
Peço aqui desculpas públicas a Daniel Lúcio Silveira, o primeiro preso político do regime de exceção que começou a vigorar no país e achávamos que tinha ficado no passado. Em nome da democracia que achava ameaçada apoiei a sua prisão, sua condenação e sua cassação do mandato.
Mesmo o vídeo postado com palavras que passaram do limite da liberdade de expressar, que tinha um tom de ameaça contra ministros do STF, o artigo da Constituição sobre imunidade parlamentar é claro quando diz QUAISQUER PALAVRAS. Foi a porteira sendo aberta para relativizar a imunidade parlamentar e coagir os parlamentares.
Ao condenar Silveira se sentiram livres para corromper a palavrar “ameaça”. Tudo virou ameaça contra nossos deuses do olimpo para se blindarem não só de crimes de responsabilidade, como de crimes comuns. Ali metade ou mais da atual composição deve explicações, mas se acham intocáveis e não devem satisfação a ninguém, ainda mais por se sentirem salvadores da democracia. Fazem o mesmo que os militares para perseguir qualquer pessoa que fosse contra ou ameaçasse o regime.
Muitos caíram, inclusive eu, mas não era para salvar a democracia. O objetivo era de proteção a eles mesmos. Alguns jornalistas ainda acreditam na fábula dos defensores da democracia. Alguns porque creem que ainda existe uma ameaça do autoritarismo rondando e outros por questões políticas se prestam a ser porta-vozes dos intocáveis. As eleições de outubro, principalmente para o Senado, serão definidoras para esse regime de exceção.
O Brasil passa por um período conturbado e desafiador. A Suprema Corte brasileira tomou para si a defesa da democracia. Pelo menos desde 2019, quando o então presidente do STF, Dias Toffoli, decidiu abrir de ofício, sem o Ministério Público, um inquérito para investigar ameaças e notícias fraudulentas contra os ministros da Corte e nomeou o ministro Alexandre de Moraes como relator, o STF vem protagonizando a política brasileira com repercussão fora do país.
