Caso Picciani é igual ao caso Delcídio, com final diferente, não o caso Aécio

Mesmo sem o caso Aécio, a prisão de Picciani teria que passar pelo crivo dos deputados

Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro – Alerj – revogou a prisão do presidente da Casa Jorge Picciani e de Edson Albertassi e Paulo Melo. Foram 39 votos para soltar os três; 19 deputados votaram para manter a decisão do TRF2, além de 1 abstenção.

Todos tiveram pedido de prisão feito pelo Ministério Público e aceito pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Eles estão no escândalo de corrupção na FETRANSPOR.

Primeiro, foi vergonhoso esse resultado. Picciani foi preso justamente quando completa 1 ano da prisão do ex-governador Sérgio Cabral, que já tem condenações para umas 4 vidas. Picciani é um dos líderes da OCRIM do PMDB/RJ.

O (ex) governador (em exercício) Luiz Fernando Pezão, vice de Cabral, deveria ter a hombridade (se é que tem) de renunciar. Ele e o vice Francisco Dornelles já foram inclusive cassados pelo TRE-RJ, por abuso de poder econômico na eleição de 2014, e o processo está engavetado em algum lugar. Governo Pezão é uma extensão do governo que levou o Rio de Janeiro a putrefação econômica, social e moral.

Fora os fatos narrados acima, estão fazendo uma ligação errada (alguns de forma consciente) do “salvo-conduto” da Alerj ao Picciani e o caso Aécio-Senado.

Está na Constituição que parlamentar preso tem que passar por uma votação pelo Legislativo. Em novembro de 2015, Delcídio Amaral só teve a prisão mantida porque o Senado votou por manter a prisão. Aécio não chegou a ser preso. Como as cautelares impostas pela 1ª Turma afetava o exercício do mandato do senador, o plenário do STF decidiu (6×5) que o Senado também precisaria ser ouvido.

Mesmo sem o caso Aécio, a prisão de Picciani teria que passar pelo crivo dos deputados estaduais do Rio, que agora terão que arcar com as consequências de livrar o gângster do Jorge Picciani da cadeia, assim como os senadores que devolveram o mandato a Aécio Neves.

“Delacídio Amoral” e o Castle of Cards de Brasília

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Fábio Piperno 

As confissões de “Delacídio Amoral” trazem combustível para implodir a versão Castle of Cards da nossa república. O caráter e as motivações do senador são agora o que menos importam. O que vale mesmo é buscar a comprovação do conteúdo das delações recolhidas.

O senador-bomba obviamente sabe de muita coisa. Transitou com desenvoltura pelos governos FHC, Lula e Dilma. Fez incontáveis amigos entre os tucanos, petistas, gente graúda do PMDB e dos partidos-satélites. E trabalhou no alto escalão da Petrobras, senha para indicar que viu, conviveu e participou dos assaltos cometidos contra a estatal desde, pelo menos, a segunda metade da década de 90. Aliás, a narrativa dos crimes que apontou na petroleira começa exatamente em 1997.

Delcídio não poupa a presidente Dilma, o ex-Lula, Temer, ministros que estão ou que já se foram do governo, parlamentares da esquerda à direita, gente combativa como o prefeito Eduardo Paes, fora de combate como Zé Dirceu, as estrelas cadentes Palocci e Mercadante, tucanos bons de bico e rica plumagem como Aécio e Carlos Sampaio, carlistas do antigo PFL, hoje DEM, além de Renan, Romero Jucá e Eunício, entre outros nobres da caciquia do PMDB.

Claro que todos os acusados estão negando. O ex-presidente Lula não sabia de nada e o senador Aécio diz que tudo não passa de acusação requentada. Por sinal, o tucano é um dos protagonistas das delações, sendo associado a três episódios – Furnas, Correios e a uma empresa em paraíso fiscal. Poderia até pedir música para o Fantástico, se fosse seguir a tradição que espalhou entre jogadores de futebol que marcam três gols em um jogo.

Interessante também é a anatomia da corrupção, segundo as preferências das grandes empreitas. De acordo com Delacídio, Odebrecht e OAS preferem jogar com os parceiros (ou cúmplices?) PT-PMDB. Já a dupla Camargo Correa e Andrade Gutierrez nutre mais simpatias pelos tucanos.

É claro que delação não é prova. Mas se o que disse Delcídio for comprovado, poucos atores relevantes restarão deste arrastão político. A questão agora é saber se TODOS serão investigados e se a Justiça não tomará partido. Até porque, no nosso Castle of Cards ninguém, nem mesmo os delatores, merece ser premiado.

Brasil está em transe

O tiro de Sergio Moro pode ter saído pela culatra

delcidio conta tudo

Se o Senador Delcídio Amaral (PT/MS), que foi líder do governo Dilma, provar o que diz na delação premiada publicada com exclusividade pela revista Isto É, acabou para a presidente. Não tem discussão nem precisa das pedaladas fiscais, o impeachment estaria fundamentado. O que tem na delação de Delcídio é suficiente para pôr fim ao governo Dilma. Ela nomeou um ministro para o STJ que tinha a missão de conceder habeas corpus para presos da operação Lava-Jato. É crime de responsabilidade e muito mais grave que as pedaladas fiscais.

No dia seguinte acontece a condução coercitiva para Lula depor na Polícia Federal. Deixando a parte jurídica se a condução coercitiva era necessária ou não, ela caiu do céu para o PT fazer a narrativa da vitimização que queria e chamar a militância para luta política. Essa condução coercitiva de Lula era tudo que ele queria para motivar a militância que estava no chão com a delação do Delcídio.

O juiz Sergio Moro foi precipitado. Deixava para fazer quando a delação do Delcídio fosse homologada com mais detalhes.

Lula pode está debilitado eleitoralmente, mas ainda é muito forte politicamente e, por incrível que possa parecer, ainda cativa com sua história de vida e pelas conquistas sociais de seu governo. Essa sede de querer o Lula preso a todo custo ainda vai transforma-lo em mártir e o fazer ganhar a eleição de 2018.