Joaquim Barbosa, o “centro” que procuravam

Joaquim Barbosa se consolida como o grande “outsider”, posto ocupado recentemente por Luciano Huck

Joaquim Barbosa, que ainda hesita em oficializar a pré-candidatura, se consolida como o grande “outsider”, posto ocupado recentemente por Luciano Huck, que desistiu da candidatura optando pela carreira de apresentador e patrocinadores, além do emprego da sua esposa Angélica Huck.

Barbosa ficou conhecido no julgamento da Ação Penal 470 – o mensalão do PT – onde foi o relator do caso no STF e recebeu enxurrada de críticas da esquerda e foi colocado no pedestal pela direita. Foi o primeiro presidente negro do STF e antecipou a aposentadoria no tribunal em 2014. De família humilde, a história do mineiro tem semelhança com a de Lula, mas diferente do presidente que o indicou ao STF, Barbosa subiu na vida longe do sindicalismo e da política.

Na presidência do CNJ ordenou os cartórios a reconhecer o casamento gay de acordo com a decisão do STF de 2011, que reconheceu a constitucionalidade da união homoafetiva.

Joaquim Barbosa é o “centro” que a mídia tanto procura, um social-democrata com tendência liberal.

Doria e França tendem a polarizar eleição paulista

Datafolha também divulgou pesquisa eleitoral para governador de São Paulo. João Doria (PSDB) aparece na liderança nos dois cartões pesquisados: um com Paulo Skaf (MDB) e outro sem Skaf. No primeiro, Doria está com 29% das intenções de voto, Skaf fica com 20%, atual governador Márcio França (PSB) aparece com 8%, Luz Marinho (PT) fica com 7%. Candidato que foi líder do movimento “Vem Pra Pra Rua”, Rogério Chequer (NOVO) pontua 2%. No segundo, sem Skaf, Doria aumenta para 36%, França assume o segundo lugar com 10%, Marinho sobe para 9% e Chequer para 3%.

São cenários que deixam a eleição paulista imprevisível. Os paulistanos ficaram muito bravo por Doria ter deixado o cargo de prefeito para ser candidato e sua rejeição na capital disparou. Sua liderança na pesquisa está ancorada na força do PSDB no interior do estado. Mas França tem a máquina pública e pode “capturar” prefeitos para sua órbita.

A eleição em São Paulo tende a polarizar entre Doria e França, com Doria disputando contra até integrantes do próprio PSDB e uma falsa isenção de Geraldo Alckmin, que no fundo tende para o lado de seu ex-vice. Alckmin ainda tem mágoa do ex-prefeito, que sem o ex-governador não teria conseguindo a candidatura em 2016, de ter “puxado seu tapete” tentando se viabilizar candidato a presidente em 2017.

No fundo, o próprio Doria ainda nutre esperança de ser o candidato presidencial em caso de Alckmin não conseguir viabilizar alianças que dê grande suporte eleitoral para sua campanha e seu nome continue com 1 dígito nas pesquisas, além das investigações de caixa 2 nas campanhas de 2010 e 2014 não avançarem.

Enquanto isso, a disputa Doria e França deve ser bem agressiva mutuamente.

Direira e Esquerda rachadas para 2018

2018 com jeito de 1989 review

Rodrigo Maia (DEM) lançou oficialmente sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Tentando se deslocar do governo do presidente Michel Temer (MDB), o novo presidente do partido de Maia, ACM Neto, prefeito de Salvador, a candidatura do presidente da Câmara dos Deputados não é do governo, nem de oposição, é do Democratas.

Rodrigo Maia se destacou na presidência da Câmara como alguém que tem trânsito em partidos opostos ao seu e por senso de responsabilidade. Maia poderia ter facilitado aprovação das denúncias contra Michel Temer e assumir a presidência, mas se comportou de forma institucional, como manda o cargo que ocupa. É verdade que na segunda denúncia ele se animou com a ideia de ser presidente sem passar pelas urnas, mas não conspirou abertamente contra Temer, apenas começou a se afastar do governo pensando um uma candidatura.

Lembrando que pesam contra Maia inquéritos que apuram recebimento ou não de propinas por parte da Odebrecht e OAS, e tinha a alcunha de “Botafogo” na lista do departamento de propinas a políticos de vários partidos pela Odebrecht.

Se Rodrigo Maia levar a candidatura até o fim derrubando a tese que é apenas para “vender” caro o apoio do Democratas a um candidato, ele pode fragmentar ainda mais o campo da direita que já está fragmentado com a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), o que enfraqueceria ainda mais a de Alckmin, principalmente se levar apoios de partidos do centrão para seu palanque – PP, PR, PRB, PSC, SD.

Há também Alvaro Dias com o Podemos e o candidato do MDB/governo, provavelmente o Henrique Meirelles ou o próprio presidente Temer, além da “sombra” de um outsider que ainda pode aparecer.

Se podemos chamar de “sorte” para a direita, a esquerda também vai estar fragmentada entre PT, Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE), Manuela D’ávila (PCdoB) e PSOL.

2018 com jeito de 1989 review.

Democratas/PFL volta a ter candidato

Fundado entre 1984 e 1985, nas discussões da sucessão do militares para os civis depois de 20 anos, o partido nasceu da Frente Liberal, dissidentes do PDS não dispostos a apoiar o candidato do partido Paulo Maluf no colégio eleitoral. A Frente Liberal foi fundamental para a vitória de Tancredo Neves e José Sarney. Depois, a frente virou partido.

Em 1989, na primeira eleição direta para presidente depois de quase 30 anos, o PFL chegou a ter candidato. Aureliano Chaves, vice-presidente do último presidente militar João Batista Figueiredo, terminou o primeiro turno em 9º lugar com pouco mais de 600 mil votos. Em 1994, PFL aliou-se ao PSDB em uma dobradinha que fez o sociólogo Fernando Henrique Cardoso presidente tendo como seu vice o Marco Maciel, do PFL. A chapa foi reeleita em 1998 e o PFL foi o partido que saiu das urnas com quase 100 deputados eleitos.

Em 2002, o partido ensaiou lançar Roseana Sarney candidata ao Planalto chegando a liderar as pesquisas no início do ano eleitoral, mas foi alvejada por uma ação policial que descobriu um depósito com caixas de dinheiro pertencente a empresas de seu marido. O partido não apoiou o candidato José Serra (PSDB) por achar que a ação foi orquestrada pelo governo para tirar Roseana da disputa e o partido apoiar o tucano, então apoiou informalmente a candidatura de Ciro Gomes (PPS), mas uma parte do partido (Sarney) apoiou Lula (PT) já no primeiro turno (isso mesmo, uma parte do PFL ajudou o PT a ganhar a primeira eleição presidencial).

Contudo, o PFL foi para oposição do governo Lula. Com a alta popularidade do presidente Lula combinada com a aversão que a ampla maioria da população criou contra o liberalismo econômico, muito pelo desastroso segundo mandato de FHC, o PFL minguou, quase desaparecendo na eleição de 2006, levando os dirigentes a trocar o nome para Democratas em uma tentativa de se dissociar como um partido elitista. A ideia não deu muito certo e o agora Democratas virou de vez um satélite do PSDB.

Com a candidatura de Maia o partido tenta se refundar: mantendo o liberalismo na economia, mas incorporando a bandeira da luta contra desigualdades sociais, fim de privilégios e desperdícios de dinheiro público no seu estatuto para tentar ocupar o centro político. A proposta é boa e o principal objetivo é viabilizar a candidatura de Rodrigo Maia, que não sai de 1% a 0% dependendo da pesquisa. Ocupar um espaço deixado órfão com a queda do PSDB após a debacle de Aécio Neves e, por enquanto, Geraldo Alckmin não mostra força para reverter.

Foi um grande erro mudar de PFL para Democratas, e estavam cogitando mudar de novo até perceberem que a mudança de nome na década passada não resolveu muita coisa. Hoje, o sentimento liberal econômico está muito mais forte do que no passado e um partido com nome de Frente Liberal poderia aglutinar muitos liberais que não se sentem representados por nenhum partido.

Postulante a presidente da República não pode ter medo de ‘fofoqueiras’

Estão com interpretação errada dessa fala de Geraldo Alckmin. O governador quis dizer que o presidente Michel Temer não foi eleito presidente, e é verdade. Temer foi eleito vice-presidente, que assumiu a presidência constitucionalmente.

Já ficou muito claro que Alckmin não quer ser o candidato do governo. E, sinceramente, não está de todo errado pensando eleitoralmente. Não vai ser vida fácil o candidato governista defender o legado de um presidente reprovado por quase 90% do eleitorado que não votaria em candidato indicado por ele e 70% de reprovação ao governo.

Já criticaram até a fala de Geraldo Alckmin ao defender que o Banco do Brasil precisa continuar sendo público, mesmo defendendo a privatização completa da Petrobras. Entregar o sistema bancário do país nas mãos dos bancos privados não é recomendável. Mas é coisa de “liberteen”.

Não gosto de postulante a presidente que fica com medo do que as fofoqueiras de plantão falam. Um candidato a presidente tem que ter opinião e sustenta-la quando for pressionado pela imprensa e eleitores. Mudar quando sentir que está errado e reconhecer o erro são atitudes louváveis. Ter personalidade, porém, é imperativo e é que Alckmin tenta corrigir essa coisa não ser incisivo tão característico nos tucanos.

Radicalização do PT é ‘cortina de fumaça’. Haddad é o ‘plano B’

O day after após a confirmação da condenação de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro no TRF4 foi sangue nos olhos, provocação, ameaça de desobediência civil e o lançamento oficial da pré-candidatura do ex-presidente, mesmo com poucas chances de ter o registo deferido pelo TSE.

Mas, nos bastidores, o PT prepara Fernando Haddad para ser o “alter ego” de Lula. O próprio ex-presidente já havia colocado o ex-prefeito de São Paulo como coordenador do seu plano de governo e cita educação nos seus discursos Brasil afora. A ideia é ir apresentando Haddad aos poucos até para não esvaziar a imagem de Lula, o que é importante tanto para Lula quanto para Haddad.

Jaques Wagner, o outro nome ventilado, prefere reeleger Rui Costa governador da Bahia e assegurar uma cadeira no Senado Federal.

Acho que Fernando Haddad tem sim chance de pegar uma parcela do fiel eleitorado de Lula. É verdade que Haddad nem ao segundo turno foi na tentativa de reeleição como prefeito, mas aquele eleitorado que está com Lula até ele preso (sim, existe) pouco se importa ou nem sabe quem é Haddad. Basta ligar Haddad a Lula igual fizeram com Dilma. E com a vantagem de que Haddad é muito mais inteligente do que Dilma e não vai precisará de um João Santana para se apresentar nacionalmente.

Outra coisa que me leva acreditar na chance de Haddad ir ao segundo turno é que a linha de corte de 2018 não deve ser muita alta, pela pulverização de candidatos. É muito cedo para saber quantos candidatos realmente disputarão o pleito presidencial, mas é possível calcular de 10 a 12. Nas últimas eleições Serra (32,61%) e Aécio (33,55%) foram ao segundo turno na casa dos 30%, enquanto Marina Silva ficou de fora com 19,33%, em 2010, e 21,32%, em 2014.

Para 2018, a possibilidade de um candidato ir ao segundo turno com 25% dos votos válidos é grande. E vou mais longe: não descarto com 20%, se a disputa for com muitos candidatos competitivos no pilotão de frente.

Haddad é, sempre foi, o ‘plano b’ do PT e de Lula.