Carência de ídolos

Donald Trump está longe (bota longe nisso) de ser um Ronald Reagan ou um Winston Churchill

Alguma coisa de estranho acontece com os conservadores brasileiros. Toda e qualquer ação do presidente americano Donald Trump a turma puxa a artilharia em defesa do chefe da nação mais poderosa do mundo. Passou da hora dessa turma maneirar ou vai cair no estereótipo que a imprensa tenta colar – Cavaleiros do Retrocesso. Não é possível referendar tudo que Trump apronta por lá. Torcer pela vitória dele por não gostar de Hillary Clinton é compreensível. Virar fã cego é complicado.

Nos acontecimentos de Charlottesville, Trump errou feio ao dizer que “os dois lados erraram” quando só tinha um bando de racistas protestando contra negros. Só que a turma daqui passou a acusar a imprensa americana e brasileira de “fake news” e ser contra tudo vindo de Trump. Sim, tem um pouco verdade nisso. O problema, contudo, é negar os erros – alguns graves – do presidente dos EUA.

Por exemplo, essa confusão dele com os esportes americanos. Trazendo para o Brasil seria como se o presidente Michel Temer pedisse a demissão de jogadores pelo motivo deles protestarem contra ele nos jogos do Campeonato Brasileiro. Impensável. Ingerência absurda por mais que acho mongoloide esses “Fora, Temer” por aí. Ainda mais se tratando da “terra da liberdade”, como os EUA.

Carência de ídolos. Cegueira ideológica. Nada justifica. Donald Trump está longe (bota longe nisso) de ser um Ronald Reagan ou um Winston Churchill.

Donald Trump, o 45º

45º presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump

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Tomou posse hoje, 20 de janeiro de 2017, o 45º presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump.

A candidatura de Trump foi de piada para realidade ao vencer as primárias do partido Republicano, o que desagradou a muita gente do GOP (Grand Old Party). Na eleição de novembro de 2016, Trump enfrentou Hillary Clinton. Em uma das eleições americanas mais disputadas, Clinton levou a melhor no voto popular: 3 milhões de votos de vantagem. Mas a eleição americana não é decidida no voto direto. No colégio eleitoral, Trump venceu em Estados-chave como Flórida, em Estados que Democratas vencem tradicionalmente, totalizando mais de 300 votos, mais que os 270 necessários.

Apesar de discursos de ódio para alguns e politicamente incorreto para outros, Donald Trump levou a melhor e não adianta reclamar do sistema eleitoral, do colégio eleitoral que existe desde a primeira e única constituição americana. A candidata adversária era cheia de controvérsias e impopular como Trump é, mas ele tinha um trunfo: não era do meio político, o establishment. É uma catarse mundial, uma purificação da política. Acredito que a eleição de Barack Obama já foi dentro dessa catarse. E, apesar da boa aprovação do governo Obama refletindo a recuperação econômica dos EUA, o americano resolveu fazer uma “purificação” mais radical.

Obama era a “purificação” moderada; Trump é a “purificação” radical e acelerada. Donald Trump teve os votos dos “esquecidos” pela elite política de Washington.

O discurso do novo presidente logo após tomar posse foi com um tom nacionalista que deve predominar no governo, mas bem mais suave do que durante a campanha. Trump até falou em solidariedade e que no sentimento patriótico não cabe preconceito.

Americanos, salvem a América e o mundo de Donald Trump

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Se Donald Trump vencer as primárias do Partido Republicano, for confirmado candidato do partido em 2016 e o pior acontecer: ele vencer a eleição americana, o mundo entrará na era das trevas. O mundo já está na escuridão com tantas mazelas, ameaça de guerra e as atrocidades do Estado Islâmico, crises econômica, ambiental e social.

Mas com Trump comandando a principal nação do mundo a tendência é piorar. E o pior é que, apesar das muitas polêmicas (a última querer proibir a internet para combater EI), Trump continua liderando entre os republicanos.

Donald Trump é elitista, protecionista, xenófobo e cheio de preconceitos contra negros, mulheres, latinos e muçulmanos. A vitória de Trump seria a vitória da intolerância.

O presidente Barack Obama faz um governo dentro da medida do possível bom. Resgatou ou está resgatando a economia americana pós-crise de 2008, e na política externa tenta ser firme e defender os interesses dos EUA com mais diálogo e menos truculência com outros países. Há controvérsias sobre algumas ações de Obama, mas a nota média dele é um 7 ou um 8.

Não sei se será o bastante para assegurar o Partido Democrata na Casa Branca. Vai depender muito como a provável candidata democrata Hillary Clinton vai se sair na campanha e a conjuntura interna e externa.