Quando uma pessoa mais ou menos famosa é assassinada nos morros e favelas cariocas, ela aparece em todas as emissoras de TV, manchetes de jornais, revistas, e portais de internet. São opiniões em vários blogs e colunas. É comoção nas redes sociais, hashtags pra lá e pra cá.
O assassinato do jovem dançarino Douglas Rafael, o “DG”, do programa “Esquenta” apresentado por Regina Casé na Rede Globo, é a mais nova comoção de artistas e intelectuais. Vários artistas, celebridades e especialistas que estudam a violência no Brasil participaram do programa especial em homenagem ao DG.
Respeito a dor da família, parentes, amigos e, principalmente, a dor da mãe do garoto. Mas não vou chorar a morte de quem era amigo de traficante. Muito menos ficar escrevendo hashtag em rede social. Isso acaba com a violência no País? Resolve as mazelas sociais do Brasil? Não. Isso apenas alimenta o marketing social de celebridades. Mostra que o artista – do alto de sua cobertura no Leblon, o metro quadrado mais caro do Rio de Janeiro – é engajado socialmente.
Também não vou julgar a polícia como culpada sem que a investigação do caso seja concluída. Algo que, nas entrelinhas, fizeram no programa “Esquenta” no último domingo. Tipo “a polícia é um mal que tem que acabar”, “deixem a gente morar na favela em paz com a companhia dos nossos amigos traficantes”, “ninguém merece morrer, nem traficantes”. Concordo que não tem que matar traficantes, eles têm que pagar pelos seus crimes dentro da lei. Só que em troca de tiros entre bandidos e a polícia, o bandido não alivia para a polícia. Por que a polícia tem que aliviar para bandido? E por qual razão DG estava pulando nos tetos das casas e de uma creche no meio de um tiroteio? No mínimo suspeita essa atitude.
O policial é tão povo quanto quem mora nas favelas. Aliás, a maioria absoluta da polícia é pobre, ganha pouco para sustentar suas famílias e, assim como milhões de brasileiros, possui familiares que moram em favelas, além de ser mal treinada e preparada. E, por isso, surge a banda podre da polícia. Mas, para nossos intelectuais de esquerda juntos com nossas celebridades, toda polícia é corrupta e não gosta de pobre, preto e favelado. A PM tem que acabar e as UPPs são o novo “Esquadrão da Morte”.
O que os intelectuais de esquerda e as algumas celebridades querem é um personagem para transformar em bandeira de uma “causa nobre”. E só serve se for negro ou pobre/favelado. Se for negro, pobre e morar em favela, a narrativa está pronta. O contexto e os fatos são esquecidos e todos posam de engajados socialmente, se filiam a algum partido político (PSOL?), inclusive algumas celebridades se candidatam a vereador e/ou deputado federal/estadual na eleição mais próxima.