Davi derrota Renan

Foi uma vitória maiúscula de Onyx, Davi, aliados e da sociedade que se mobilizou

katia

Foi a eleição para eleger o presidente de uma das casas legislativas mais conturbada que eu já acompanhei. Teve quase de tudo: discussões acaloradas quase culminando em vias de fato, roubo de pasta com questões de ordem em plena rede nacional para a sessão não continuar, reviravoltas e, para fechar, uma tentativa de fraude na votação.

O que a senadora Kátia Abreu (PDT/TO) fez foi, no mínimo, constrangimento para a instituição. Ainda mais para alguém que foi candidata a vice-presidente da República. Independentemente do motivo, se Davi Alcolumbre (DEM/AP) não deveria estar presidindo a sessão preparatória por ser um dos candidatos.

Lembrando que a Kátia Abreu fiel ao regimento e as regras de 2019 não lembra a de 2016 que, em uma manobra com Renan e Ricardo Lewandowski, ignorou a Constituição para preservar os direitos políticos de Dilma Rousseff, na votação que sacramentou o seu impeachment.

Renan Calheiros (MDB/AL) e Tasso Jereissati (PSDB/CE) não se dão muito bem e quase acertaram as contas no braço. No final, Tasso abriu mão da candidatura e trabalhou contra a candidatura do rival.

davi alcolumbre

Davi Alcolumbre só precisou do primeiro turno para vencer outros 5 senadores e desistências de outros. Foi uma jogada arriscada do ministro-chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni, que teve êxito e enfraqueceu Renan Calheiros. Quem cria teorias que Renan vai ser uma oposição vingativo pra cima do governo precisa fazer uma leitura do resultado da eleição ou está fazendo mais torcida do que uma análise isenta.

  • Davi Alcolumbre-DEM – 42
  • Esperidião Amin-PP – 13
  • Ângelo Coronel-PSD – 8
  • Reguffe-sem partido – 6
  • Renan Calheiros-MDB – 5
  • Fernando Collor-PROS – 3

Óbvio que Renan engoliu seco e ficou transtornado com a derrota histórica e humilhante. Afinal, foi uma vitória maiúscula de Onyx, Davi, aliados e da sociedade que se mobilizou para evitar que um senador com 14 inquéritos voltasse a ocupar o cargo de presidente do Congresso Nacional pela 5ª vez. Apesar da visível força de Renan Calheiros nos bastidores, principalmente no Judiciário, pelo menos no Senado saiu muito enfraquecido e vai precisar de um tempo para juntar os cacos.

Renan é “camaleão” e a tentativa de aproximação ao governo de Jair Bolsonaro fazia parte da estratégia para diminuir resistência ao seu nome entre os senadores mais próximos do governo, inclusive prometendo ajuda ao ministro da economia Paulo Guedes nas reformas e afagando Flávio Bolsonaro o prometendo proteção. A ideologia de Renan é por poder e uma das suas prioridades é se proteger sendo o representante de implicados que foram reeleitos ou ceifados nas urnas, como parte disso o enfrentamento com o ministro da Justiça Sérgio Moro, barrando suas propostas de endurecimento do combate ao crime organizado e corrupção.

Brasília 40ºC

Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Eduardo Cunha (PMDB) e Renan Calheiros (PMDB) fizeram pronunciamentos sobre o primeiro semestre do Legislativo. Cunha na TV em rede nacional e Calheiros em vídeo no canal do Senado no Youtube.

Ambos ressaltaram a independência do Legislativo nesse último semestre do governo e ambos colocaram para si esse “feito”, o de recuperar a independência dos poderes. O pronunciamento de Eduardo Cunha foi mais protocolar, mas deixou claro que seguirá na mesma linha de atuação. E o vídeo foi gravado antes dos acontecimentos de sexta-feira.

O pronunciamento de Renan Calheiros foi maior e mais incisivo. Bateu forte no ajuste fiscal novamente, festejou o PMDB mais atuante, elogiou o vice-presidente Michel Temer (PMDB), se defendeu das denúncias envolvendo seu nome, fez críticas veladas ao governo Dilma e falou dos desafios para os meses de agosto e setembro dos quais os chamou de “agosto e setembro negros”. Deixou uma mensagem subliminar para o governo mais ou menos assim: “quem procura acha” e “você colhe o que você planta”.

Se a tensão política foi grande no primeiro semestre entre governo e Congresso, principalmente dentro da base governista e mais especificamente entre PT e PMDB, no segundo semestre a expectativa é que aumente. Com os desdobramentos da Lava-jato, julgamento das contas do governo Dilma de 2014 no TCU e ação da oposição no TSE contra a campanha da presidente Dilma e do vice Michel Temer.