Justiça politizada

O governo do Rio de Janeiro está no vácuo. Sem governador, sem vice e sem o presidente da Assembleia, precisou o presidente do Tribunal de Justiça assumir o governo.

Tudo explicado aqui. A confusão é por cálculo eleitoral. O grupo que estava no poder quer permanecer para impulsionar o candidato dele que será o deputado estadual Douglas Ruas (PL). Já a oposição liderada pelo pré-candidato Eduardo Paes (PSD) quer que seja realizada eleição direta agora ou que o presidente do TJ continue até que o próximo governador seja eleito em outubro.

O lado político do STF tenta fazer o que a oposição deseja: eleição direta e até definir vai deixando o desembargador Ricardo Couto no cargo.

Ocorre que isso é péssimo para a democracia e muitos estão aplaudindo esse precedente gravíssimo, inclusive jornalistas, por ser contra o grupo do governo anterior e porque o desembargador estaria fazendo uma limpa na máquina pública fluminense.

Com a justiça cada vez mais politizada interferindo em assuntos estritamente políticos os governos estaduais,
municipais e até o governo federal estão ameaçados de sofrerem uma intervenção do judiciário, com o procedente aberto no RJ sendo o caminho.

Mesmo que o desembargador esteja passando a limpo o governo do Cláudio Castro, ele não foi eleito para isso. A função dele no cargo do executivo era para ser uma ponte para um governo transitório eleito em eleição indireta pelos deputados da ALERJ. A manobra do ex-governador para não ser cassado não autoriza ministros passar por cima do Tribunal Superior Eleitoral que apenas cumpriu a lei.

Eleições 2020 – Rio de Janeiro: Volta à normalidade

O Brasil precisa de um período de calmaria após esse turbulento período iniciado em meados de 2013

Eduardo Paes está de volta. Depois de amargar duas derrotas – uma dede seu candidato Pedro Paulo na sua sucessão e a sua própria para Wilson Witzel na disputa para governador -, Paes derrota de forma consagradora o atual prefeito Marcelo Crivella.

No discurso após o resultado, o futuro prefeito classificou sua vitória como vitória da política tão demonizada nos últimos anos que resultou em radicalismos. É alvissareiro se constatar que o clima bélico que virou a política está começando a refluir. Só que a eleição no Rio teve outros fatores e o principal foi que a população carioca puniu Crivella, considerado o pior prefeito.

Paes sabe que vai pegar uma prefeitura muito diferente quando pegou em 2009. Problemas novos, mais difíceis e complexos. Nos dois últimos anos de Paes na prefeitura o dinheiro abundante já não tinha mais e não tinha mais a aliança com Lula e Cabral – Dilma e Pezão depois. Mesmo assim, mostrou ser um bom gestor de crise pegando a administração de alguns hospitais de responsabilidade do estado evitando o colapso deles.

Que Eduardo Paes esteja certo e seja a volta da normalidade política. O Brasil precisa de um período de calmaria após esse turbulento período iniciado em meados de 2013.

Desunião na esquerda favoreceu Crivella e Paes no Rio

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) vai enfrentar Marcelo Crivilla (REP) no segundo turno. O atual contra o ex-prefeito. A vantagem para o ex-prefeito é enorme. Além de ter terminado o primeiro turno com quase o dobro de votos de Crivella e ganhado em quase todas as zonas eleitorais da cidade, Paes conta com rejeição recorde do atual prefeito para voltar a governar o Rio.

Para passar ao segundo turno Crivella contou com dois fatores: colagem na imagem no presidente Bolsonaro e a fragmentação da esquerda. Somando os votos de Martha Rocha, Benedita da Silva e Renata Souza, respectivamente de PDT, PT e PSOL, essas candidatas juntas conseguiram 25,81% dos votos válidos, acima dos 21,90% de Crivella.

Independente se certo ou errado, Marcelo Freixo acertou no diagnóstico. Ao desistir da candidatura percebendo que não teve êxito em formar uma frente de esquerda, sabia que sem uma candidatura única seria difícil passar para o segundo turno, mesmo com toda a rejeição ao atual prefeito.

Guilherme Boulos PSOL) e Manuela D’avila (PCdoB) estarem no segundo turno em São Paulo e Porto Alegre, respectivamente, sem ter formado uma frente de esquerda, não sugnifica que no Rio seria igual. Cada cidade tem sua particularidade e na política são amplificadas.

Essas diferenças pesaram na não união no Rio e desgastaram Freixo dentro do PSOL, também por ter um pensamento menos ideológico dentro do partido.

A fragmentação deu chance ao Crivella disputar o segundo turno e ao Paes voltar a ser prefeito. Mas não significa que a eleição esteja decidada. Segundo turno é uma nova eleição com oportunidades iguais aos candidatos e o confronto do atual prefeito contra o ex é um choque de gestões. Crivella pode fazer uma reta final que convença que seu governo ainda é melhor (ou menos pior) que o de Paes e conseguir uma virada histórica.

Não sei como, especialmente em um segundo turno que terá menos tempo do que os outros. Mas nunca diga nunca em eleição.

Fidelidade de Eduardo Paes para Pedro Paulo pode custar caro ao prefeito

pedro paulo e paes

Não sei o que Eduardo Paes tem com o seu secretário e deputado federal Pedro Paulo, porque deve ser um elo muito forte que faz o prefeito do Rio de Janeiro bancar a candidatura de seu pupilo à sua sucessão em 2016. As notícias que Pedro Paulo agrediu a ex-mulher foram como se uma bomba tivesse caído no PMDB carioca. E a declaração muito infeliz de Pedro Paulo, o clichê “Quem não exagera numa discussão?”, deixou a situação pior.

Já estava tudo preparado para o lançamento oficial da candidatura de Pedro Paulo. Com uma popularidade que o credencia até ser o candidato do PMDB a presidente em 2018 e a Olimpíada acontecendo sem grandes transtornos, Paes contava como certa a vitória de Pedro Paulo. Tudo mudou com essas denúncias. E não é para menos.

Quando começarem a sair pesquisas para prefeitura do Rio, Pedro Paulo deve aparecer como o candidato com mais rejeição. Será que Paes aposta nos programas eleitorais de TV e rádio para esculpir a imagem de seu candidato e fazer com que a suposta competência dele em gerir obras como secretário vai superar casos de agressão à mulher no passado?

Pedro Paulo também responde a processo no STF por boca de urna. Ou seja, o candidato que Eduardo Paes está apostando tem um passado de fazer a festa dos adversários. É apostar no tudo ou nada, e uma aposta muito grande que pode custar caro para o prefeito.

Desenhando a sucessão de Dilma

Os motores para 2018 serão colocados para esquentar

paes

Com o brasileiro de saco cheio de PT e PSDB, um duelo que se desenha muito interessante para 2018 é Marina Silva vs Eduardo Paes. Ecologia vs Desenvolvimento. Um bom debate, de alto nível. Bem melhor que as últimas eleições de 2010 e 2014. Sem essa de aborto, causa gay, que são importantes, mas não são responsabilidades do presidente, são do Congresso. E muito menos de uma campanha presidencial.

Michel Temer já disse que o PMDB terá candidato próprio em 2018. Temer deve querer ser o candidato, mas não vai impor seu nome ao partido se as pesquisas não mostrarem seu nome com chance real de vitória.

Para Eduardo Paes conseguir a sua indicação tudo vai depender da realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e como ele deixará a prefeitura, se em alta ou em baixa. Já Marina dependerá se ela conseguirá o registro de seu partido no TSE, a Rede Sustentabilidade, e de sua atuação nesse ciclo.

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Uma campanha presidencial com Lula (PT), Geraldo Alckmin ou Aécio Neves (PSDB), Eduardo Paes (PMDB), Marina Silva (Rede), um candidato do PSB e um candidato do PSOL (Nada de Luciana Genro, por favor. O Senador Randolfe Rodrigues é um bom nome. É um dos melhores quadros do partido e um dos poucos que gosto dentro do PSOL) seria uma eleição para entrar para história e certeza que seria mais disputada quanto à última.

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A disputa no PSDB vai depender de quem for o próximo presidente do partido. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já está costurando acordos para ser o próximo presidente da legenda. Em 2009, José Serra não era o presidente do partido, mas seu grupo tinha o controle da legenda e ele foi o candidato em 2010. Aécio Neves assumiu como presidente do partido em 2013, foi o candidato na última disputa.

lula

No PT, é Lula ou Lula. O PT depende exclusivamente de Lula para continuar no governo. Aliás, uma sugestão ao Datafolha é incluir Lula na próxima pesquisa de popularidade do governo. Acredito que ele não tem mais os quase 90% de aprovação quando entregou o governo para Dilma. Acho que hoje Lula tem entre 60 a 70% de popularidade, mas não duvido que apareça com 50%. Aliás, a pesquisa do Instituto Paraná pesquisa já foi sombria para o PT.

No PSB, não vejo um nome para uma candidatura a presidente. Vejo o PSB coligado com o PSDB ou com Marina caso ela saia candidata novamente. O prefeito de Belo Horizonte/MG, Marcio Lacerda, e o de Campinas, Jonas Donizette, são bons nomes para o PSB marcar posição. Luiza Erundina está quase de saída do partido.

caiado

Outro nome que não descarto é do Senador Ronaldo Caiado (DEM/GO). Caiado está ganhando notoriedade entre os que acham o PSDB muito mole como oposição ao PT. Antigo PFL hoje Democratas, o partido chegou a fazer 100 deputados federais na eleição de 1998. Na eleição de 2014, elegeu apenas 22 deputados. Talvez seja a chance do DEM recuperar um pouco da força política que teve em um passado recente.

Mas está sendo costurada uma fusão do partido Democratas com o PTB. Caiado é contra e pode sair da legenda. E pode ser a chance dele conseguir um partido com mais força política e que almeje disputar a presidência da República.

Ronaldo Caiado tiraria muito votos do PSDB e equilibraria a disputa para quem iria ao segundo turno. A candidatura de Caiado ocuparia uma lacuna na disputa eleitoral. Seria uma candidatura à direita. O Brasil já tem candidaturas de centro-direita, centro-esquerda, esquerda e até comunista, falta uma candidatura conservadora de direita. E essa corrente cresce a cada eleição, inclusive entre a população.

Ainda é cedo, mas com a crise política a qual passa o governo Dilma agravada com a crise econômica que derrubou a popularidade da presidente para baixo, os motores para 2018 serão colocados para esquentar antes e as eleições municipais de 2016 serão um teste para possíveis postulantes ao mais alto cargo da República.