Ressocialização ou barbárie

Fica difícil ressocializar alguém que errou não aceitando a volta da pessoa ao convívio em sociedade

O goleiro Bruno Fernandes está prestes a assinar contrato de dois anos com o Boa Esporte, clube sediado em Varginha/MG, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro de futebol. Bruno reapareceu no noticiário desde que o ministro do STF Marco Aurélio Mello concedeu liberdade provisória enquanto o julgamento do recurso não acontece. No primeiro julgamento, Bruno foi condenado a mais de 20 anos de prisão, pelo assassinato, cárcere privado e desaparecimento do corpo de Eliza Samudio, que tentava fazê-lo pagar pensão para o suposto filho que tiveram.

Muita indignação nas redes sociais. Primeiro, pela soltura do ex-goleiro do Flamengo. Agora, por essa contratação. Mas onde está o direito de presidiário e ex-presidiário tentar voltar a trabalhar e retomar sua vida normal? Cadê os defensores dos direitos humanos? Alguns feministas – mulher e homem – dizem defender a bandeira dos direitos humanos, só que seletivamente.

Revoltante não é o Bruno voltar a trabalhar. A revolta tem que mirar os verdadeiros problemas: Código Penal defasado, desatualizado, de 1940; a lentidão da justiça. Por que ainda nem se quer foi marcada a data do julgamento do recurso que a defesa recorreu? Se a gente, como sociedade, não está preparado para aceitar um ex-presidiário ser empregado, a luta tem que ser pela prisão perpétua ou pena de morte.

Pessoalmente, não defendo a prisão perpétua e muito menos a pena de morte, ainda mais no Brasil e essa justiça que temos. Bandido não é herói, no entanto, apesar de ser tratado como tal por parte de uma galera. Só que prefiro um ex-presidiário trabalhando a pegar em armas e voltando a delinquir, a roubar e matar. Existe muita resistência e preconceito por parte de empregadores e da população, princialmente a turma do “bandido bom é bandido morto”, para ex-presidiários. Fica difícil ressocializar alguém que errou não aceitando a volta da pessoa ao convívio em sociedade.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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