Eleição sem Lula é fraude?

PT e satélites decidiram afrontar a justiça brasileira e as leis e não vão aceitar outro resultado se não a absolvição de Lula no TRF4 de Porto Alegre. Em julho de 2017, Sérgio Moro condenou Lula a 9 anos e meio de prisão pelo crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Lula recorreu e a 8ª turma composta por três juízes vai decidir se mantém ou reforma a sentença de Moro.

Só que em caso de manutenção da condenação Lula ficaria inelegível por 8 anos e o PT não tem outro candidato para as eleições de outubro. Apesar de ter recuperado poder eleitoral e liderar as pesquisas mesmo após a condenação e responder outros 6 processos, Lula não tem mais o poder de transferir votos suficientes para eleger “postes”, o percentual de quem votaria com certeza em um candidato indicado pelo ex-presidente caiu de 38%, em 2013, para 29%, não votaria em um candidato indicado por Lula está em 48%. (DATAFOLHA – DEZ/2017) E o PT levou um tombo forte nas eleições municipais de 2016.

A Lei da Ficha Limpa é de 2010, de iniciativa popular e aprovada pelo Congresso, passou a valer nas eleições de 2012. Acho essa lei uma lei-babá e com erros, que trata o eleitor como um débil mental que não sabe votar e elege candidatos com a ficha mais suja que um galinheiro. É uma lei que não diferencia crime comum ou de corrupção de uma falha técnica burocrática das contas de um prefeito, por exemplo. Fora que fere a presunção de inocência, já que condena politicamente antes do trânsito em julgado, por isso existe uma brecha que pode beneficiar Lula, em caso do TRF4 confirmar a condenação. Mas com um custo alto: tornaria o processo prioritário no STJ e aceleraria a sentença final.

A realidade é que o brasileiro ainda não aprendeu a usar o poder do voto. Compreensível para um povo que ficou sem poder votar para presidente por quase 30 anos e um país com uma desigualdade brutal dependente do Estado e de políticos que se aproveitam e montam “currais eleitorais”, praticamente escravizando populações na miséria para distribuir benesses.

Então, a Lei da Ficha Limpa acaba sendo um mal necessário para barrar candidatos com problemas judiciais e afastar por determinado tempo políticos que cometeram alguma ilegalidade. Fazer campanhas do tipo “eleição sem Lula é fraude” com manifesto na internet e acusando uma perseguição das elites em conluio com a imprensa e a justiça – lawfare – só suja as instituições brasileiras. Lula teve e tem amplo direito de defesa. Isso apenas suja o nome do Brasil lá fora.

Não torço contra ou a favor. Justiça não é um jogo para ter torcida nem a favor, nem contra. O que eu posso fazer é esperar que os desembargadores julguem se a sentença do juiz da primeira instância julgou dentro da lei e se há provas para manter a condenação.

Respondendo a pergunta do título, não. Eleição sem Lula não é uma fraude.

Jair Bolsonaro fecha com PSL e deixa o PEN ‘a ver navios’

O hoje segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto para presidente e primeiro sem o Lula na disputa, Jair Bolsonaro mandou o PEN, que estava em processo para trocar de nome para Patriota, a pedido do próprio Bolsonaro, para o espaço e vai se filiar ao PSL.

Em nota assinada pelo presidenciável e o presidente da legenda Luciano Bivar, eles afirmam que “Tanto para o presidente Luciano Bivar, quanto para o deputado Jair Messias Bolsonaro, são prioridades para o futuro do país, o pensamento econômico liberal, sem qualquer viés ideológico, assim como, o soberano direito a propriedade privada e a valorização das forças armadas e de segurança. Ambos comungam também da necessidade de preservar as instituições, proteger o Estado de Direito em sua plenitude e defender os valores e princípios éticos e morais da família brasileira”.

Bolsonaro e Adilson Barroso se desentenderam porque o candidato queria 23 de 27 diretórios do PEN/Patriota, segundo Barroso. Já Bivar, segundo informações, aceitou que o Bolsonaro tenha total autonomia no partido e pode ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo deputado.

Com a chegada de Jair Bolsonaro ao PSL, que poderá mudar de nome, o movimento Livres vai sair do partido que tentava ter maioria para controla-lo. Livres e Bolsonaro divergem em muitos pontos. O movimento acusa o deputado-militarista de ser estatista de direita e ser contra a liberdade individual em casos da sexualidade e na questão das drogas – Livres é um movimento liberal “puro”.

O grande problema do Livres, que é uma ideia boa em defesa do liberalismo na política institucional, é justamente esse puritanismo de não querer se misturar com conservadores ou quem é mais ortodoxo. Após surgir a notícia de Bolsonaro no PSL, sugeriram que o Livres fosse para o partido NOVO, mas alguns adeptos do Livres acham a direção nacional do NOVO centralizadora. Essa galera libertária e anarcocapitalista não entende que só com união se ganha uma guerra e isso vale para política.

A esquerda é muito mais unida que a direita no Brasil. Também há divergências sérias no campo esquerdista, mas na hora das eleições deixam por um momento as divergências de lado para derrotar o outro lado.

Ano de Copa e Eleição é sempre especial

O brasileiro vai ter um acerto de contas com o passado e o presente quando de frente para a urna pensando no futuro

2018 está batendo na porta. É ano de Copa do Mundo. E também de eleição no nosso Brasil. Essas eleições gerais prometem lembrar a eleição de 1989, a primeira após a redemocratização e o fim da ditadura militar.

Vai ser uma eleição polarizada, tensa e do mesmo nível de baixaria de 2014. Só que a baixaria vai sair da TV e do horário eleitoral para a internet, com todo tipo de notícia falsa e boatos caluniosos contra candidatos que mais se destacarem no processo eleitoral. Provavelmente, nessa eleição não haverá mais os megas filmes publicitários das recentes eleições. É uma das inúmeras vantagens de uma disputa mais enxuta, sem doações de empresas.

Já houve a experiência nas eleições municipais de 2016 e chegou a vez de testar na eleição para presidente, governadores de estados, 2/3 das vagas do Senado e renovação na Câmara Federal, distrital e assembleias estaduais. O dinheiro será escasso, apesar da aprovação do fundo público aprovado na reforma eleitoral de 2017.

Tudo indica que será uma eleição presidencial pulverizada em diversos candidatos assim como em 1989. O brasileiro, em geral, está desiludido ao extremo. Ferido. Raivoso. Desesperançoso. Já são 3 anos de crises econômica, política e institucional. A Lava Jato completará 4 anos tendo dizimado praticamente todos os grandes partidos, com um misto de razão e exageros.

Mas a máquina partidária e o tempo no horário eleitoral ainda fazem diferença. O brasileiro vai ter um acerto de contas com o passado e o presente quando de frente para a urna pensando no futuro. A grande dúvida é se ele aprendeu com erros do passado ou a fúria do presente vai falar mais alto e votar com o fígado; atrás de um “salvador da pátria”, de um messias embarcando nos discursos fáceis e populistas mais uma vez.

Se na hora H vai pensar duas vezes e calcular que essa eleição é o marco zero de uma escolha do país que queremos, do futuro e optar pela razoabilidade nem que no primeiro momento seja impopular, mas vai gerar frutos saudáveis. E um novo jeito da população pensar o país florescer.

Não sou tão otimista. Acho que o brasileiro vai votar mais ou menos como vota sempre e olhar primeiro para o seu quintal antes do global. A tão falada renovação no Congresso deve ficar nos parâmetros normais, com ciclos mais progressista e conservador. Talvez o próximo ciclo seja mais equilibrado ou um lado consiga sobressair na guerra de narrativas.

Independente do resultado que ele seja dentro do jogo democrático, que o resultado eleitoral não seja contestado. Seja debatido e não contestado por qualquer motivo. Pedir tolerância nos tempos atuais é pedir o impossível. Possível, porém, torcer pelo espirito democrático e sentimento de unidade de nação prevaleça ante os instintos selvagens que cada indivíduo possui.

São meus votos para 2018 em que se inicia apocalíptico. Que seja o fim de uma era e o começo de uma bem melhor, mesmo não sendo muito otimista.

Huck fora do jogo eleitoral

É a terceira tentava fracassada de um “outsider”

Luciano Huck bateu o martelo e decidiu que não será candidato a presidente da República em 2018. Em artigo na Folha de São Paulo, Huck justificou seus encontros com personalidades da política, do mercado financeiro, ativistas e o motivo de não sair candidato: família.

Foi o que deu para tirar do texto. De resto, um monte de amontoados de clichês sobre os políticos, os problemas do Brasil, mas sem apontar uma solução para nada. Além de se autopromover, o que ele sabe fazer muito bem.

Não duvido que o apelo da família foi um dos motivos para Huck não embarcar na política neste momento, como ele colocou no artigo, e sim o ultimato da TV Globo: Se ele fosse realmente se candidatar tinha de se afastar de seu programa na emissora em dezembro, sem volta. E também valia para sua mulher Angélica.

Ao menos, o Brasil escapou da versão para 2018 do Silvio Santos de 1989 ser o apresentador global. Huck representava e ainda representa – frisou que não seria agora – a antipolítica mais caricata possível.

É a terceira tentava fracassada de parte da imprensa e partidos lançar um nome fora da política, um “outsider”. O juiz Sergio Moro foi o primeiro, mas não se deixou levar pela plateia ensandecida; o prefeito João Doria foi o segundo, que se antecipou ao processo eleitoral e se queimou; Huck foi a bola da vez. Façam suas apostas para o próximo.

Luciano Huck candidato já é realidade

É a antipolítica encarnada.

Eliane Cantanhêde diz que a candidatura de Luciano Huck à presidência da República começa a se concretizar. Cantanhêde escreve, em seu blog no Estadão, que Huck vai se filiar ao PPS até o dia 15 de dezembro.

Com legenda disponível (PPS), Armínio Fraga fazendo ponte com mercado financeiro, Huck ainda precisaria se cacifar conseguindo pontos nas pesquisas, apoio de várias camadas da sociedade e apoio de legendas que garantem a ele um bom pedaço do bolo de tempo de rádio e TV.

Não sei se seria informação, balão de ensaio ou vontade da Cantanhêde, o PSDB seria o avalista político de Huck. Seria a pá cal no partido da Social Democracia.

Huck será candidato pelo movimento Agora de Ilona Szabó (queridinha da imprensa progressista), se apresentando como o “novo”, o PPS será apenas uma ponte. É a antipolítica encarnada. Pior que nessa procura desesperada da imprensa, intelectuais, artistas, aventureiros, por essa sanha justiceira, em busca de um candidato fora da polarização Lula-Bolsonaro, ele pode surpreender.

Inexplicável Roberto Freire usar o PPS (herdeiro do Partidão PCB) como catapulta de Luciano Huck. Viu a chance de chegar ao poder, mesmo a reboque de uma celebridade se aproveitando do sentimento de ódio aos políticos.

Também inexplicável Armínio Fraga usar seu prestígio como avalista da candidatura de Luciano Huck. Muito medo de Lula e Bolsonaro ou muita vontade ser ministro manda-chuva. Ou as duas coisas.

Se o Luciano Huck entrar para política e mesmo perdendo a eleição presidencial se candidate a outros cargos (deputado, senador, governador, prefeito) de outras eleições, ele vai mostrar que não foi só oportunismo e vai ganhar meu respeito. Agora, se candidatando só para presidente e saindo da política do mesmo jeito que entrou, Huck vai confirmar o que falam dele.