Maia sai batendo a porta no DEM

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, resolveu sair de seu partido batendo na porta. Maia acusa ACM Neto, presidente do DEM e ex-prefeito de Salvador, de o trair na eleição da Câmara. Para Maia, Neto e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, trabalharam para que o partido declarasse neutralidade e isso desidratou a candidatura de Baleia Rossi (MDB/SP), que obteve apenas 145 votos contra 302 de Arthur Lira (PP/AL).

Maia acha que a neutralidade prejudicou o seu candidato, que o DEM voltou as origens da Arena (partido de sustentação política dos governos militares). ACM Neto rebateu dizendo que o poder subiu à cabeça de Maia e está atrás de um culpado para os seus próprios erros, que perdeu as condições de articulação quando ainda pleiteava mais um mandato e quando o STF negou perdeu o poder de articular não conseguindo apoio nem de um terço da bancada do DEM. Mais irônico, Caiado sugeriu internação para o quase ex-correligionário.

Luiz Henrique Mandetta não gostou da fala de ACM Neto sobre ir de Bolsonaro a Ciro Gomes e também já fala em sair do partido em busca de um que lhe dê legenda para concorrer contra o seu ex-chefe.

O governador de São Paulo, João Doria, não perdeu tempo e já convidou Maia para se filiar ao PSDB. Doria também pretende intimar o partido a expulsar o grupo de Aécio Neves e absorver os dissidentes do DEM para seu projeto eleitoral presidencial de 2022.

Na política quando as urnas se fecham, já se pensa na próxima eleição.

Senador Rodrigo Pacheco é o novo presidente do Congresso Nacional

Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi eleito o novo presidente do Senado Federal

O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi eleito o novo presidente do Senado Federal para o biênio 2021/2022. Pacheco obteve 57 votos de seus pares e derrotou a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que teve 21 votos (2 faltantes por questão médica e 1 afastado do mandato).

O Senado não tinha um presidente mineiro desde Magalhães Pinto, em 1977. E a região sudeste não tinha um representante na cadeira de presidente do Congresso Nacional (acumula os cargos) desde 1991, com Nelson Carneiro (RJ).

Rodrigo Pacheco reuniu uma ampla coalizão e teve o apoio do agora ex-presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) e do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Mas contou com o apoio também da oposição e do MDB, o partido de sua adversária, que disputou como candidata avulsa.

Em seu discurso de posse, Rodrigo Pacheco falou em defesa da República, da federação e do Estado Democrático de Direito; as liberdades, a democracia, estabilidades social, política, econômica e citou a independência com harmonia do Senado. Também citou o seu conterrâneo mineiro Juscelino Kubitschek.

Os filhos da Arena

Muda-se de nome, mas a essência continua a mesma

Enquanto o presidente estadual do PP/SP, Guilherme Mussi, fala em “Novo PP”, o vereador Conte Lopes fala em “rota na rua”, “proibir baile funk”, “expulsar os ‘viciados da Cracolândia’ na base da força”. Nada mais do que a velha e reacionária política do partido-herdeiro da Arena (Aliança Renovadora Nacional), o partido de sustentação dos militares na ditadura.

A Arena surgiu quando os militares decretaram o bipartidarismo, após o golpe de 1964 que depôs o presidente João Goulart e instaurou a ditadura militar. Com o fim do bipartidarismo, em 1980, no governo João Figueiredo, Arena passou a se chamar PDS. Uma ala dissidente que não concordava com a indicação de Paulo Maluf para ser candidato a presidente no Colégio Eleitoral rompeu com o partido e criou a Frente Liberal, que virou um partido, o PFL, e apoiou Tancredo Neves contra Maluf. Em 2007, o PFL passou a se denominar Democratas.

Já o PDS passou por diversas modificações no nome: Partido Progressista Reformulador (PPR), após a fusão com o PDC, Partido Progressista Brasileiro (PPB) e, finalmente em 2003, passou a ser conhecido como Partido Progressista (PP).

Muda-se de nome, mas a essência continua a mesma.

Democratas, o partido que a direita pede

Democratas, o partido que a direita pede

A direita brasileira mostra a sua cara sem medo depois de anos no armário. Durante a ditadura militar, a esquerda passou a ser predominante no Brasil. Depois da ditadura, sugiram muitos partidos de centro, mas a esquerda continuou dominante, com algumas tendências de centro-esquerda e centro-direita. Agora, ideias de direita começam a ganhar uma nova roupagem, uma direita mais liberal – conservadora também.

O programa do partido Democratas que foi ao ar na quinta-feira (4) mostrou com muita nitidez uma oposição à direita do governo do PT, e uma oposição muito mais contundente que o PSDB realiza ao mesmo governo. Mostrou também propostas que o partido tem se um dia chegar no governo e propostas de cunho liberal.

Democratas, que é herdeiro político da UDN e da Arena, o segundo o partido de sustentação da ditadura militar, pode ser a alternativa para aqueles que acham o PSDB uma oposição fraca. E o partido está abraçando o antipetismo. Só precisa deixar de ser o fiel escudeiro dos tucanos, o número 2 e partir para voo-solo. O partido tem nomes ou nome para 2018 e um eleitorado sedento por um partido com o estilo que mostraram no programa partidário, falta mais vontade política.