Mais do que a democracia, são as instituições que estão em risco

Está se confirmando o alerta que muitos faziam na pré-eleição de 2018: a vitória de Jair Bolsonaro era uma ameaça real. Em pouco mais de um ano como presidente, uma lista extensa de falas e atos ferindo o decoro do cargo resvalando em crime de responsabilidade, que para muitos juristas já seria suficiente para ao menos a abertura de processo de impeachment ou denúncia penal no STF.
Mas o presidente conta com três “escudos” para escapar de responder por seus atos. O primeiro é a Constituição, que ele desrespeita continuamente e deixou claro não gostar ainda como deputado baixo clero, Bolsonaro usa de escudo o artigo 86, principalmente o inciso 4º:
§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.
Já o segundo escudo é a popularidade estabilizada em 30%, variando para cima e para baixo dependendo do momento das pesquisas realizadas. E o terceiro escudo é o apoio da elite financeira e econômica.
Esses fatores blindam o presidente que não tem base parlamentar e fuzilou com o próprio partido para criar um que o cultue. E a própria classe política está desconfiada de embarcar em um novo e desgastante processo de impeachment menos de quatro anos do traumático impeachment de Dilma Rousseff.
Mais do que a democracia, são as instituições que estão em risco. A estratégia é minar as instituições e destruir freios e contrapesos que impedem o projeto de poder autoritário. Em um Estado fascista cabe eleição, mas não cabe imprensa livre, cultura pensante, educação sem ideologia. Justamente as três áreas que o bolsonarismo tenta destruir e aparelhar.
A Folha de São Paulo fez um editorial contundente, praticamente declarando guerra aberta ao governo Bolsonaro. Outros órgãos de imprensa que não se curvaram pelas benesses do poder ou sucumbiram precisam fazer o mesmo.
Está chegando no limite, o ponto de não retorno. Não é mais possível contemporizar seja pela economia e reformas ou por medo do PT e a esquerda voltarem com um governo que diuturnamente ataca as instituições da República e organizações civis no seu projeto de poder. Forças democráticas (se restou alguma) precisam pôr um freio antes do ponto de não retorno.
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A esquerda precisa parar de pegar no pé dos eleitores arrependidos e no pessoal de centro por puro ressentimento da última eleição. Não é hora para sentimento vingativo e agindo assim a esquerda só se isola politicamente repetindo 2018.
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O Congresso Nacional se desmoralizará (ainda mais) se não convocar (nada de convite) o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Gal Augusto Heleno para se explicar e dizer quem chantageia o governo.