
Em um cenário de Guerra Fria entre EUA x URSS a polarização era inevitável entre capitalismo e comunismo. No Brasil, João Goulart assumiu como presidente após a renúncia de Jânio Quadros, sob forte desconfiança de setores militares, políticos, empresários e a igreja.
Jango era nacionalista e tinha um plano de metas conhecido como “Reformas de Base”. O medo do “fantasma do comunismo” fez surgir a aliança político-empresarial-militar para depor o presidente.
A esquerda chama o que ocorreu em 1964 de “golpe” e a direita chama de “revolução” ou “contragolpe”.
Os presidentes militares
Humberto de Alencar Castello Branco, o primeiro dos cinco presidentes do regime militar, foi eleito pelo Congresso Nacional por maioria esmagadora de votos com a vacância decretada de Jango, que ainda se encontrava em solo brasileiro, mas não tinha como resistir sem provocar uma guerra civil e derramamento de sangue. No acordo para a eleição de Castello Branco estava a garantia de manter o cronograma do calendário eleitoral e a eleição de 1965. A ala linha dura do Exército quebrou o acordo e não devolveu o comando do país aos civis.
Arthur da Costa e Silva foi eleito presidente. Promulgou a Constituição de 1967 e decretou o AI 5 de 1968 recrudescendo o regime. Costa e Silva adoentou-se, militares resistindo a entregar o poder a um civil, o vice-presidente Pedro Aleixo, impediu sua posse e uma junta militar governou o país até a próxima eleição.
Emílio Garrastazu Médici assumiu o governo, o período mais sombrio do regime e ficou conhecido como “anos de chumbo”. Foi no governo Médici o conhecido “milagre econômico” e o tricampeonato mundial de futebol que deu ao Brasil a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Como o presidente gostava de futebol e enxergava na ferramenta a chance de criar um ufanismo nacional passou a usar como propaganda política.
Ernesto Beckmann Geisel foi o sucessor de Médici e seu governo foi o começo do declínio econômico provocado pela crise do petróleo, uma política econômica de expansão do gasto público em obras faraônicas que provocou um surto inflacionário desaguando na hiperinflação dos 1980 até o meio dos anos 1990. A política de Geisel foi muito parecida com a implementada na metade do segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e no primeiro governo de Dilma Rousseff.
João Baptista de Oliveira Figueiredo, o último presidente do regime enviou a proposta de anista para o Congresso Nacional e prosseguiu com o processo de reabertura política “lenta, segura e gradual” de Geisel.
Melhor o “golpe” do que o fraco Jango deixar os comunistas tomarem conta. Este país correu o risco de virar uma Cuba continental. Está na hora da esquerda superar isso. Do Getúlio, o maior inimigo do comunismo na história deste país, não vejo reclamações dos esquerdistas.
Não tenho dúvidas de que foi golpe. Revolução só acontece de fora pra dentro. Ou seja, os militares eram pagos pelo dinheiro público e continuaram a ser.
Sugiro esse vídeo do Reinaldo Azevedo no qual ele explica como a CF/46 não foi observada quando andaram dizendo nos últimos dias. – http://bit.ly/AzevedoGolpe. (a partir de 13’10”)
Uma ação que, em tese, seria usada apenas para impedir uma revolução comunista durou duas décadas. No período, tivemos tortura de Estado, o que é inadmissível.
No fim, só devolveram o país quando perceberam que não conseguiriam continuar com o desastre econômico no qual mergulhamos.