
Jair Bolsonaro participou de um bate-papo com o músico e youtuber Nando Moura. Apesar de Nando Moura ser declarado publicamente eleitor de Bolsonaro, a entrevista foi a melhor que o presidenciável já concedeu para grande, média ou mídia alternativa. Foi uma entrevista com perguntas pertinentes, não atrás exclusivamente de polêmica ou tendenciosas a favor ou contra o pré-candidato a presidente da República.
O lide da entrevista, para este blogueiro, está no minuto 33:39, quando Bolsonaro divulga em primeiro mão no canal do Nando Moura sua intenção de já divulgar ao começar a campanha eleitoral os seus ministros – se eleito pretende governar com apenas 15 pastas, ou seja, diminuir pela metade os atuais 28 ministérios – contando a criação do Ministério da Segurança Pública, que o presidente Michel Temer pretende criar, 29.
Na eleição presidencial de 2014, o candidato Aécio Neves (PSDB) comunicou no primeiro debate entre os candidatos – TV Bandeirantes (agosto) – que o seu Ministro da Fazenda seria o Armínio Fraga, o que deflagrou uma campanha massiva dos adversários – principalmente da campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) – para desconstruir o ex-presidente do Banco Central, no governo FHC, rotulando de “ministro que planta inflação para colher juros altos”. É sempre perigoso antecipar nomes de ministros antes de vencer a eleição, mas Bolsonaro tenta se diferenciar dos candidatos tradicionais até no jeito de fazer campanha.
Bolsonaro também disse que vai “falar a verdade” e não dizer o que o eleitor quer ou que os políticos sempre dizem em época de campanha: prometer mais saúde, educação, construir milhares de creches e chegando ao governo não poder fazer o que prometeu por falta de recurso ou projetos inviáveis apenas para vencer a eleição.
Sobre não saber economia e procurar quem sabe, ninguém nasce sabendo das coisas e não é obrigado um presidente saber de tudo. Ou o chefe da nação precisaria ser médico, professor, policial e etc. O que precisa é se cercar de auxiliares que saibam o riscado em cada área, saber ser um líder para liderar sua equipe e até delegar poderes para pessoas certas.
Sobre privatizações, acho que Bolsonaro tem razão ao dizer que a Petrobras é uma empresa estratégica, mas pode ser privatizada desde que o governo mantenha o chamado “golden share” – poder de veto -, assim como a Embraer. Só não concordo muito com essa ilusão de querer baixar impostos e derrubar regulações na “canetada”, por decretos. É preciso uma reforma tributária, mas dialogando com estados, municípios, empresários e, por que não?, a população via plebiscitos e referendos. Não adianta baixar impostos sem um minucioso estudo de como diminuir o tamanho do Estado, sem prejudicar a população mais carente que precisa de uma proteção social. A chance de fracasso do governante ao entrar no populismo de eliminar impostos a qualquer preço é grande.
Também discordo de Bolsonaro sobre coalizões políticas e governabilidade. Collor e Dilma caíram, principalmente, porque não tinham base parlamentar (a segunda não soube segurara que a tinha). Um novo modelo de governabilidade não foi criado e muito menos testado. Sem uma reforma política estrutural – não reformas eleitorais – no sistema político tentar criminalizar articulações políticas, como Bolsonaro fez na entrevista chamando a governabilidade de “forma de corrupção”, está enterrando seu governo antes de ser eleito.
Sobre segurança pública, Bolsonaro espera que a população eleja deputados e senadores alinhados a ele para aprovar leis que endureçam contra criminosos. Citou, por exemplo – ele sempre bate nessa tecla: A permissão do policial atirar mais de duas vezes no bandido sem ser punido e excludente de ilicitude – legítima defesa – para toda população. A primeira parte é polêmica e conflita com a política de direitos humanos, mas na guerra civil não declarada que o Brasil vive, o policial precisa ter garantias tanto de vida como de proteção jurídica. Já a segunda está no CP, mas é desrespeitada constantemente justamente por causa da política de direitos humanos – vide o caso do cunhado de Ana Hickmann.
Emfim, Bolsonaro me parece um sujeito em estágio de aprendizado ao cargo de presidente de um país continental e inúmeros problemas – social, econômico, fiscal, de segurança. Mas já fui mais crítico a ele muito por preconceito e embarcando na imprensa e adversários que tentam colar rótulos nele, inclusive de racista, nazista, homofóbico, fascista, machista. Vejo a popularidade em Bolsonaro pela sua autenticidade, de passar a impressão para a população ser um cidadão comum, com defeitos e virtudes. Nessa linha, faço um paralelo com Lula, o retirante nordestino que venceu a seca e a fome para virar presidente. No caso de Bolsonaro seria um brasileiro comum na presidência, não sobrevivente de um flagelo ou um candidato saído do mundo financeiro, filosófico e renegado pelo establishment político, mesmo estando na política desde 1990.

O presidenciável Jair Bolsonaro falando da reforma da Previdência não tem o que tirar um petista falando, é o mesmo texto da esquerda, de não tirar o direito dos “velhinhos” se aposentar. Só que a reforma proposta pelo atual governo não mexe com o direito sagrado da aposentadoria, apenas estabelece idades mínimas para homens e mulheres para evitar que a Previdência continue chupando recursos do orçamento para fechar o déficit cada vez maior.
