TSE ratifica eleição de Britinho e Guto Mota

Ministros entenderam não haver motivos para cassar a candidatura de Guto

A chapa vencedora na eleição de 2020 em Tejuçuoca-CE, cerca de 150 km de Fortaleza, pode comemorar novamente.

O Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial contra a decisão do TRE-CE que deferiu a candidatura do vice-prefeito eleito de Tejuçuoca, João Augusto Goes Mota. Por 7 votos a 0, os ministros entenderam não haver motivos para cassar a candidatura de Guto por falta descompatibilização da União dos Vereadores do Ceará (UVC).

José Antunizio de Brito (Britinho) e Guto Mota foram eleitos prefeito e vice-prefeito com 7.476 votos (59,10% dos votos válidos), ambos são filiados ao PSD, partido que teve forte crescimento no Ceará e no Brasil nas urnas.

Agora a dupla, juntamente com os 11 vereadores eleitos na eleição do dia 15/11, receberão o certificado da Justiça Eleitoral, até o dia 18/12, autorizando a posse para exercer o mandato a partir de 1° de janeiro de 2021 a 31 de dezembro de 2024.

O grande acerto da CNN Brasil

A CNN Brasil acertou no alvo com a edição especial de o Grande Debate. Na noite da última segunda-feira (30/11) Caio Coppolla, Gisele Soares, Thiago Anastácio e Bruno Salles debateram sobre as eleições de 2020 em um modelo dinâmico, civilizado, cada um com seu ponto de vista, enfim, enriquecedor para quem assistiu. Muito melhor que as edições normais de o Grande Debate.

Carla Vilhena foi muito bem na mediação.

Espero que a CNN torne fixo o modelo do Grande Debate Especial. Não precisa ser diariamente para não desgastar a fórmula. O ideal seria semanalmente ou uma edição mensal.

Para quem ainda não assistiu vale a pena separar 1 hora e meia para conferir essa adaptação inovadora do quadro de sucesso da CNN americana.

Eleição em Tejuçuoca segue nos tribunais

A pendenga foi parar em Brasília-DF e a última palavra está com os 7 ministros da instância máxima da JE

A eleição em Tejuçuoca, a 148,5 km de Fortaleza (CE), não terminou. Na urna deu a oposição com o candidato José Antunizio de Brito, Britinho, e seu vice Guto Mota (PSD), conquistando 7.476 votos contra 5.174 votos da atual prefeita Heloide Estevam (MDB). Foi então que a coligação MDB-PT recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impugnar o vice-prefeito eleito por falta de descompatibilização da entidade que preside, a União dos Vereadores do Ceará (UVC), provocando a queda da chapa toda e, consequentemente, a realização de uma nova eleição (suplementar). O caso é complicado para quem não entende a legislação eleitoral e até para quem entende um pouco.

João Augusto Goes Mota, o Guto Mota, foi eleito presidente da UVC em 2019. Mas, em março de 2020, se licenciou do cargo para disputar a eleição em sua cidade. Primeiramente, disputaria mais um mandato de vereador (está em seu terceiro). Como o ex-prefeito João da Silva Mota Filho (DEM), que é seu pai, teve problemas e renunciou ao cargo de vice-prefeito da chapa de oposição, Guto foi o escolhido como substituto e o grupo político liderado pelo ex-prefeito Edilardo Eufrásio (MDB) descobriu uma controvérsia no pedido de licença de Guto.

Desde então virou um cabo de guerra na Justiça. A juíza em 1º grau negou e deferiu o registro. O processo subiu para o TRE-CE e por unanimidade os ministros entenderam que o fato de Guto ter assinado uma resolução estendendo sua licença da diretoria da UVC não caracterizaria que ele estaria no cargo e se aproveitando para sua campanha. A defesa alega que o candidato estava licenciado desde março e teve que assinar a polêmica resolução de julho por causa da PEC 18/2020, que adiou as eleições municipais de outubro para novembro por conta da pandemia.

A coligação da prefeita também levanta problemas como foi feita a substituição do vice na chapa de oposição, que a reunião que aprovou a desistência do partido Democratas (DEM) de indicar o vice não respeitou a lei eleitoral. Os ministros do TRE-CE entenderam que isso é questão interna dos partidos. A pendenga foi parar em Brasília-DF e a última palavra está com os 7 ministros da instância máxima da Justiça Eleitoral.

Edilardo está em Brasília e disse que foi lá tentar destravar verbas para o município como deputado estadual e para provar que o candidato Guto não poderia ser candidato a vice-prefeito. Fez ainda desafio ao prefeito eleito, que pedirá desculpas públicas se estiver errado e se ele – Britinho – faria o mesmo. O julgamento pode acontecer nos próximos dias – já se encontra no plenário do tribunal – antes da diplomação dos eleitos, que está marcada para o dia 18/12.

O Brasil caminha para o centro

Se em 2018 o antipetismo foi fundamental para eleger o atual presidente, 2020 mostrou o crescimento do antibolsonarismo

Gustavo Barbosa

Existe uma frase popular que diz assim: “quando acaba uma eleição, começa outra”, e isso é tão verdade que os partidos e políticos usam os resultados eleitorais de uma eleição para se adaptar na seguinte. Seguindo essa premissa, é necessário entender o que disse o povo nas urnas esse ano e como isso poderá afetar 2022, mas uma coisa é certa: o brasileiro está cansado.

Ao olhar o resultado das urnas em todo o Brasil ficou muito claro que os brasileiros estão buscando uma saída que fuja dos extremos, já que os partidos de centro dominaram as urnas. MDB e PSDB foram os partidos que mais elegeram Vereadores e Prefeitos esse ano, mas tiveram números menores que em 2016, evidenciando também o desgaste de partidos que estiveram sob os holofotes nos últimos anos. DEM, PSD, e PP foram os grandes vencedores da eleição, já que estão entre os que mais elegeram nesta eleição e tiveram crescimento em relação à 2016.

O DEM, que já vinha dominando Brasília com a Presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, terminou a eleição emplacando quatro prefeitos de capitais: Rafael Greca em Curitiba, Gean Loureiro em Florianópolis, Bruno Reis em Salvador e Eduardo Paes no Rio de Janeiro. Com toda essa força, é provável que o partido vá buscar com o PSDB uma aliança com MDB, PSD, PP e quem mais tiver interesse em uma frente ampla para derrotar Bolsonaro em 2022.

A ausência de Bolsonaro nas eleições municipais prejudicou ainda mais o cenário para sua reeleição, já que dos poucos candidatos que ele apoiou através de uma publicação no facebook, nenhum foi eleito nas capitais. Marcelo Crivella e Celso Russomanno, candidatos no Rio de Janeiro e São Paulo e apoiados pelo Presidente, foram humilhados nas urnas. O primeiro teve menos de 1 milhão de votos e não foi reeleito, o segundo saiu de primeiro lugar nas pesquisas e terminou amargando a quarta posição. Esses também são claros sinais do crescimento de um sentimento antibolsonarista pelo Brasil.

No campo da esquerda veio a rejeição aos extremos com as derrotas de Guilherme Boulos do PSOL, Manuela D’avila do PCdoB e a consolidação de uma tendência dos últimos anos: a falência do PT. O partido não elegeu um prefeito sequer nas capitais brasileiras, fato que nunca ocorreu desde a redemocratização, e isso é um sinal muito claro que o antipetismo – que foi fundamental na eleição de Bolsonaro – está mais vivo do que nunca. A dúvida é se vão ter a humildade de entender que o partido não tem mais imagem para assumir um protagonismo nacional ou se vão cometer o mesmo erro de 2018 ao entrar na eleição com um candidato próprio enquanto Lula estava preso e Dilma desgastada após o impeachment, entregando de bandeja a eleição ao adversário.

O PSOL foi o grande vencedor dos partidos de esquerda, já que emplacou os vereadores mais votados de cinco capitais: Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e Aracaju. Além disso, venceu a Prefeitura de Belém com Edmilson Rodrigues, Deputado Federal que derrotou Eguchi, um delegado que chegou no segundo turno alegando seguir os ideais de Bolsonaro. O principal nome do partido, Guilherme Boulos, perdeu em São Paulo mas saiu com gosto de vitória, já que em 2018 recebeu pouco mais de 600 mil votos como candidato à presidência, e em 2020 recebeu mais de dois milhões de votos só na capital paulista.

Boulos suavizou sua imagem assim como fez o Lula em 2002, buscou falar mais de propostas que atingem a população mais pobre e até apoio de empresários teve, mas insuficiente para ganhar uma eleição porque o paulista – assim como os brasileiros em geral – mostraram não estar procurando candidatos com discursos mais extremos. Apesar disso, Boulos e PSOL ganharam forças para disputar o protagonismo entre os partidos de esquerda, mas ele ainda vai precisar sentar com dois personagens de ego inflados para tratar sobre 2022: Lula e Ciro Gomes.

Passada as eleições municipais, é hora de começar a pensar a disputa contra Jair Bolsonaro nas próximas eleições, e se em 2018 o antipetismo foi fundamental para eleger o atual presidente, 2020 mostrou o crescimento do antibolsonarismo, que embora ainda não seja tão forte, comprova a preferência dos brasileiros por algo mais moderado no futuro.

A saída para encurtar a vida de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto passa necessariamente por uma frente ampla de partidos, e ficou claro que um programa de centro com visão popular e liberalismo social tem vez, mas para isso é necessário que os lados saibam ceder. O PT, PSOL, PCdoB e PDT aceitarão compor uma frente com partidos que até pouco tempo chamavam de golpistas? o NOVO aceitará compor com partidos que considera da velha política? PSDB, DEM e PSD aceitarão ceder aos anseios da esquerda?

Todas essas diferenças precisam ser resolvidas em breve para que não cometam o erro de dividir votos do mesmo lado, mas para sairmos dessa disputa polarizada que tem sido extremamente danosa ao país é necessário que todos entendam que só tem um caminho para salvar o Brasil: a moderação.

Eleições 2020 – Ceará: alerta no clã dos Ferreira Gomes

Em Fortaleza, Capitão Wagner (PROS) sai maior dessa eleição apesar da derrota e o vencedor, José Sarto (PDT), vai precisar mostrar serviço após o resultado surpreendente das urnas. Wagner consegue melhorar o resultado de 2016 tendo a prefeitura, o governador do estado e todo o establishment político local na candidatura do adversário.

Sarto tinha uma ampla coligação e ganhou o apoio de praticamente de todos os partidos dos outros candidatos do primeiro turno. Mais do que isso: Ibope da véspera da eleição cravava 61% a 39% para o candidato do PDT. Abre-se as urnas e ele venceu com 51,69%. Pesquisa com 10 pontos de margem de erro é impossível e inaceitável. O resultado de uma pesquisa eleitoral influencia em qualquer eleição. Dependendo do resultado desmotiva a campanha, a militância e o eleitor.

Pior do que aconteceu em Fortaleza, foi em Caucaia. O Ibope dava na véspera 62% dos votos válidos a Naumi Amorim (PSD), atual prefeito e aliado do governador Camilo Santana (PT), e 38% a Vitor Valim (PROS). Valim venceu a eleição com 51,08%.

O clã dos Ferreira Gomes precisa pegar o resultado de Fortaleza e Caucaia, as duas maiores cidades do estado, para uma análise. Se foram apenas resultados inesperados ou bateu o cansaço do grupo político que manda no estado. Seja que conclusões serão tiradas dos resultados do dia 29, o sinal de alerta foi ligado no Palácio da Abolição (sede do governo estadual).