
Michel Costa
Na terceira entrevista com os candidatos à presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais, o Jornal Nacional recebeu nesta quarta-feira a visita de Geraldo Alckmin do PSDB. Repetindo o formato utilizado com Ciro Gomes e Jair Bolsonaro, William Bonner e Renata Vasconcellos seguiram com a linha de levantar pontos polêmicos da trajetória dos entrevistados, sem conceder grande espaço para exposição de propostas.
No primeiro dos 27 minutos de sabatina, o governador de São Paulo respondeu sobre a aliança do PSDB com o chamado Centrão, partidos que, juntos, somam 41 indiciados pela Operação Lava Jato e que seriam conhecidos pela política do “toma lá, dá cá”. Repetindo o discurso de outras ocasiões, Alckmin citou o número excessivo de partidos e a necessidade de uma reforma política, mas enfatizou que todos os partidos possuem bons quadros.
Ainda sobre alianças, Alckmin negou que o PTC de Fernando Collor esteja em sua coligação, mesmo que apoiado pelo PSDB em Alagoas. Neste ponto, o sorriso irônico dos jornalistas à parte, cabe informar que coligações que parecem esdrúxulas em estados e municípios são mais comuns do que se pensa e não deveriam ser vistas pela ótica nacional. Apesar disso, o tucano insistiu na necessidade de se construir alianças para conseguir aprovar as reformas que julga ser necessárias.
Quando o tema passou a ser corrupção, Bonner e Vasconcelos citaram o senador Aécio Neves e o ex-senador Eduardo Azeredo como exemplos de que a maneira como o PSDB lida com a corrupção no próprio partido é diferente do posicionamento em relação a seus adversários. Questionaram também por que Alckmin, enquanto presidente do PSDB, não buscou a expulsão de ambos. Encurralado, restou ao candidato dizer que Aécio está se defendendo na justiça, enquanto Azeredo, que está preso, se afastou da política há anos.
A corrupção continuou em pauta no momento em que a dupla de apresentadores mencionou as três delações premiadas e as testemunhas que confirmaram ter havido desvio de recursos nas obras do Rodoanel, inclusive com a participação de seu cunhado. Visivelmente desconfortável, Alckmin negou que houvesse qualquer irregularidade nas obras e que os gastos foram aprovados pelo Tribunal de Contas de São Paulo. Negou ainda que Laurence Casagrande Lourenço, seu ex-secretário, e que se encontra preso, tenha cometido qualquer irregularidade, apesar do Ministério Público Federal apontar desvios de 600 milhões de reais.
Sobre segurança pública, os jornalistas apontaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) como responsável pelo controle de parte do crime organizado que atua no Brasil e que seus líderes continuam a dar ordens de dentro dos presídios paulistas. Em defesa de seu governo, Alckmin disse que o estado foi pioneiro na construção de presídios de segurança máxima e negou que houvesse ação criminosa de dentro dos presídios, algo que contradiz ação recente do próprio governo de São Paulo.
Quanto ao déficit habitacional do estado governado pelo PSDB há 24 anos, Alckmin declarou que São Paulo é o único estado que investe 1% do ICMS em habitação, entregando 120 mil unidades à população. Em seguida, culpou a crise enfrentada pelo País como a maior responsável pelos problemas de moradia.
Questionado sobre saúde pública e a ação das Organizações Sociais (OSs) que teriam recebido 38 bilhões de reais de dinheiro público sem cumprirem as metas e que, segundo o TCE, o estado falha na fiscalização do uso desse investimento, o governador afirmou que há monitoramento e acompanhamento e que suas contas foram aprovadas pelo mesmo tribunal por unanimidade. No entanto, as contas do estado foram alvo de ação da Polícia Federal que gerou o apontamento de 23 irregularidades em contratos da saúde.
Na mensagem de despedida, Alckmin retomou o mantra do “emprego e renda” que vem sendo a marca de sua campanha, bem como a criação de oportunidades de trabalho para os brasileiros. Em linhas gerais, tratou-se de mais uma sabatina nos moldes anteriores, retirando munição de quem esperava perguntas e reações mais amenas sobre a suposta preferência global pelo candidato tucano.
Michel Costa, 42, mineiro, casado e formado em administração