Governo Bolsonaro atinge 48% de rejeição, mas mantém aprovação acima de 30%

PoderData/Band realizou nova rodada para avaliar a aprovação do governo de Jair Bolsonaro. A rejeição do presidente subiu 7 pontos e atingiu 48% de ruim e péssimo.

A oposição está comemorando a disparada da rejeição ao governo, mas o presidente mantém aprovação popular acima de 30% de ótimo e bom.

O fim do auxílio emergencial talvez seja o principal motivo de Bolsonaro perder a popularidade que ganhou no segundo semestre de 2020. Também a dificuldade na vacinação contra o coronavírus. Por isso o governo corre para aprovar uma nova rodada do auxílio no valor de R$ 200 e R$ 250 e mudou o discurso sobre a vacina.

Ibope confirma Bolsonaro em alta, mas mal-estar com a economia

A reeleição de Bolsonaro passa pela economia

A avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro continua se recuperando atingindo 40% de ótimo e bom, a reprovação caiu para abaixo de 30%, segundo pesquisa Ibope encomendada pela CNI. Bolsonaro está conseguindo algo que poucos imaginavam que seria possível penetrar nas cidadelas do lulopetismo, principalmente no Nordeste. Deve-se ao auxílio emergencial, não é possível minimizar sua força, mas não só.

A postura do presidente mais de acordo com o cargo sem perder a genuinidade popular que o conecta com o povo também ajuda e obras e ações que beneficiam diretamente comunidades. Um governo quando entra no poder uma das primeiras ações é paralisar obras iniciadas ou planejadas dos antecessores. Por dificuldade de caixa, o atual governo tocou obras paradas mais próximas de finalizar, privatizações de rodovias, portos e aeroportos já engatilhadas. Merece aplauso – e não crítica – o governo que não abandona uma obra por ter a marca de outro governo. O povo reconhece que o governo está enfrentando tormenta violenta e evitou o pior, mesmo debaixo de uma oposição sistêmica de todos os lados.

Mas a mesma pesquisa Ibope traz um alerta. Só a segurança pública tem maioria aprovando a atuação do governo (51% x 45%). No meio-ambiente as “manchetes incendiárias” estão funcionado (37% x 57%); a saúde não vai bem (43% x 55%), apesar da população não ter embarcado na narrativa que o presidente é o “genocida” responsável pelas quase 140 mil mortes pela covid-19; na educação o novo ministro Milton Ribeiro pegou um MEC paralisado da gestão Weintraub (44% x 52%); e é das áreas ligadas à Economia do “Posto Ipiranga” que vem o alerta principal: emprego (37% x 60%), combate à inflação (38% x 56%), taxa de juros (30% x 64%), impostos (28% x 67%).

Os números comprovam o fracasso de Paulo Guedes em quase dois anos de governo. Pode ser pouco tempo de avaliação, mas a equipe econômica tão elogiada no início não apresenta um plano de retomada consistente para a economia. Excesso de dogmatismo propondo propostas surreais (a última é meter a faca no Simples Nacional estrangulando microempreendedores) e a falta de interlocução provocada por um ministério hipertrofiado. A ideia de um “super ministério” se mostrou errada.

A reeleição de Bolsonaro passa pela economia e os números da pesquisa Ibope mostram que o empregado do presidente está desagradando a maioria do chefe dele (o eleitor). Antes da pandemia Guedes já havia levado um ultimato presidencial para mostrar resultado na questão do desemprego. O ministério trabalhou bem e minimizou o estrago do radical fecha tudo de governadores e prefeitos, o plano de redução de jornada e corte de salário compensado pelo governo evitou que o desemprego atingisse os 20 milhões. Mas não se tem um plano robusto e factível para depois. Apenas a fixação de desonerar a folha das empresas acompanhada do fantasma da CPMF.

Bolsonaro tenta se equilibrar entre consolidar o seu potencial novo eleitorado sem desagradar a Faria Lima. Mas creio que até a Faria Lima já cansou das palestras de Paulo Guedes.

Venceu a Educação

novo-fundeb

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de terça-feira (21) em dois turnos o novo FUNDEB. Com a aprovação da PEC 15/2015, de autoria da ex-deputada Raquel Muniz e relatada pela deputada Professora Dorinha Seabra (DEM/TO), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica passa a ser permanente e terá acréscimo escalonado de repasse do governo federal dos atuais 10% até chegar a 23% em 2026. O texto aperfeiçoa também critérios de distribuição. O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou de última hora mexer no texto da relatora para tirar proveito eleitoral.

Depois de ignorar por mais de um ano e meio as discussões na comissão de educação, o governo queria a aplicação das novas regras só em 2022. Alegou que não faltariam recursos para a educação básica em 2021. O problema é que não teria uma lei para garantir essa promessa. Tentou uma manobra fiscal para usar a verba da educação – livre do teto de gasto – para o futuro Renda Brasil, que substituirá o Bolsa Família. Manobra constitucionalmente questionável e de eficácia duvidosa.

Governo queria um voucher para colocar crianças em cheches particulares dizendo que diminuiria o déficit de vagas. Essa turma da equipe econômica do ministro Paulo Guedes deveria sair das suas bolhas e fazer uma visitinha ao mundo real. Poderia diminuir nas grandes e médias cidades, mas e nos rincões afastados sem creches privadas ou com vagas insuficientes?

A verdade é que a guerra cultural travada pelo bolsonarismo paralisou o MEC desde o primeiro dia do governo. Já são quatro ministros em 18 meses. O primeiro foi um colombiano sem experiência administrativa indicado por Olavo de Carvalho. Sem experiência no setor público educacional e após ser ridicularizado por falta de projetos pela deputada Tabata Amaral (PDT-SP), caiu.

Para o lugar de Ricardo Velez Rodriguez, o bufão Abraham Weintraub. A “balbúrdia” se instalou desde o primeiro dia da gestão Weintraub. Não soube explicar a diferença de contingenciamento orçamentário de corte, cometeu erros crassos de português no Twitter e em documentos oficiais, brigou com o mundo “comunista” acadêmico, criou confusão com o Congresso, STF, a China. A sua permanência no cargo ficou insustentável após a reunião ministerial de 22/04 ao mostrar seu descontentamento com uma aproximação do governo com a classe política (especialmente o baixo clero do centrão) e sua vontade de prender os políticos e ministros do STF. O ex-ministro responde a dois inquéritos, um que desceu para primeira instância ele é acusado de racismo contra o povo chinês e outro para investigar sua fala na reunião ministerial que continua no STF.

Bolsonaro tentou o militar Carlos Alberto Decotelli. Caiu antes de tomar posse após ser descoberto que ele é um mitomaníaco de currículo. O presidente resolveu colocar o pastor evangélico Milton Ribeiro, que mal sentou na cadeira e foi diagnosticado com COVID-19. Mas o pior foi ter tido suas funções usurpadas pelo ministério da Economia na discussão do FUNDEB.

A vitória ainda parcial de ontem – tem a votação no Senado – não foi da oposição e da esquerda, foi da educação brasileira que corria risco de retroceder anos sem a garantia de receita no próximo ano e as mudanças no texto propostas pelo governo tivessem sido aprovadas. Somaria a um quadro já ruim pela estúpida guerra ideológica e a paralisação de meses das aulas por causa da pandemia. Os quase 500 votos nos dois turnos foram possíveis pela mobilização a favor da educação que juntou pessoas de centro, direita e esquerda em uma verdadeira frente ampla.

Que sejam lembrados os 7 parlamentares que votaram contra e os governadores que não assinaram carta em apoio ao projeto do Congresso Nacional para o FUNDEB.

Pandemia afeta imagem do presidente Bolsonaro, mas seu núcleo duro é resistente

Apesar do derretimento presidencial, crises sucessivas, a opção pelo impeachment não é uma saída crível

Mesmo a pandemia da Covid-19 trincando a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pesquisa Datafolha via telefone mostra sua base sólida e inquebrável. Aprovação ao presidente na crise sanitária com desdobramento econômico e social é praticamente a mesma das pesquisas realizadas de modo convencional (presencial).

No entanto, ao comparar com as avaliações do ministro da saúde, Henrique Mandetta, e dos governadores, a aprovação dos mesmos e do ministro do próprio presidente na crise é maior.

A pesquisa também mostra rejeição na parte populacional mais rica e instruída, que formaram a base da vitória de Bolsonaro em 2018. E a reprovação de 68% ao ato de sair para cumprimentar manifestantes na manifestação contra as instituições do dia 15, mesmo aguardando o teste para saber se estava infectado (negativo em dois testes podendo fazer um terceiro depois que 23 da comitiva que foi aos EUA testaram positivo).

O presidente perdeu 15% dos votos que obteve no segundo turno; se extraímos esses votos temos 8,6 mi a menos, justamente os votos que ele somou aos que teve no primeiro turno. Fernando Haddad teve 47,0 mi, ou seja, só precisaria que 2 ou 3 mi desses que se dizem arrependidos migrassem para a virada que não conseguiu na eleição.

A volta dos “panelaços” quase espontaneamente já era um sinal que uma parcela significativa da população não gostou do tom do presidente macaqueando Donald Trump. Mesmo o governo tomando medidas para conter o avanço do vírus e enviando ao Congresso pedido para decretar calamidade pública (aprovado), o presidente continua adotando a postura de desdém do problema, de atacar governadores que tomam ações mais draconianas no combate a Covid-19 que inevitavelmente afetam a economia – mas necessárias.

Apesar do derretimento presidencial, crises sucessivas, a opção pelo impeachment não é uma saída crível – apenas a fração mais radical da oposição está levantando a bandeira do impedimento. Além de um longo caminho processual e ser traumático, tudo que Bolsonaro deseja é a abertura de um processo de impeachment sem as condições para ser aprovado, como houve contra Trump. O bolsonarismo se alimenta dos medos na população e de confrontos contra alvos que amplifica ou fabrica.

Rodrigo Maia já confidenciou a aliados que vai engavetar os pedidos de impeachment que chegarem à sua mesa. Maia sabe que abrir um processo de impeachment faria o jogo que Bolsonaro sabe jogar e gostaria. Mas instituições e sociedade civil precisam ficar em alerta para arreganhos golpistas – tipo cogitar estado de sítio usando a pandemia como desculpa.

É hora de um basta antes do pior

Mais do que a democracia, são as instituições que estão em risco

Está se confirmando o alerta que muitos faziam na pré-eleição de 2018: a vitória de Jair Bolsonaro era uma ameaça real. Em pouco mais de um ano como presidente, uma lista extensa de falas e atos ferindo o decoro do cargo resvalando em crime de responsabilidade, que para muitos juristas já seria suficiente para ao menos a abertura de processo de impeachment ou denúncia penal no STF.

Mas o presidente conta com três “escudos” para escapar de responder por seus atos. O primeiro é a Constituição, que ele desrespeita continuamente e deixou claro não gostar ainda como deputado baixo clero, Bolsonaro usa de escudo o artigo 86, principalmente o inciso 4º:

§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

Já o segundo escudo é a popularidade estabilizada em 30%, variando para cima e para baixo dependendo do momento das pesquisas realizadas. E o terceiro escudo é o apoio da elite financeira e econômica.

Esses fatores blindam o presidente que não tem base parlamentar e fuzilou com o próprio partido para criar um que o cultue. E a própria classe política está desconfiada de embarcar em um novo e desgastante processo de impeachment menos de quatro anos do traumático impeachment de Dilma Rousseff.

Mais do que a democracia, são as instituições que estão em risco. A estratégia é minar as instituições e destruir freios e contrapesos que impedem o projeto de poder autoritário. Em um Estado fascista cabe eleição, mas não cabe imprensa livre, cultura pensante, educação sem ideologia. Justamente as três áreas que o bolsonarismo tenta destruir e aparelhar.

A Folha de São Paulo fez um editorial contundente, praticamente declarando guerra aberta ao governo Bolsonaro. Outros órgãos de imprensa que não se curvaram pelas benesses do poder ou sucumbiram precisam fazer o mesmo.

Está chegando no limite, o ponto de não retorno. Não é mais possível contemporizar seja pela economia e reformas ou por medo do PT e a esquerda voltarem com um governo que diuturnamente ataca as instituições da República e organizações civis no seu projeto de poder. Forças democráticas (se restou alguma) precisam pôr um freio antes do ponto de não retorno.

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A esquerda precisa parar de pegar no pé dos eleitores arrependidos e no pessoal de centro por puro ressentimento da última eleição. Não é hora para sentimento vingativo e agindo assim a esquerda só se isola politicamente repetindo 2018.

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O Congresso Nacional se desmoralizará (ainda mais) se não convocar (nada de convite) o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Gal Augusto Heleno para se explicar e dizer quem chantageia o governo.