Venceu a estabilidade

O que importa é que deixem o país ter um pouco de normalidade institucional

Por 251 a 233, a Câmara dos Deputados não autorizou que o STF analise denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer e seus dois ministros mais próximos, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Janot acusa os três de participar de uma organização criminosa e ainda imputa a Temer crime de obstrução de justiça. As duas denúncias ficam congeladas até que o presidente e os ministros deixem os cargos.

Comparando com o resultado da primeira denúncia (263 a 251), que não tinha os ministros citados, o governo sai com 12 votos a menos a favor do presidente, mais enfraquecido. A oposição precisava de 342 votos. É difícil aprovar reforma previdenciária (308 votos). No máximo, um item da reforma e com muita negociação, inclusive com membros da própria base que votaram contra Temer.

O que importa é que deixem o país ter um pouco de normalidade institucional após o “furacão JBS”. Raquel Dodge é mais comedida que Rodrigo Janot e, provavelmente, não vai se basear nas palavras soltas de delatores loucos para diminuírem suas penas ou até sair da cadeia para elaborar uma terceira denúncia contra o presidente. Falta pouco para a eleição de 2018. Pouco mesmo para se livrarem de Michel Temer pelo voto.

Já são três votações entre impeachment e denúncias criminais paralisando a atividade legislativa, o Brasil. Venceu a estabilidade contra a loucra de Rodrigo Janot, a histeria coletiva e oportunismo rasteiro partidário.

Jair Bolsonaro

De novo, o presidenciável Jair Bolsonaro vota igual a deputados do PT e da esquerda contra Temer. Com um discurso de combate à corrupção que agrada sua tropa na internet, Bolsonaro confirma que não passa de mais um populista apenas virando a chave para direita. Ele acha que ganha uma eleição só com um celular na mão. O pior: acha que governa sem articulação política. Não sabe de nada, inocente.

jacobinos

O nível da atual Câmara (Congresso no geral) é horripilante. Só esquecem que os deputados (senadores) não caíram em Brasília de Marte, foram colocados lá por nós, pelo voto. Ou seja, a culpa é nossa. Não adianta agora querer tirar o seu da reta sem nem se lembrar do deputado na qual votou. E que fazer Justiça a qualquer preço não é o caminho correto. Pelo contrário, é o caminho da barbárie. Nem com golpes engendrados na calada da noite com escutas clandestinas e arapucas para satisfazer as vontades de um Procurador-geral.

O “inimigo” agora é outro

Veja trocou de “inimigo”: sai PT; entra Bolsonaro

A imprensa brasileira está fazendo com Jair Bolsonaro o mesmo que a imprensa americana fez com Donald Trump, o ajudando involuntariamente a chegar à presidência de seu país.

Revista Veja vem com Bolsonaro de matéria de capa e o tenta colocar como uma “ameaça”. Tudo indica que depois de anos a Veja trocou de “inimigo”: sai PT; entra Bolsonaro. Independente se você concorda ou discorda das ideias de Bolsonaro, ao tentar coloca-lo como uma “ameaça”, como a imprensa americana faz com Trump, o efeito pode ser o contrário do esperado e atrair mais eleitores para o deputado.

Porque quem já tem posicionamento a favor do deputado e capitão reformado do Exército não vai voltar atrás e quem está indeciso pode não gostar desse viés da revista. Assim como Trump, Bolsonaro tenta desacreditar a grande mídia contra sua candidatura a rotulando de “fake news” e a grande mídia revida colocando Bolsonaro como “fascista”. Quanto mais polarizado for essa disputa e o nível de argumentos mais baixo que a camada do pré-sal, mais favorece ao presidenciável.

Para cada “lacrada” da esquerda lacradora e da imprensa progressista e parcial, uma “mitada” do outro lado. É assim que vamos caminhando para 2018, para uma campanha que promete ser muito agressiva, de ambos os lados, e mais disputada que a de 2014, semelhante 1989. O resultado pode ser muito desagradável para a turma “progressista”. A grande imprensa não tem mais o monopólio da informação nem influencia a opinião pública no mesmo grau de umas décadas atrás.

“Ovada” em Bolsonaro, só ele ganha com isso

A temporada Primavera-Verão no Brasil é militante jogar ovo em políticos. Coincidentemente em João Doria e, agora, em Jair Bolsonaro. Esqueça quem são os políticos. Esqueça a questão política e ideológica. Esqueça que são políticos, simplesmente. Qual o ganho político em jogar ovos em alguém? Não tem ganho. Pelo contrário, a tática é suicida e nojenta. Nada cristão. Jogar ovo em alguém é como cuspir na cara do semelhante, independente quem seja a pessoa.

Especificamente no caso de agora, no Bolsonaro, que já lidera a corrida presidencial em cenários sem Lula, é mais fácil ele aumentar a quantidade de votos do que cair nas pesquisas. Bolsonaro pode ter as opiniões mais abomináveis. Mas combatê-lo com agressões verbais e físicas mais o ajuda do que o atrapalha. Só o torna vítima de intolerância e os que acusam de ser intolerante passam a ser intolerantes. Se derrubam ideias com argumentos.

Mas tem gente que pensa que está em uma gincana colegial e a política é um Grêmio Estudantil, um grande DCE.

Bolsonaro já não é mais uma “piada” eleitoral

Sai a polarização mais ou menos mercado; entra a polarização nacionalismo vs globalização

A candidatura presidencial de Jair Bolsonaro já não é mais para ser encarada como uma “piada”. Marina Silva e ele se consolidam na disputa pela segunda posição, segundo pesquisa Datafolha, com viés de queda de Marina e ascensão de Bolsonaro. Bolsonaro está à frente de Marina numericamente (16% a 15%) e com o dobro do provável tucano na disputa o governador Geraldo Alckmin (8%); tem o triplo de Ciro Gomes (PDT), 5%.

Com João Doria (PSDB) no lugar de Alckmin não muda muito o cenário pró-Bolsonaro. O prefeito de São Paulo subiu de 9% para 10%, está melhor que seu “padrinho” político, só que em empate técnico.

O ex-presidente Lula mantém-se na dianteira da corrida presidencial com 30%. É o teto do petista bem antes de Lula vencer a primeira de suas duas eleições e dificilmente ele sobe mais do que isso ou cai mesmo se for condenado por Sérgio Moro. São eleitores fiéis do ex-presidente, o teto do PT e memória afetiva de um período de bonança para o Brasil, principalmente para a camada mais pobre da população que sofre na atual situação com desemprego em quase 15%.

A grande dúvida é se Lula se viabiliza judicialmente para o pleito. Mesmo condenado em primeira instância – há cinco ações contra ele nas varas de Curitiba e Brasília entre outros inquéritos – Lula recorreria para o TRF4 (segunda instância de Porto Alegre) e STJ (Brasília). Se mantida a condenação na segunda instância, aí viraria ficha suja e ficaria impedido de disputar – além de ser preso (provavelmente) – a eleição.

Em um provável cenário sem Lula, Marina lidera com 22%; Bolsonaro mantém os 16%; o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa aparece com 12%; Ciro e Alckmin empatam em 9%. É o cenário muito próximo do que vai ser.

Lula segue sendo o primeiro em intenção de voto e o mais rejeitado (46%); Barbosa (16%) e Doria (20%) são os postulantes à cadeira que Temer ocupa com menos rejeição.

Tirando a situação jurídica de Lula e a indefinição no PSDB, o quadro eleitoral de 2018 deve seguir a tendência das eleições do “brexit” no Reino Unido, EUA e França. Sai a polarização mais mercado ou mais estado; entra a polarização nacionalismo vs globalização. Uma lado já definiu seu candidato: Jair Bolsonaro; já o outro lado, está tentando achar um representante viável, o que favorece Bolsonaro essa indecisão.

Marco Antonio Villa x Jair Bolsonaro

Quem tinha convicção em não votar em Bolsonaro reforçou ainda mais ao assistir o debate

Era uma chance de ouro do nobre deputado provar que não é o “ogro” que dizem que é. Só que ele não aproveitou a chance. Na verdade, Bolsonaro tergiversou os 40 minutos de discussão com a ideia fixa que ele tem sobre ideologia, desarmamento, defender o regime militar e de sua honestidade (como se fosse mérito ser honesto mesmo neste momento).

Economicamente, Jair Bolsonaro só sabe do nióbio e do grafeno. E projetos megalomaníacos que justificam sua adoração pelos presidentes militares, além do próprio ser militar reformado.

Não aproveitou nem a chance de explicar o rolo da doação que a JBS fez pra ele na campanha de 2014. Se enrolou novamente ao tentar explicar como ele devolveu a doação ao partido e recebeu de volta a mesma doação.

Quem tinha convicção em não votar em Bolsonaro reforçou ainda mais ao assistir o debate na Jovem Pan. O intelecto do deputado não tem o nível de um presidente da República, onde há desafios complexos que fogem da questão ideológica pura e simples. É o mesmo nível intelecto de Dilma Rousseff, só que com o sinal trocado.