
O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, resolveu sair de seu partido batendo na porta. Maia acusa ACM Neto, presidente do DEM e ex-prefeito de Salvador, de o trair na eleição da Câmara. Para Maia, Neto e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, trabalharam para que o partido declarasse neutralidade e isso desidratou a candidatura de Baleia Rossi (MDB/SP), que obteve apenas 145 votos contra 302 de Arthur Lira (PP/AL).
Maia acha que a neutralidade prejudicou o seu candidato, que o DEM voltou as origens da Arena (partido de sustentação política dos governos militares). ACM Neto rebateu dizendo que o poder subiu à cabeça de Maia e está atrás de um culpado para os seus próprios erros, que perdeu as condições de articulação quando ainda pleiteava mais um mandato e quando o STF negou perdeu o poder de articular não conseguindo apoio nem de um terço da bancada do DEM. Mais irônico, Caiado sugeriu internação para o quase ex-correligionário.
Luiz Henrique Mandetta não gostou da fala de ACM Neto sobre ir de Bolsonaro a Ciro Gomes e também já fala em sair do partido em busca de um que lhe dê legenda para concorrer contra o seu ex-chefe.
O governador de São Paulo, João Doria, não perdeu tempo e já convidou Maia para se filiar ao PSDB. Doria também pretende intimar o partido a expulsar o grupo de Aécio Neves e absorver os dissidentes do DEM para seu projeto eleitoral presidencial de 2022.
Na política quando as urnas se fecham, já se pensa na próxima eleição.

Enquanto o presidente estadual do PP/SP, Guilherme Mussi, fala em “Novo PP”, o vereador Conte Lopes fala em “rota na rua”, “proibir baile funk”, “expulsar os ‘viciados da Cracolândia’ na base da força”. Nada mais do que a velha e reacionária política do partido-herdeiro da Arena (Aliança Renovadora Nacional), o partido de sustentação dos militares na ditadura.
A direita brasileira mostra a sua cara sem medo depois de anos no armário. Durante a ditadura militar, a esquerda passou a ser predominante no Brasil. Depois da ditadura, sugiram muitos partidos de centro, mas a esquerda continuou dominante, com algumas tendências de centro-esquerda e centro-direita. Agora, ideias de direita começam a ganhar uma nova roupagem, uma direita mais liberal – conservadora também.