Uma juíza de primeira instância do TRE-GO cassou o registro do prefeito eleito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), e de sua vice, além de tornar inelegível por 8 anos o governador Ronaldo Caiado (União Brasil).
O motivo dessa de decisão são jantares realizados após o primeiro turno das eleições com vereadores no Palácio Esmeralda, sede do governo goiano. Cabe recurso e o prefeito eleito pode ser diplomado e tomar posse em janeiro enquanto o processo corre.
Os bolsonaristas ficaram eufóricos com essa notícia. Caiado se tornou persona non grata para eles por pleitear a candidatura a presidente em 2026 e por ter derrotado o candidato bolsonarista em Goiânia. Não se tocam que o seu ídolo Jair Bolsonaro também está inelegível acusado de abuso de poder econômico e político.
Não gosto quando a justiça interfere na democracia e cassa milhares ou milhões de votos. Tudo bem que as eleições têm que ser limpas e justas, mas cassar por jantar com vereadores e suplentes de vereadores na sede do governo me parece exagero e um risco para a democracia. Ainda tem o problema que passa a impressão que estão tirando do caminho do presidente Lula seus potenciais adversários para a disputa de 2026.
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Maia sai batendo a porta no DEM

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, resolveu sair de seu partido batendo na porta. Maia acusa ACM Neto, presidente do DEM e ex-prefeito de Salvador, de o trair na eleição da Câmara. Para Maia, Neto e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, trabalharam para que o partido declarasse neutralidade e isso desidratou a candidatura de Baleia Rossi (MDB/SP), que obteve apenas 145 votos contra 302 de Arthur Lira (PP/AL).
Maia acha que a neutralidade prejudicou o seu candidato, que o DEM voltou as origens da Arena (partido de sustentação política dos governos militares). ACM Neto rebateu dizendo que o poder subiu à cabeça de Maia e está atrás de um culpado para os seus próprios erros, que perdeu as condições de articulação quando ainda pleiteava mais um mandato e quando o STF negou perdeu o poder de articular não conseguindo apoio nem de um terço da bancada do DEM. Mais irônico, Caiado sugeriu internação para o quase ex-correligionário.
Luiz Henrique Mandetta não gostou da fala de ACM Neto sobre ir de Bolsonaro a Ciro Gomes e também já fala em sair do partido em busca de um que lhe dê legenda para concorrer contra o seu ex-chefe.
O governador de São Paulo, João Doria, não perdeu tempo e já convidou Maia para se filiar ao PSDB. Doria também pretende intimar o partido a expulsar o grupo de Aécio Neves e absorver os dissidentes do DEM para seu projeto eleitoral presidencial de 2022.
Na política quando as urnas se fecham, já se pensa na próxima eleição.
Desenhando a sucessão de Dilma
Os motores para 2018 serão colocados para esquentar

Com o brasileiro de saco cheio de PT e PSDB, um duelo que se desenha muito interessante para 2018 é Marina Silva vs Eduardo Paes. Ecologia vs Desenvolvimento. Um bom debate, de alto nível. Bem melhor que as últimas eleições de 2010 e 2014. Sem essa de aborto, causa gay, que são importantes, mas não são responsabilidades do presidente, são do Congresso. E muito menos de uma campanha presidencial.
Michel Temer já disse que o PMDB terá candidato próprio em 2018. Temer deve querer ser o candidato, mas não vai impor seu nome ao partido se as pesquisas não mostrarem seu nome com chance real de vitória.
Para Eduardo Paes conseguir a sua indicação tudo vai depender da realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e como ele deixará a prefeitura, se em alta ou em baixa. Já Marina dependerá se ela conseguirá o registro de seu partido no TSE, a Rede Sustentabilidade, e de sua atuação nesse ciclo.

Uma campanha presidencial com Lula (PT), Geraldo Alckmin ou Aécio Neves (PSDB), Eduardo Paes (PMDB), Marina Silva (Rede), um candidato do PSB e um candidato do PSOL (Nada de Luciana Genro, por favor. O Senador Randolfe Rodrigues é um bom nome. É um dos melhores quadros do partido e um dos poucos que gosto dentro do PSOL) seria uma eleição para entrar para história e certeza que seria mais disputada quanto à última.

A disputa no PSDB vai depender de quem for o próximo presidente do partido. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já está costurando acordos para ser o próximo presidente da legenda. Em 2009, José Serra não era o presidente do partido, mas seu grupo tinha o controle da legenda e ele foi o candidato em 2010. Aécio Neves assumiu como presidente do partido em 2013, foi o candidato na última disputa.

No PT, é Lula ou Lula. O PT depende exclusivamente de Lula para continuar no governo. Aliás, uma sugestão ao Datafolha é incluir Lula na próxima pesquisa de popularidade do governo. Acredito que ele não tem mais os quase 90% de aprovação quando entregou o governo para Dilma. Acho que hoje Lula tem entre 60 a 70% de popularidade, mas não duvido que apareça com 50%. Aliás, a pesquisa do Instituto Paraná pesquisa já foi sombria para o PT.
No PSB, não vejo um nome para uma candidatura a presidente. Vejo o PSB coligado com o PSDB ou com Marina caso ela saia candidata novamente. O prefeito de Belo Horizonte/MG, Marcio Lacerda, e o de Campinas, Jonas Donizette, são bons nomes para o PSB marcar posição. Luiza Erundina está quase de saída do partido.

Outro nome que não descarto é do Senador Ronaldo Caiado (DEM/GO). Caiado está ganhando notoriedade entre os que acham o PSDB muito mole como oposição ao PT. Antigo PFL hoje Democratas, o partido chegou a fazer 100 deputados federais na eleição de 1998. Na eleição de 2014, elegeu apenas 22 deputados. Talvez seja a chance do DEM recuperar um pouco da força política que teve em um passado recente.
Mas está sendo costurada uma fusão do partido Democratas com o PTB. Caiado é contra e pode sair da legenda. E pode ser a chance dele conseguir um partido com mais força política e que almeje disputar a presidência da República.
Ronaldo Caiado tiraria muito votos do PSDB e equilibraria a disputa para quem iria ao segundo turno. A candidatura de Caiado ocuparia uma lacuna na disputa eleitoral. Seria uma candidatura à direita. O Brasil já tem candidaturas de centro-direita, centro-esquerda, esquerda e até comunista, falta uma candidatura conservadora de direita. E essa corrente cresce a cada eleição, inclusive entre a população.
Ainda é cedo, mas com a crise política a qual passa o governo Dilma agravada com a crise econômica que derrubou a popularidade da presidente para baixo, os motores para 2018 serão colocados para esquentar antes e as eleições municipais de 2016 serão um teste para possíveis postulantes ao mais alto cargo da República.