Alckmin entra no jogo

Alckmin passou a mensagem de querer ser o candidato de centro contra os extremos

Geraldo Alckmin resolveu deixar de “jogar parado” e tentar elevar seus índices bem modestos nas pesquisas eleitorais. O presidenciável do PSDB divulgou um vídeo nas suas redes sociais sobre a paralisação dos caminhoneiros.

Alckmin disse que a paralisação foi justa, que, no início, recebeu apoio da população cansada de pagar impostos e ter serviços de péssima qualidade, puxou a orelha do governo Temer pela demora em entender a gravidade da situação e, o ponto mais importante eleitoralmente, chamou de oportunistas candidatos, presos e soltos – nas palavras dele -, que partiram para o caminho do caos “sequestrando” a população em nome de suas agendas políticas e eleitorais.

Foi uma indireta bem direta para o PT e Jair Bolsonaro. A esquerda tentou catalisar a revolta dos caminhoneiros para as pautas petistas “Fora, Temer” e “Lula livre”. Enquanto Bolsonaro, uma hora defendia a greve, mas dizia que era contra bloqueios de rodovias ao ponto de ter que gravar um vídeo pedindo que os caminhoneiros fossem para casa por já ter mandado o recado aos políticos. E também teve a extrema-direita aproveitando para catalisar a paralisação para derrubar o governo por meio de um golpe militar chegando ao ponto de notícias de que intervencionistas estariam impedindo os caminhoneiros de desmobilizar a greve.

O ponto é que o vídeo de Alckmin passou a mensagem de querer ser o candidato de centro contra os extremos. Mas a questão é se o eleitor de centro sedento por uma candidatura viável percebeu e aprovou a postura do tucano. Mais importante: se está disposto a deixar a rejeição que tem tanto de Alckmin e do partido dele de lado apostando no tucano como o candidato que pode derrotar os extremos.

PT encurralado

PT chegou ao um beco sem saída

Gleisi Hoffmann pode ser uma espécie de anticandidata do PT na eleição presidencial

O Partido dos Trabalhadores vive um dilema como nunca viveu em seus quase 40 anos de existência. A dependência ao Lula chegou ao limite do limite, sem ter para onde correr. PT chegou ao um beco sem saída e seus dirigentes vão ter que queimar todos os neurônios para uma saída ao menos digna para o partido que ficou mais tempo no poder em um período democrático.

Matéria do jornal O Globo diz que o PT discute se anuncia já um nome como pré-candidato a vice-presidente de Lula. Só que esse anuncio antecipado causa consequências gravíssimas. 1) Isola ainda mais o partido e empurra de vez antigos aliados para outros candidatos de esquerda e centro-esquerda. 2) “Prende” o partido na sala de Estado-maior junto com Lula em Curitiba, porque o PT quer levar a ferro e fogo a candidatura de Lula mesmo preso e sabendo que 99% (sempre tem aquele 1% maroto “jeitinho brasileiro”) de chance da candidatura ser impugnada pelo TSE.

Escolher o vice de Lula antecipadamente é confirmar que o PT não pretende abrir mão tanto dele como ser cabeça de chapa inviabilizando qualquer acordo de aliança para ter o vice em outra chapa e libera aliados históricos como PCdoB e PSB irem para chapa de Ciro Gomes (PDT). Também comenta-se que outra saída seria uma anticandidatura para “denunciar” a “perseguição” ao Lula na eleição, a presidente do partido Gleisi Hoffmann seria essa anticandidata de protesto. Há uma outra saída que seria a saída extrema que é o PT boicotar a eleição. Essas duas últimas seriam suicídio político.

Anunciar um “vice” como disfarce do substituto de Lula é a opção menos desastrosa. Essa pessoa representaria Lula tanto agora na pré-campanha e, caso ele não consiga deixar a prisão quando começar a campanha, o inscrever como titular da chapa petista já como titular ou como vice mesmo. Seria um caso inédito do nº 2 ocupar o lugar do nº 1 durante a campanha eleitoral pelo menos até que o TSE diga definitivamente que Lula não pode ser candidato pela Lei da Ficha Limpa.

Mas há um outro problema. Quem? Jaques Wagner? Fernando Haddad? Celso Amorim?

PT vive um dilema como nunca viveu e não vejo outra saída fora as expostas acima.

Espaço vazio

Parcela do eleitorado segue procurando um nome palatável para ele. Já sonharam com Bernardinho, Huck e Barbosa.

Joaquim Barbosa desistiu – na verdade nem entrou – da disputa eleitoral presidencial. Segundo ele, depois de muita reflexão e uma decisão estritamente pessoal, não pretende ser candidato. Ex-ministro e presidente do STF, Joaquim Barbosa apareceu com um desempenho surpreendente nas pesquisas recentes empolgando o PSB. Mas o partido que Barbosa escolheu está completamente rachado e perdido sem Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na campanha de 2014. Uma ala do PSB comemorou com entusiasmo a possível candidatura de Joaquim Barbosa e as pesquisas, já uma outra ala socialista virou um pouco a cara.

Há um racha visível entre o PSB de Pernambuco, comandado pelos Arraes e o herdeiro de Campos, governador Paulo Câmara, e o PSB paulista, de Márcio França, o atual governador de São Paulo. Pernambuco tende mais ao lulismo que sempre o PSB apoiou, exceto após o rompimento de Campos com o governo Dilma em 2013; socialistas paulistas são mais próximos aos tucanos e França deseja que o partido embarque na canoa de Geraldo Alckmin.

Quem sai perdendo ou ganhado com a desistência de ser candidato de Joaquim Barbosa? Quem ganha é o Brasil: não é hora para aventuras do tipo de candidaturas como a de Joaquim Barbosa, um “outsider” que seria engolido pelo sistema, de perfil autoritário e meio nebuloso. Joaquim Barbosa não estava muito querendo se abrir e falar suas ideias, o que pensa sobre vários temas e, principalmente, ele ficou com medo da devassa que sua vida passaria pela imprensa e pelos rivais de campanha.

No campo eleitoral, o eleitor médio de Joaquim Barbosa é aquele que rejeita a política, que é mais abastado e escolarizado. É um eleitor que votava sucessivamente no PSDB, só que mais por aversão ao PT. Diria que quem pode mais herdar tais votos “órfãos” de Barbosa é Marina Silva e Jair Bolsonaro. Marina pode herdar uma parcela maior dos ex-futuros eleitores de Joaquim Barbosa, mas é apenas um exercício futurológico nada garantido.

Pelo contrário, essa parcela do eleitorado segue procurando um nome palatável para ele. Já sonharam com Bernardinho, que desistiu até de disputar o governo do Rio de Janeiro. Luciano Huck ensaiou uma candidatura, mesmo com apoio de grupos e partidos, assim como parte da imprensa, desistiu com medo de perder contratos de publicidade e o emprego na TV Globo em uma aventura política incerta. Joaquim Barbosa foi a bola da vez.

No fim das contas, o “eleitor revolts” vai ter que optar pelo velho PSDB de guerra e seu candidato da vez – Alckmin, um “outsider” que está na política por quase 30 anos, mas que não conta com o apoio do establishment – Bolsonaro, a “eterna 3ª via” – Marina. Ou surgirá uma nova figura midiática para ocupar o vácuo?

Só a partir de julho, nas convenções partidárias, é que o quadro de candidatos vai clarear. Até lá, tome “balão de ensaio” na imprensa.

Joaquim Barbosa, o “centro” que procuravam

Joaquim Barbosa se consolida como o grande “outsider”, posto ocupado recentemente por Luciano Huck

Joaquim Barbosa, que ainda hesita em oficializar a pré-candidatura, se consolida como o grande “outsider”, posto ocupado recentemente por Luciano Huck, que desistiu da candidatura optando pela carreira de apresentador e patrocinadores, além do emprego da sua esposa Angélica Huck.

Barbosa ficou conhecido no julgamento da Ação Penal 470 – o mensalão do PT – onde foi o relator do caso no STF e recebeu enxurrada de críticas da esquerda e foi colocado no pedestal pela direita. Foi o primeiro presidente negro do STF e antecipou a aposentadoria no tribunal em 2014. De família humilde, a história do mineiro tem semelhança com a de Lula, mas diferente do presidente que o indicou ao STF, Barbosa subiu na vida longe do sindicalismo e da política.

Na presidência do CNJ ordenou os cartórios a reconhecer o casamento gay de acordo com a decisão do STF de 2011, que reconheceu a constitucionalidade da união homoafetiva.

Joaquim Barbosa é o “centro” que a mídia tanto procura, um social-democrata com tendência liberal.

Doria e França tendem a polarizar eleição paulista

Datafolha também divulgou pesquisa eleitoral para governador de São Paulo. João Doria (PSDB) aparece na liderança nos dois cartões pesquisados: um com Paulo Skaf (MDB) e outro sem Skaf. No primeiro, Doria está com 29% das intenções de voto, Skaf fica com 20%, atual governador Márcio França (PSB) aparece com 8%, Luz Marinho (PT) fica com 7%. Candidato que foi líder do movimento “Vem Pra Pra Rua”, Rogério Chequer (NOVO) pontua 2%. No segundo, sem Skaf, Doria aumenta para 36%, França assume o segundo lugar com 10%, Marinho sobe para 9% e Chequer para 3%.

São cenários que deixam a eleição paulista imprevisível. Os paulistanos ficaram muito bravo por Doria ter deixado o cargo de prefeito para ser candidato e sua rejeição na capital disparou. Sua liderança na pesquisa está ancorada na força do PSDB no interior do estado. Mas França tem a máquina pública e pode “capturar” prefeitos para sua órbita.

A eleição em São Paulo tende a polarizar entre Doria e França, com Doria disputando contra até integrantes do próprio PSDB e uma falsa isenção de Geraldo Alckmin, que no fundo tende para o lado de seu ex-vice. Alckmin ainda tem mágoa do ex-prefeito, que sem o ex-governador não teria conseguindo a candidatura em 2016, de ter “puxado seu tapete” tentando se viabilizar candidato a presidente em 2017.

No fundo, o próprio Doria ainda nutre esperança de ser o candidato presidencial em caso de Alckmin não conseguir viabilizar alianças que dê grande suporte eleitoral para sua campanha e seu nome continue com 1 dígito nas pesquisas, além das investigações de caixa 2 nas campanhas de 2010 e 2014 não avançarem.

Enquanto isso, a disputa Doria e França deve ser bem agressiva mutuamente.