
Uma ação policial no interior do Rio de Janeiro reacendeu um debate antigo e complexo. Um bandido assaltou uma loja na cidade de Valença (RJ), ele tinha um revolver calibre .38 e R$ 50 mil em joias roubadas. Ao fazer um patrulhamento no centro da cidade, a PM foi avisada do assalto com refém, no caso uma senhora de 83 anos. Segundo os policiais o assaltante ameaçava atirar na mulher ou no policial.
O policial que estava tentando negociar com o criminoso não teve dúvida e aproveitou a primeira brecha que o bandido deu para atirar. Estava em jogo a vida da vítima e a sua própria ou do sequestrador. Um vídeo de todo ocorrido percorreu a internet e lógico que houve manifestações de aplausos ao policial e críticas.
O presidente eleito Jair Bolsonaro publicou uma mensagem parabenizando o policial por ter salvo a vida da senhora de 83 anos. Nunca um presidente da República valorizou uma ação policial por ter salvo um cidadão ou cidadã.
Mas a imprensa, especialmente a Folha de SP, noticiou o caso quase crucificando o policial e usando a mensagem do presidente como um endosso a um assassinato. É a “bandidolatria” que encontrou guarida nas redações de jornalismo. Bandido é vítima da sociedade, de falta de oportunidade e a polícia é fascista que comete genocídio contra a população pobre e negra. Pensamento assim passou a ser propagado por quem defende uma linha ideológica revolucionária divisionista.

Todo um discurso de uma parte da esquerda é endossado por uma imprensa com viés. A “bandidolatria” acha que o problema da violência está na polícia que “mata muito” e a solução está na desmilitarização passando por iluminar todas as ruas das cidades. O conceito de “Direitos Humanos” foi distorcido de uma forma que se você aplaude um policial que arriscou sua vida para salvar outra é logo carimbado de fascista – obviamente, quem acusa o outro indiscriminadamente de fascista não faz a menor ideia do real significado do fascismo – e você passa a ser o criminoso. A inversão de valores foi tão grande, que gerou um efeito de repulsa pela palavra “direitos humanos”.
Na próxima segunda-feira (10) vai ser comemorado os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ninguém pode ser contra o que está nos 30 artigos da declaração escrita alguns anos depois do término da Segunda Grande Guerra Mundial, que deixou um rastro de destruição em vários países e vidas humanas. Acontece que passaram a usar a declaração como justificativa para teses das mais absurdas. O termo “direitos humanos” passou a ser usado por pessoas que sequestraram a pauta para fins políticos. Quem defende direitos humanos passou a ser associado a esquerda.
Na minha concepção de direitos humanos a vida deve estar em primeiro lugar, sempre. Agora, qual vida vem primeiro? A vida do bandido que aponta uma arma para um trabalhador tentando ganhar seu ganha pão dignamente ou da vítima? Comissões e ONGs de direitos humanos só visitam famílias de bandidos, só lutam em defesa de quem está na margem da lei ignorando quem defende e quem vive dentro da lei.
Bandido bom é bandido preso cumprindo a pena proporcionalmente ao delito cometido. Não necessariamente em um hotel cinco estrelas. Presídio não é para ser depósito de pessoas, mas não é colônia de férias para ter luxo. Se é para escolher, eu prefiro o bandido morto do que a vítima ou o policial.