O destino de Bolsonaro está na economia

Nova pesquisa Datafolha de avaliação do governo Jair Bolsonaro (sem partido) mostra queda na sua aprovação e elevação da reação negativa. Houve uma queda na avaliação positiva do governo e paradoxalmente a maioria não deseja a saída de Bolsonaro por meio de um impeachment nem a renúncia do presidente. Mostrando que sua base popular ainda é bem numerosa e resiliente.

O processo de impeachment do presidente da República apesar de ter duas pernas – jurídico e político – é mais político, é arrastado e muito traumático. O Brasil passou por um há 5 anos. Além disso, Bolsonaro aliou-se ao baixo clero do centrão para dirimir qualquer risco de impeachment. Já está e ficará mais caro se o candidato que o governo apostou suas fichas – Arthur Lira (PP-AL) – vencer a eleição para presidência da Câmera dos Deputados.

Baleia Rossi (MDB-SP), o principal adversário de Lira, votou mais com o governo. O ex-presidente Michel Temer já avisou a Bolsonaro em caso de vitoria de Baleia, que ele não será oposição. Ou seja, só com grande pressão da sociedade para o processo de impeachment ser instaurado. E não tem povo na rua por causa pandemia.

Mesmo que se forme uma onda pró-impeachment na sociedade, vai precisar primeiro combinar com o “russo”, o vice-presidente da República. Sem anuência do vice, sem impeachment. Apesar de não ter um bom relacionamento com a ala ideológica do governo, principalmente com os filhos do presidente e ter altos e baixos com o próprio, Hamilton Mourão não rompeu com Bolsonaro e rechaça participar de uma articulação para ocupar a cadeira do seu parceiro de chapa e de Exército, por enquanto.

Mas política é como nuvem: uma hora está de um jeito, você olha minutos depois e está de outro. A tendência é a turbulência se agravar com a explosão do desemprego que está por vir com o fim do auxílio emergencial, já se encontra em níveis alarmantes.

A economia de um país roda quando um ambiente de negócios está normal para as empresas investirem gerando empregos e renda. Porém, é necessário de um mercado consumidor disposto a consumir e o governo é quem pode prover com medidas de estímulo, sem descuidar da responsabilidade fiscal. As reformas estruturantes precisam caminhar paralelamente com medidas mais urgentes.

Mas Paulo Guedes e a equipe econômica só falam em “reformas estruturantes” que são importantes para o país, mas são para o médio e longo prazo. Um governo de uma nota. É verdade que o estado de calamidade findado em dezembro passado estrangulou a capacidade de endividamento do poder público. Mas o governo não pode deixar que milhões sejam tragados para a pobreza extrema (milhões já foram) e a fome que voltou a ser um flagelo ganhe proporções trágicas.

O governo também não pode enviar as reformas para o Congresso fingindo que fez a sua parte e quando não consegue nem fazer tramita-las joga a culpa exclusivamente no Legislativo.

A PEC emergencial para que a emenda do teto de gasto não seja uma ficção e o Estado não entre em insolvência afastando investidores. É preciso tirar do papel a mais que urgente reforma tributária, ao menos inicialmente simplificando e tornando mais racional o caótico sistema tributário, adotando posteriormente um modelo mais justo.

A reforma política também é necessária, mas uma reforma de verdade e não um arremedo que fazem um ano antes de cada eleição. E tem que, como diz o ditado político, “cortar na própria carne” para ganhar a confiança e apoio da população nas reformas impopulares, mas indispensáveis. Entre elas está a reforma administrativa. Uma reforma do Estado cortando privilégios da elite do funcionalismo público é necessária, mas sem demonizar nem fazer caça às bruxas aos servidores públicos.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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