
Na Folha, medidas do governo – como auxílio emergencial e redução de jornada e salários – impediram que 23,5 milhões caíssem na extrema-pobreza durante a pandemia e efeitos na economia. Outros 5,5 milhões tiveram aumento de renda com o auxílio emergencial de três parcelas R$ 600 prorrogado em mais duas. São quase 30 milhões de pessoas atingidas pela a ação direta do Estado.
“Na ausência de qualquer benefício dessa natureza, a desigualdade teria aumentado de modo constante e rápido”, apontaram Rogério Jerônimo Barbosa (Universidade de São Paulo) e Ian Prates, do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), os responsáveis pelo estudo. Lula foi muito criticado ao dizer que o coronavírus “veio para demonstrar a necessidade do Estado”, como se tivesse comemorando a chegada do vírus. Ele pode ter errado nas palavras, mas acertou no diagnóstico. Bolsonaro é alvo dos “farialimers” por querer mudar um pouco as diretrizes da política econômica de seu governo, sendo acusado de estelionato eleitoral por parcela de eleitores decepcionados com o atual presidente.
O presidente descobriu que políticas sociais que criticou no passado ajudam a população mais vulnerável e é um pote de ouro para o governante de plantão – faz parte o político explorar politicamente uma política eficiente. Defendo a livre iniciativa e um ambiente de negócios mais livre de burocracia, um sistema tributário e encargos trabalhistas sem sufocar empreendedores (nem lei frouxas que favorecem trabalhos análogo à escravidão), também não sou ancap (Deus me livre) nem liberal doente ou fiscalista que corta tudo e taxaria até o sol e o ar se pudesse. A importância de um Estado forte, robusto e presente, o que não é sinônimo de Estado inchado e perdulário, se impôs.
Em um país com uma desigualdade crônica de renda e regional, um Estado atrofiado – ou mínimo como defendem – é abandonar cidadãos à própria sorte e muitos não terão chance na meritocracia.