Se Temer se vestisse de “Presidente NEOLIBERALISTA”, sua popularidade subiria para níveis históricos
A escola de samba Paraíso do Tuiuti levou para avenida os 130 nos da Lei Áurea, uma crítica social foda sobre a escravidão moderna e o “cativeiro social”. A polêmica ficou por conta de uma ala representando os “paneleiros” de verde-amarelo sendo manipulados por uma mão que seria do “vampirão neoliberalista” com faixa presidencial.
Sou muito a favor de escolas de samba instigar reflexões e debates, mas o que o carnavalesco Jack Vasconcelos fez foi apenas aproveitar o pano de fundo do tema escravidão para propagar ideologicamente a mentira de que a reforma trabalhista é “escravidão moderna”, difamar os milhões de brasileiros que foram às ruas contra o governo Dilma e escrachar o atual presidente.
Não foi Coragem. Coragem era fazer um desfile crítico ao Lula em 2010, quando ele deixava o governo com mais de 80% de aprovação. Ou um desfile crítico a uma ditadura. O desfile da Tuiuti foi “lacração” pura e serviu de palanque para políticos oportunistas. E comparar a reforma trabalhista com escravidão além de burrice é um brutal desrespeito para com a memória dos escravos, de quem sofreu na escravidão!
Pior ainda é saber que a Tuiuti só desfilou ontem porque o rebaixamento de 2017 foi cancelado antes da apuração passada em virtude dos acidentes nos desfiles da Unidos da Tijuca e da própria Tuiuti, inclusive o da última com vítima fatal e controvérsia em relação ao acidente com o carro alegórico pivô do acidente.
Visualmente, a Tuiuti fez um desfile empolgante para quem estava na Sapucaí ou assistindo pela TV e, claro, para turma “Fora, Temer” das redes sociais. Um julgamento justo deixaria a escola no Grupo Especial e não seria loucura voltar no desfile das campeãs. Mas meu desejo é o rebaixamento da escola pela “blasfêmia” de ontem e, principalmente, também pelos acontecimentos de 2017.
Não bati panela, mas não me arrependo nada de ter apoiado o impeachment da pessoa que jogou o país na pior crise da história e não tenho medo de falar que apoio o presidente que está reerguendo a economia brasileira.
O corte da verba da prefeitura pode ser a oportunidade do carnaval carioca se reinventar e voltar a encantar por sua beleza e simplicidade
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), comprou uma guerra com a LIESA, a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. E uma guerra que ele pode sair com sua popularidade muito arranhada. O Estado do Rio de Janeiro vive uma profunda crise financeira sem precedente após sediar Copa das Confederações, Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos em 2016. Grandes eventos que custaram e ainda custam ao erário fluminense e carioca.
Mas a responsabilidade não é só dos grandes eventos, o maior culpado foi o hoje preso e condenado pela justiça ex-governador Sérgio Cabral, que ainda responde a outras 9 denúncias. Fora toda a corrupção que foi descoberta teve ainda as desonerações para empresas “camaradas”. Ou seja, o Rio viveu uma verdadeira “farra do boi”, um descalabro que culminou em um Estado pré-falimentar sem dinheiro para honrar compromissos básicos como salários de servidores e aposentados.
O prefeito Crivella comunicou a LIESA que pretende cortar 50% da subvenção da prefeitura para os tradicionais desfiles na Avenida Marquês de Sapucaí e que esse dinheiro seria destinado para ampliar convênios da merenda escolar de creches. A LIESA respondeu com terrorismo anunciando a suspensão dos desfiles de 2018. A Liga das Escolas de Samba aposta no carioca viver o samba para ganhar a disputa contra o prefeito, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.
No primeiro carnaval sob a administração Crivella, houve muita confusão e duas grandes tragédias envolvendo carros alegóricos das escolas Paraíso do Tuiti e Unidos da Tijuca, com vários feridos e vítima fatal. Chegaram ao cúmulo de colocar a culpa na quebra de tradição do prefeito não ter participado da cerimônia de entrega da chave da cidade ao rei momo. Cobra-se prioridades do poder público com o dinheiro dos impostos, então a decisão de Crivella tem que ser aplaudida. Não está cortando toda a subvenção, mas metade em nome de uma causa maior.
A LIESA argumenta que o evento gera muitos benefícios para a cidade. Mas a tese de que o carnaval carioca não precisa da prefeitura para existir me parece verdadeira. Por que um evento privado, mesmo que gere benefícios econômicos, financeiros, de geração de empregos e de renda, além da valorização da imagem da Cidade do Rio de Janeiro e do Brasil, como diz a nota da LIESA, tem que ser bancado uma parte com dinheiro público?
Quando o cerco se fechou aos bicheiros, o que fez as escolas de samba? Se penduraram nas tetas da prefeitura e do governo do Rio, com anuência dos governantes em troca de apoio político e eleitoral. Os desfiles outrora fantásticos e encantadores do Rio de Janeiro viraram uma zona. Em 2017, Portela e Mocidade Independente dividiram o título por uma confusão de um jurado. Foram buscar José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para colocar ordem na casa.
Depois de duas tentativas fracassadas, Marcelo Crivella foi eleito prefeito em 2016, derrotando Marcelo Freixo (PSOL) em um segundo turno que para ambos candidatos foi uma vitória. Crivella e Freixo derrotaram a máquina do PMDB fluminense e o candidato do prefeito Eduardo Paes, Pedro Paulo. Crivella prometeu que “cuidaria das pessoas” depois de um governo mais voltado para grandes obras urbanísticas.
Aqui não se trata de saber qual é a melhor forma de fazer política e de governar. Paes foi reeleito já no primeiro turno de 2012 com 66% dos votos e deixou a prefeitura bem cotado para disputar o governo estadual, após realizar a primeira Olimpíada na América do Sul. Só que a população carioca queria uma mudança na política da cidade. A saúde pública vem clamando socorro não é de agora, segurança e educação não são diferente.
Nos desfiles de hoje em dia o que vale mais é impactar o público e os jurados do que mostrar um bom samba. O corte na verba da prefeitura pode ser a oportunidade do carnaval carioca se reinventar e voltar a encantar por sua beleza e simplicidade, nada de carrões mastodontes que só atrapalham e luxuria vazia de conteúdo.
Crivella e ninguém é obrigado a participar do carnaval
O prefeito o Rio de Janeiro gravou um vídeo com uma nota respondendo às críticas por sua ausência no carnaval, mais especificamente ao sambódromo e não ter feito a tradicional entrega das chaves da cidade ao “Rei Momo”. O lamentável desse episódio é o prefeito de uma cidade como o Rio de Janeiro, com os problemas que têm, ter que fazer nota para explicar o óbvio ululante.
Crivella e ninguém é obrigado a participar do carnaval, independente da religião a qual faz parte. Como prefeito, ele fez sua obrigação de ir no hospital visitar os feridos no acidente com os carros alegóricos das escolas Paraíso do Tuiuti e Unidos da Tijuca. Além de buscar soluções para que não se repitam os acidentes no próximos desfiles.
No auge das manifestações de junho do ano passado, quando o Brasil recebia a Copa das Confederações, o país foi tomado por protestos “contra a Copa” e eu fiz esse texto dizendo o quanto isso era ridículo.
Pois bem, a menos de cinco meses do início da competição, quando todos os estádios e obras relativas ao torneio estão prontos (ou em fase final), vemos um movimento nas ruas “Não vai ter Copa”. “Sem Direitos, sem Copa”, diz a família de um menino baleado pela PM que até agora não se sabe se estava na manifestação ou não.
Vamos tentar esquecer o fato de que, ao contrário do que eles querem acreditar, esse pessoal não tem força para impedir a Copa. Eu não tenho palavras para descrever a burrice de quem, após bilhões gastos, abre mão dos bilhões a mais que ela pode vir a retornar. Não consigo classificar de outra maneira que não com um mau-caratismo (ou inocência) enorme os líderes da revolta nacional que queriam o dinheiro da Copa em hospitais como se tudo por aqui funcionasse perfeitamente bem até a FIFA anunciar este país como sede do Mundial, lá em 2007. Como se a culpa, a panaceia dos nossos males, fosse a FIFA ou a Copa do Mundo.
2007… Estamos em 2014. Foram sete anos para dizer que não queríamos a Copa. Até mais, se lembramos que havia um lobby pela escolha do Brasil desde 2006 e que éramos o único candidato. Agora, sinto muito, já é tarde. Vamos fazer e vai ser sensacional. Se o Governo não fez a parte dele, façamos a nossa e façamos dessa Copa um momento especial. Não para as Copas, mas para nós. E isso não significa sair por aí protestando “contra tudo”. É receber quem vem pra cá de maneira cordial, é tentar não atrapalhar quem, brasileiro ou não, quer apenas assistir um jogo porque pagou caro por isso.
No auge da revolta popular, surgem grupos que, revoltados com a verba repassada às Escolas de Samba, prometem atrapalhar os desfiles na Marquês de Sapucaí. Ignorantes… Mal sabem, além do retorno que a festa gera, o quanto ela é importante para esse país. Tolos… Não sabem o quanto um samba-enredo – como qualquer música, qualquer forma de arte – pode ser muito mais útil que essa máscara que eles insistem em usar para protestar. Pretensiosos… Não sabem o quanto são inúteis para o progresso desse país.
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O Brasil da juventude atual é um país apaixonado pela revolução. Isso dito assim pode parecer fantástico, afinal, o descontentamento é uma das principais formas de alcançar uma sociedade decente. Mas aqui no Brasil, isso é ruim. E é ruim porque, na verdade, não somos apaixonados pela revolução, mas sim por sermos revolucionários. Impulsionados por uma geração que, essa sim, lutou para mudar o país, temos a tal geração Y que adora romantizar as coisas para se posicionar como revolucionária, como líder, como o Edson Celulari na histórica Que Rei Sou Eu?, de 1989, ou o Cássio Gabus Mendes na não menos fantástica Anos Rebeldes
Uma juventude que usa bandeiras anarquistas, socialistas, ou fascistas sem, em muitos casos, sequer saber o que elas significam. Uma juventude que, como eu disse, romantiza os problemas brasileiros e nossa política para criar vilões e posar de herói. Que julga estar interferindo nos rumos da nação quando, na verdade, só está causando uma baderna e atrapalhando a vida de quem diz defender. Temos, atualmente, muitos Che Guevaras e Mandelas, e isso em nada tem a ver com esquerda ou direita, que acham que a luta armada – que, no caso deles, nem é tão armada assim (até isso eles romantizam) – é algo legal.
Bobos… A luta armada nunca é legal. Pode até ser mais emocionante de se estudar, de se inspirar, mas é algo, às vezes, necessário. E, agora, não é. Somos um país democrático com muitos problemas políticos, mas que está sempre aberto à mudanças. Lute por elas, mas lute com princípios, não com bagunça. Vote melhor, exponha seus descontentamentos de maneira mais clara, lute por uma bandeira mais sólida. Se a sua revolta ainda não deu resultado, sinto muito, a culpa é sua.
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No fundo, esse pessoal só quer mostrar para o Mundo que o Brasil não é futebol, bunda, caipirinha, praia e Carnaval. Um pessoal que passou a vida dizendo ter vergonha do nosso país por passar essa imagem. Coitados… Não sabem que, na verdade, nada disso nos envergonha lá fora. Não sabem que, na verdade e nesse momento, o nosso maior motivo de vergonha são eles mesmos.
13 de maio de 1888. Foi nesse dia que teve início uma nova era da história do Brasil. Foi nesse dia que foi assinada a tal Lei Áurea, que decidiu que nenhum homem poderia escravizar outro no Brasil. O leitor mais atento deve ter percebido que ontem foi o aniversário de 125 anos da tal lei. É uma data muito comemorada – e com razão. É a data tida como o fim da escravidão e, consequentemente, do sofrimento do negro brasileiro.
1988, então, foi um ano muito especial, o ano do centenário da Lei Áurea. Um ano de simbolismos, como o do título paulista do Corinthians, com o gol de Viola, único negro do time, vindo do banco de reservas, marcando na prorrogação. Mas não ficou apenas nisso. Para quem não sabe, eu (assim como alguns outros integrantes deste blog) sou apaixonado por Carnaval, e acho que esta festa retrata o Brasil com uma fidelidade poucas vezes vista. É incrível como gente que, as vezes, não tem cultura nenhuma consegue contar a nossa história melhor do que muitos Doutores em história. Talvez porque tenham passado por tudo aquilo que estudamos e a experiência ainda é a melhor forma de se conhecer qualquer coisa. O samba é a voz do povo e, é engraçado como ele consegue expressar bem algumas visões contraditórias deste povo.
Voltando à 1988, este ano deixa bem claro o que disse no fim do parágrafo anterior. A campeã do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro foi a Unidos de Vila Isabel, que homenageou o negro e festejou o centenário de sua libertação com o enredo “Kizomba, a festa da raça”. Um samba sensacional e um dos maiores desfiles da história da Marquês de Sapucaí, que comemorou em grande estilo esta data tão especial. Mas não foi um Carnaval de um desfile só. A vice-campeã, Estação Primeira de Mangueira, trouxe para a Avenida um desabafo, mostrando que a comemorada liberdade talvez nem tivesse sido conquistada. “100 anos de liberdade, realidade ou ilusão?” é, como dito anteriormente, um desabafo.
Para provar que este é mais um dos casos em que o samba ensina mais que os livros, vamos tentar contar essa história a partir deste samba-enredo que, para continuar atual, basta trocar o 100 pelo 125 em seu título.
“Kizomba, a festa da raça” (Foto: MSN)
“Será…
Que já raiou a liberdade
Ou se foi tudo ilusão
Será…
Que a Lei Áurea tão sonhada
Há tanto tempo assinada
Não foi o fim da escravidão…”
Pois é. De maneira oficial, a escravidão acabou. Todos recebem um salário – que tem até um valor mínimo! – para trabalhar e, branco ou negro, tem direitos enquanto cidadão e trabalhador, não podendo apanhar do patrão. Mas não é preciso viver muito tempo no Brasil para perceber que negros e brancos não estão em pé de igualdade. Não é preciso refletir muito para concluir que os negros ainda são, de certa forma, escravos dos brancos. Negros, 125 anos depois do fim da escravidão, sofrem preconceito, ainda são descrição fundamental de um estereótipo que caracteriza tudo aquilo que há de ruim na sociedade moderna. Para grande parte de nossa população, quanto mais escura a pele, maior o cuidado com a carteira. Quanto mais escura a pele, maior a exigência de conhecimento, maior o rigor com qualquer erro de português.
“Onde está a liberdade
Onde está que ninguém viu
Moço
Não se esqueça que o negro também construiu
As riquezas do nosso Brasil”
E o preconceito contra os negros é uma das coisas mais imbecis que o brasileiro poderia ter, pois, sem ele, esse país não existiria. Foi negro que, trazido da África para ser escravizado, construiu o Brasil. Trabalhou no café, nas minas de ouro, na cana de açúcar, na pecuária. E, depois de livre, mostrou que não devia nada aos brancos em inteligência, bravura e talento. Zumbi dos Palmares, João Cândido, Pelé, Adhemar Ferrreira da Silva, João do Pulo, Aleijadinho,Pixinguinha, Carlos Gomes, Tia Ciata, Milton Nascimento, Gilberto Gill Martinho da Vila (autor do enredo, não do samba, da Vila Isabel de 1988), Martinho da Vila, Wilson Simonal, Milton Gonçalves. Homens e mulheres que levaram o nome do Brasil para o Mundo inteiro e enriqueceram nossa cultura, nossas artes, nosso esporte.
“100 anos de liberdade, realidade ou ilusão?” (Foto: Samba Rio Carnaval)
“Pergunte ao criador
Quem pintou esta aquarela
Livre do açoite na senzala
Preso na miséria da favela”
Os dois versos anteriores são dos mais geniais da história da música no Brasil. Livre do açoite na senzala, preso na miséria da favela. Dois versos que traduzem estes 125 anos. Podemos dizer que a Lei áurea permitiu que os negros (alguns poucos negros, na verdade) chegassem onde apenas os brancos chegavam. Porém, o mundo dos negros continuou sendo só dos negros. O mundo da miséria, da fome, do preconceito, continuou sendo exclusividade deste povo. É claro que existem brancos “presos na miséria da favela”, mas estão longe de ser a maioria e nunca estão no estereótipo descrito alguns parágrafos atrás.
“Sonhei…
Que Zumbi dos Palmares voltou
A tristeza do negro acabou
Foi uma nova redenção
Senhor…” (1)
Contudo, é preciso dizer: nestes 125 anos, muita coisa mudou para melhor. A cada dia, a ilusão fica mais perto da realidade. Nestes 25 anos, muitos negros se livraram da miséria da favela. A cada dia, nossa sociedade se torna menos preconceituosa e a luta continua. Já que eu citei tanto o samba vice-campeão de 88, encerro com um verso do campeão: “valeu, Zumbi!” (2).
Para quem ficou curioso ou quer rever, eis os compactos dos dois desfiles.
(1) Os versos em negrito entre os parágrafos são do samba “100 anos de liberdade, realidade ou ilusão?”, da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval de 1988. Os autores do samba são Hélio Turco, Jurandir e Alvinho. O Carnavalesco foi Júlio Matos e o intérprete, Jamelão.
(2) “Kizomba, a festa da raça” da Unidos de Vila Isabel, é de autoria de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila. O enredo foi desenvolvido por Milton Siqueira, Paulo César Cardoso e Ilvamar Magalhães, enquanto o samba foi interpretado por Gera.