2018 com jeito de 1989 review
Rodrigo Maia (DEM) lançou oficialmente sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Tentando se deslocar do governo do presidente Michel Temer (MDB), o novo presidente do partido de Maia, ACM Neto, prefeito de Salvador, a candidatura do presidente da Câmara dos Deputados não é do governo, nem de oposição, é do Democratas.
Rodrigo Maia se destacou na presidência da Câmara como alguém que tem trânsito em partidos opostos ao seu e por senso de responsabilidade. Maia poderia ter facilitado aprovação das denúncias contra Michel Temer e assumir a presidência, mas se comportou de forma institucional, como manda o cargo que ocupa. É verdade que na segunda denúncia ele se animou com a ideia de ser presidente sem passar pelas urnas, mas não conspirou abertamente contra Temer, apenas começou a se afastar do governo pensando um uma candidatura.
Lembrando que pesam contra Maia inquéritos que apuram recebimento ou não de propinas por parte da Odebrecht e OAS, e tinha a alcunha de “Botafogo” na lista do departamento de propinas a políticos de vários partidos pela Odebrecht.
Se Rodrigo Maia levar a candidatura até o fim derrubando a tese que é apenas para “vender” caro o apoio do Democratas a um candidato, ele pode fragmentar ainda mais o campo da direita que já está fragmentado com a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), o que enfraqueceria ainda mais a de Alckmin, principalmente se levar apoios de partidos do centrão para seu palanque – PP, PR, PRB, PSC, SD.
Há também Alvaro Dias com o Podemos e o candidato do MDB/governo, provavelmente o Henrique Meirelles ou o próprio presidente Temer, além da “sombra” de um outsider que ainda pode aparecer.
Se podemos chamar de “sorte” para a direita, a esquerda também vai estar fragmentada entre PT, Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE), Manuela D’ávila (PCdoB) e PSOL.
2018 com jeito de 1989 review.
Democratas/PFL volta a ter candidato
Fundado entre 1984 e 1985, nas discussões da sucessão do militares para os civis depois de 20 anos, o partido nasceu da Frente Liberal, dissidentes do PDS não dispostos a apoiar o candidato do partido Paulo Maluf no colégio eleitoral. A Frente Liberal foi fundamental para a vitória de Tancredo Neves e José Sarney. Depois, a frente virou partido.
Em 1989, na primeira eleição direta para presidente depois de quase 30 anos, o PFL chegou a ter candidato. Aureliano Chaves, vice-presidente do último presidente militar João Batista Figueiredo, terminou o primeiro turno em 9º lugar com pouco mais de 600 mil votos. Em 1994, PFL aliou-se ao PSDB em uma dobradinha que fez o sociólogo Fernando Henrique Cardoso presidente tendo como seu vice o Marco Maciel, do PFL. A chapa foi reeleita em 1998 e o PFL foi o partido que saiu das urnas com quase 100 deputados eleitos.
Em 2002, o partido ensaiou lançar Roseana Sarney candidata ao Planalto chegando a liderar as pesquisas no início do ano eleitoral, mas foi alvejada por uma ação policial que descobriu um depósito com caixas de dinheiro pertencente a empresas de seu marido. O partido não apoiou o candidato José Serra (PSDB) por achar que a ação foi orquestrada pelo governo para tirar Roseana da disputa e o partido apoiar o tucano, então apoiou informalmente a candidatura de Ciro Gomes (PPS), mas uma parte do partido (Sarney) apoiou Lula (PT) já no primeiro turno (isso mesmo, uma parte do PFL ajudou o PT a ganhar a primeira eleição presidencial).
Contudo, o PFL foi para oposição do governo Lula. Com a alta popularidade do presidente Lula combinada com a aversão que a ampla maioria da população criou contra o liberalismo econômico, muito pelo desastroso segundo mandato de FHC, o PFL minguou, quase desaparecendo na eleição de 2006, levando os dirigentes a trocar o nome para Democratas em uma tentativa de se dissociar como um partido elitista. A ideia não deu muito certo e o agora Democratas virou de vez um satélite do PSDB.
Com a candidatura de Maia o partido tenta se refundar: mantendo o liberalismo na economia, mas incorporando a bandeira da luta contra desigualdades sociais, fim de privilégios e desperdícios de dinheiro público no seu estatuto para tentar ocupar o centro político. A proposta é boa e o principal objetivo é viabilizar a candidatura de Rodrigo Maia, que não sai de 1% a 0% dependendo da pesquisa. Ocupar um espaço deixado órfão com a queda do PSDB após a debacle de Aécio Neves e, por enquanto, Geraldo Alckmin não mostra força para reverter.
Foi um grande erro mudar de PFL para Democratas, e estavam cogitando mudar de novo até perceberem que a mudança de nome na década passada não resolveu muita coisa. Hoje, o sentimento liberal econômico está muito mais forte do que no passado e um partido com nome de Frente Liberal poderia aglutinar muitos liberais que não se sentem representados por nenhum partido.