Surubinha vai além de gostar ou não de funk: é crime

Foto de Yasmin Formiga

Não é de hoje, nem de ontem, que o declínio musical está assombroso. Músicas que fazem sucesso inexplicavelmente. Ou melhor, porque o declínio é geracional e a próxima tem tudo para ser pior.

A popularidade de funks muito se deve a batida musical e dane-se a letra. Mas agora chutaram o balde e produziram uma aberração que vai além da questão de gosto. Surubinha é um funk do MC Diguinho produzido em 2017, mas que deve ser o hit do carnaval 2018. Seria só mais um funk bom para quem gosta do gênero. Não é o meu caso, nem pretendo entrar nesse mérito. O grande problema é uma parte da letra. Apologia explícita ao estupro.

Cadê as feministas moderadas e as radicais que fazem um dramalhão para qualquer coisa quando tem um caso concreto de machismo, misoginia e o agravante de apologia ao estupro? Cadê o Ministério Público?

Depois de “meu pau te amo”, não pensei que fossem descer mais um degrau na involução da espécie rumo à barbárie. Não é só não gostar de funk, a letra afronta o código penal. A dupla Claudinho e Buchecha produziram ótimos funks que fazem refletir socialmente até os dias atuais. E outros funks clássicos da década de 1990, por exemplo “É só mais um Silva” e “Eu só quero é ser feliz”.

Funks da atualidade são só letras vulgares, obscenas, apologistas a tudo que não presta apenas para explodir e fazer sucesso, além de emburrecer as pessoas. No país de Anittas, onde vale mais rebolar a bunda do que um ato heroico e suicida de uma professora para salvar crianças, surubinha faz sucesso.

Para não ser acusado de ser elitista e preconceituoso com “os manos”, encerro com um funk histórico em que não precisou ter letra obscena ou apologia às drogas e putaria para passar sua mensagem com um sucesso retumbante em um tempo que não existiam redes sociais.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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