada por muro, cerca elétrica e seguranças. Que pensa que a maioria da população pobre é feita por bandidos. E ainda é uma religiosa fundamentalista. Patricia Abravanel é só mais uma patricinha que não gosta de se misturar com os plebeus, com os pobres. É melhor ela então sair do Brasil e ir morar em Miami, por exemplo. Melhor Nova York, Miami tem muitos imigrantes latinos…