STF é a última barreira contra golpismo de Bolsonaro

Ministros do STF deixaram de lado divergências jurídicas para uma união em defesa da Constituição, do estado de direito, da democracia

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Depois do General Augusto Heleno, chegou a vez do General Luiz Eduardo Ramos ameaçar os brasileiros com “consequências imprevisíveis” se a oposição “esticar a corda”.

Heleno fez ameaça em nota após o ministro Celso de Mello enviar para PGR uma notícia-crime que pedia apreensão dos celulares de Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. O ato era protocolar e o procurador-geral pediu posteriormente arquivamento pois só a PGR tem poder para tal e Celso aceitou sem antes fazer uma dura repreensão em seu despacho contra fala do presidente de não respeitar decisão judicial.

Já a ameaça do General Ramos, ministro da Secretaria de Governo – militar ainda da ativa -, foi em entrevista para Veja.

Trechos principais:

Qual a possibilidade de um golpe militar no Brasil? Fui instrutor da academia por vários anos e vi várias turmas se formar lá, que me conhecem e eu os conheço até hoje. Esses ex-cadetes atualmente estão comandando unidades no Exército. Ou seja, eles têm tropas nas mãos. Para eles, é ultrajante e ofensivo dizer que as Forças Armadas, em particular o Exército, vão dar golpe, que as Forças Armadas vão quebrar o regime democrático. O próprio presidente nunca pregou o golpe. Agora o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda.

O senhor se refere a exatamente o quê? O Hitler exterminou 6 milhões de judeus. Fora as outras desgraças. Comparar o presidente a Hitler é passar do ponto, e muito. Não contribui com nada para serenar os ânimos. Também não é plausível achar que um julgamento casuístico pode tirar um presidente que foi eleito com 57 milhões de votos.

O que seria um julgamento casuístico? Um julgamento do Tribunal Superior Eleitoral que não seja justo. Dizem que havia muitas provas na chapa de Dilma e Temer. Mesmo assim, os ministros consideraram que a chapa era legítima. Não estou questionando a decisão do TSE. Mas, querendo ou não, ela tem viés político.

O ministro negou possibilidade de golpe fazendo chantagem com o Tribunal Superior Eleitoral, chamando de “julgamento casuístico” as ações que estão desde antes do segundo turno de 2018 aguardando julgamento, que a absolvição da chapa Dilma-Temer teve viés político e usou o Holocausto para criticar Celso de Mello. Ora, general, o próprio presidente que cria oposição a ele mesmo procurando conflitos porque é assim que ele ganhou visibilidade e popularidade quando deputado inexpressível, venceu a eleição negando a política (agora está se entregando ao fisiologismo e ao pior da política) e precisa de antagonistas para manter pulsante em sua defesa a militância que sustenta seu apoio popular entre 20% e 30%.

Ele disse que foi instrutor de ex-cadetes que controlam unidades do Exército. Qual o motivo de dizer isso e na sequência mandar um recado que afronta o sentido de uma democracia (livre exercício de oposições ao governo)? É deixar o recado que ele (o presidente e o governo) tem um pessoal pronto para quando precisar. E não precisa chegar ao extremo de matar 6 milhões de judeus para ficar em alerta a gestos fascistas respingando no nazismo que este governo deixa escapar. Como o presidente da República incentivar seus apoiadores a invadir hospitais para “fiscalizar” leitos para pacientes de COVID-19. É justamente para evitar que se chegue no que aconteceu nos anos 1920 a 1940 que democratas de várias ideologias e as instituições precisam agir.

No mesmo dia que saiu a entrevista do General Ramos, o vice-presidente do STF, Luiz Fux, concedeu uma liminar esclarecendo definitivamente e delimitando intervenções militares em uma ação do PDT, que pediu esclarecimento do tribunal a respeito do artigo 142 da Constituição e leis que regulamentam as Forças Armadas do Brasil. A tropa de choque bolsonarista e o próprio presidente, por ignorância, saíram propagandeando que era possível uma intervenção militar para arbitrar conflitos entre os poderes. Até quem não é ignorante embarcou nessa tese no mínimo exótica emprestando sua credibilidade nessa aventura. Não sei o que levou o jurista Ives Gandra Martins a se sujeitar a isso o levando a soltar uma nota desdizendo o que disse, que foi “mal interpretado”.

Logo depois da liminar de Fux, o Planalto divulgou uma nota assinada pelo presidente, vice-presidente (e general) Hamilton Mourão e o ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva. A nota parece genérica, mas uma leitura mais atenta é possível detectar nova ameaça de ruptura. Falar que as Forças Armadas “não aceitam tentativas de tomada de poder” é recado direto para o STF, o TSE e o Congresso Nacional. A maior preocupação de Jair Bolsonaro e militares do governo no momento é com as ações que questionam a chapa vencedora em 2018. Mesmo se acontecer um compartilhamento de provas do inquérito que corre no STF com o tribunal eleitoral, existe uma jurisprudência firmada no julgamento de 2017 que não se pode ampliar muito a fase probatória de uma AIJE – Ação de Investigação Judicial Eleitoral. A composição da Corte mudou nesses 3 anos, os novos ministros podem ter outra interpretação, mas o Planalto teme que o TSE seja a saída encontrada para abreviar o mandato de Bolsonaro.

Em política o céu muda rapidamente e ultimamente tudo muda em questão de horas. O que é certo: os ministros do STF deixaram de lado divergências jurídicas para uma união em defesa da Constituição, do estado de direito, da democracia e do próprio tribunal. O tribunal é a última barreira contra projetos de poder autocratas. A classe política também não aceitará arreganhos autoritários. Mesmo os líderes de partidos contemplados com cargos de orçamentos gigantes deixam claro (em off) que estão dispostos a blindar o presidente e sua família, mas não endossarão a agenda ideológica do bolsolavismo nem ataques às instituições. O ato do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) devolvendo a MP 979, que dava a Abraham Weintraub poder de nomear reitores e vice-reitores “biônicos” em universidades e institutos federais durante a pandemia, se torna simbólico. A agenda econômica de Paulo Guedes será apoiada com ressalvas.

Confirmação da cassação de Selma Arruda prova, mais uma vez, que paladinos “pecam”

Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”

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Na noite de terça-feira (10), o TSE retornou o julgamento de apelação da senadora Selma Arruda (Podemos/MT). Na semana passada o relator Og Fernandes votou para manter a perda do mandato imposta pelo TRE/MT e convocação de uma eleição suplementar para preencher a vaga aberta. É um duro golpe na bancada lava-jatista no Senado Federal.

O placar contra a senadora ficou em 6 a 1. Nem o lava-jatista Barroso teve coragem de votar a favor da senadora. Apenas outro lava-jatista Edson Fachin, que é conterrâneo e amigo de Alvaro Dias, liderança do partido que Selma está filiada, votou a favor da ré.

Selma Arruda teve arredondados 25% dos votos válidos na disputa por duas vagas de senadores do estado de Mato Grosso. Terminou a disputa com a primeira vaga. Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”, saiu para ser candidata pelo PSL, brigou com Flavio Bolsonaro por apoiar uma CPI para investigar ministros do STF e STJ, foi para o Podemos de Alvaro Dias.

Podemos é um partido alinhado com as pautas da “República de Curitiba” e do ministro Sergio Moro. Faz parte da tropa do Moro atiçando contra as instituições. A cassação da senadora é um recado direto das mesmas e uma vitória do Estado de Direito, da própria política e democracia. E, mais do que isso, contra a impunidade que esse pessoal tanto faz discursos, afinal, ela foi pega cometendo sérias irregularidades como contratação de serviços de campanha fora do prazo, não declarou quantias volumosas confirmando caixa 2, abuso de poder econômico e político que desequilibrou a disputa eleitoral.

Mais uma lição que paladinos da moral e da ética também “pecam”, como foi no episódio do também senador Demóstenes Torres.

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Diplomado, Jair Bolsonaro diz: “Vamos resgatar o orgulho de ser brasileiro”

Jair Bolsonaro (PSL) e Hamilton Mourão (PRTB) foram diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral

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Jair Bolsonaro (PSL) e Hamilton Mourão (PRTB) foram diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vitória de uma coligação inesperada na corrida presidencial, que contava com apenas 8 segundos de tempo de TV, abriu mão de boa parte do fundo partidário e eleitoral que teria direito, a campanha mais barata da história das disputas presidenciais recentes do Brasil e mundial.

Muitos colocam no atentado a faca que quase matou Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora/MG, o marco da última eleição e essa facada garantiu a eleição dele.

Talvez sim, talvez não. Que mudou o rumo da eleição, sem dúvida. Não sei se o acontecimento do dia 6 de setembro tenha sido determinante para Bolsonaro ser eleito presidente. Foi uma eleição com muitos acontecimentos importantes que determinaram o resultado.

Por exemplo, a eleição de 2018 polarizou muito cedo. Era “Lula livre” ou o sentimento majoritário de repulsa ao petismo e a volta do PT ao governo depois de ter sido enxotado do Palácio do Planalto tanto pelas manifestações populares que lotaram as ruas entre 2015 e 2016, quanto pelo Congresso Nacional que votou majoritariamente favorável ao impeachment de Dilma.

Jair Bolsonaro (PSL) foi quem soube catalisar esse sentimento majoritário da sociedade, fazendo o candidato alcançar quase 50% dos votos válidos já no primeiro turno. No segundo turno, para alcançar maioria e vencer o pleito, Bolsonaro aproveitou os 54% de rejeição do adversário que representava o forte antipetismo. Isso fica cristalizado no resultado de Bolsonaro no segundo turno: 55,13%, um pouco mais do que as pesquisas indicavam de rejeição ao seu adversário.

Outro detalhe curioso são os números da eleição presidencial somando os votos do “Cirina”, um projeto que nasceu morto de unir as candidaturas de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmin (PSDB), que não chegou a 20% dos votos válidos, 18,23%. Se colocar os votos somados de João Amoêdo (NOVO) e Henrique Meirelles (MDB), 3,7%, só vai a 21,93%, bem atrás dos 29,28% do segundo colocado Fernando Haddad (PT).

Claro que resumir a vitória de Bolsonaro só ao antipetismo é reducionismo. Fatores como falta de segurança, corrupção, alternância de poder também influíram na decisão do voto. Mas é difícil saber exatamente qual teve mais força para entregar o voto do eleitor ao capitão reformado do Exército.

DISCURSO DE JAIR MESSIAS BOLSONARO APÓS SER DIPLOMADO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Eleição 2018 remember 2014

Neste momento, de paixões exacerbadas, a porta de saída de confusões provocadas pelos homens é a lei

Chuvas de ações deixam a eleição presidencial com futuro incerto. Neste momento, de paixões exacerbadas que tornam a visão turva, você falar em lei será acusado de sacrilégio. Mas existe lei e somente ela é a porta de saída de confusões provocadas pelos homens.

O PT entrou com uma ação no TSE pedindo a cassação da candidatura de Jair Bolsonaro e que o deixe inelegível por 8 anos por abuso de poder econômico e doação de empresas (vedada pelo STF em 2015) via caixa 2. A Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para Polícia Federal investigar as empresas que a Folha de São Paulo diz que foram contratadas para impulsionar mensagens em massa no Whatsapp. Uma terceira ação protocolada pelo PDT, partido do terceiro colocado Ciro Gomes, no primeiro turno, pede uma nova votação sem Bolsonaro.

Das três ações a do PDT pode descartar que é sem o menor fundamento jurídico e de lógica. Já a ação do PT e o inquérito da PF renderão muitas manchetes e já adianto que não tem a menor chance de a votação do dia 28 não acontecer ou acontecer sem Jair Bolsonaro.

Porque é impossível julgar uma ação no TSE faltando uma semana para o segundo turno. O ministro-corregedor Jorge Mussi aceitou com ressalvas o pedido do PT e deu os 5 dias de prazo para o denunciado se defender. Depois, o ministro decidirá se precisa de mais tempo para colher provas para ao final da coleta de provas despachar a ação e a presidente Rosa Weber marcar a data do julgamento. Não tem prazo. É o mesmo trâmite na ação que pedia a cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, pelo mesmo motivo da ação do PT: abuso de poder econômico na eleição. Aécio Neves entrou contestando a chapa vencedora de 2014 após a diplomação dos eleitos, em dezembro de 2014, só em junho de 2017 que o tribunal julgou e por 4 a 3 inocentou Dilma e Temer.

A acusação que pesa contra o candidato do PSL é de que empresários contrataram empresas de marketing digital para impulsionar menagens em massa contra o PT. O que o tribunal eleitoral vai investigar é se (1) houve de fato o que a Folha trouxe, (2) comprovando a denúncia se há conexão com a campanha do candidato Bolsonaro (3) e se interferiu no curso da eleição. Atenção: os itens 2 e 3 são os principais para o julgamento do TSE.

Comprovada a denúncia e comprovado que o candidato sabia – por partícipe da trama ou por omissão -, a lei determina a cassação do registro da candidatura e, caso os componentes já diplomados, uma nova eleição é convocada independente se os eleitos já tomaram posse. Os perdedores – presidente e vice – do segundo turno não assumem no lugar dos cassados.

O jornalista Reinaldo Azevedo, que tem trânsito nos corredores do STF, disse no RedeTV News que ministros acham que essa ação é o “freio” que as instituições precisavam em um governo Bolsonaro. Dependendo de como ele governará, respeitando a Constituição e não incitando guerras contra grupos opositores ou/e a imprensa, ela pode dormir na gaveta do TSE por todo mandato.

Caso contrário, o julgamento aconteceria antes da metade do mandato para, em caso de condenação, realizar eleição direta. Na vacância da presidência e da vice-presidência nos dois primeiros anos de mandato a Constituição determina realização de eleição direta e nos dois anos finais eleição indireta no Congresso Nacional.

Independente do que acontecer, com a redemocratização foram 6 eleições presidenciais sem contestação do resultado. Vamos para a segunda que o seu resultado será decidido nos tribunais.

Brasil a caminho da Idade da Pedra

Brasil está quebrado, mas não ter dinheiro nem para urna eletrônica é só uma pequena amostra do tamanho do buraco

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Caiu como uma bomba a nota do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que diz que o contingenciamento comprometerá as Eleições Eletrônicas Municipais de 2016. Em outras palavras, 20 anos depois da primeira eleição com voto eletrônico no Brasil (1996), o velho voto no papel pode voltar nas próximas eleições. Desde 2000, o voto de papel foi aposentado em 100% dos municípios brasileiros.

O Brasil vive um momento de retrocessos no meio da segunda década do século 21. Inflação na casa dos dois dígitos, desemprego também perto de 10%, um Congresso Nacional aprovando leis irracionais, fora a corrupção que campeia em todos os partidos e vai do mais simples deputado ao presidente da Câmara e do Senado.

Os conspiracionistas festejam a volta do voto de papel porque acham que a urna eletrônica foi feita para os petralhas-comunistas-do-PT ganharem as eleições e o voto eletrônico é manipulado. Tudo com base em denúncias de Facebook e blogs do sub-mundo da internet (bom lembrar que 90% do que se encontra na rede é falso).

Defendo o voto impresso na urna eletrônica (aqui) porque faz parte do aperfeiçoamento do sistema de votação eletrônico e ajuda a blindar a urna eletrônica contra esses teóricos de conspirações de botequim. Acho descabido o argumento de alguns ministros do TSE, principalmente do presidente Dias Toffoli, de que o voto impresso é inviável por consumir R$ 1 bi a mais. Tudo que minimize falhas e garanta segurança máxima ao processo eleitoral não pode ser descartado por consumir mais dinheiro. Afinal, a eleição é que decide quem vai gerir esse dinheiro que é público e tem que ser 100% transparente.

Agora, voltar com o voto em cédulas de papel seria o maior retrocesso da história do Brasil desde 1500. Ainda mais por falta de dinheiro, o governo federal está cortando tudo para fechar o rombo de bilhões que ele mesmo provocou. Já sabia que o Brasil está quebrado, mas não ter dinheiro nem para urna eletrônica é só uma pequena amostra do tamanho do buraco que nos enfiaram. Pior: sem prazo para sair dele.