
A Revista GQ, que pertence ao Grupo Globo, premiou a cantora Anitta como a “Mulher de 2017“. Nada contra a cantora e seu gênero musical, mas retrata muito bem a sociedade brasileira, uma sociedade fútil, que coloca o supérfluo acima de valores morais, filosóficos e humanos.
O brasileiro se comove em grandes tragédias. Mas se passam umas semanas e ninguém se lembra mais. Até a próxima tragédia. E lá vai o brasileiro fazer campanha no Twitter, escrever “textão” no Facebook, postar imagem de solidariedade no Instagram.
Depois da solidariedade (hipocrisia), voltam todos para o normal para consumir o que importa: páginas de entretenimento. Com quem Anitta vai fazer parceria na próxima música. Qual o look que Pabllo Vittar vai usar na novela. Escutar o hit (funk, essas músicas denominadas de sofrência e sertanejo universitário) do momento. Curtir os memes mais populares.
Enquanto isso, Heley de Abreu Silva Batista é esquecida nos arquivos de jornais e TVs. Uma professora que ganhava cerca de 1,5 mil reais para ensinar alunos da pequena Janaúba/MG e sacrificou a própria vida para evitar que um maluco suicida matasse mais crianças ateando fogo em uma escola.
E Anitta? Por sua competência vocal e corporal cobra R$ 140 mil por shows, fora mais 30 mil para despesas com a equipe. Com seus milhões de seguidores nas redes sociais, Anitta revelou a celebridade do momento Pabllo Vittar e “lacra” com suas opiniões contundentes sobre diversos temas polêmicos do momento.
Em qualquer outro país essa professora viraria Heroína da Pátria, com direito a todas as cerimônias de entrega de medalhas e comendas. Aqui rebolar o bumbum é mais importante.