Alguns inconformados com a vitória de Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) e Hugo Motta (Republicanos/PB) para presidentes do Senado Federal e Câmara dos Deputados levantaram o debate sobre a representação das duas casas.
Parlamentares das regiões sul e sudeste questionam a força do norte e nordeste no parlamento brasileiro. No Senado, todos os membros da mesa diretora são do nordeste (4) e norte (3); na Câmara, são 5 do nordeste, 1 do sudeste e 1 do sul. Questionam um estado pequeno como o Amapá ter tido 6 presidentes do Senado desde 1985.
Falam em coronelismo, reforma do pacto federativo e com tom de soberba argumentam que os estados ricos e mais populosos carregam o país nas costas enquanto os demais, pobres e subdesenvolvidos, usufruem das riquezas dos desenvolvidos. Em outras palavras, estão acusando os estados pobres e menos populosos de usurparem as riquezas e poder dos ricos.
Discurso bairrista e xenófobo. O Brasil realmente não tem uma unidade nacional como os outros países da América do Sul ou os EUA. Esporadicamente o povo se une como nação para torcer por patriotas em esportes e outras áreas, mas aquele sentimento de orgulho nacional faz falta. O Brasil só não foi dividido como os países de língua espanhola pela estratégia e força de D. Pedro II.
Voltando para as eleições do Congresso, o Senado foi constituído para representar a federação, os estados, de forma igualitária, para evitar privilégios aos estados mais ricos e populosos. Por isso, são 3 senadores por estado totalizando 81 senadores. Na Câmara, a representatividade é por tamanho da população.
Mas por que os estados do norte e nordeste têm essa força no parlamento? Primeiro que é matemático: são 9 estados nordestinos e 7 do norte, 16 ao todo. Só aí são 48 senadores, maioria folgada. E como senadores das regiões menos desenvolvidas e populosas existe na classe política local uma unidade em defesa delas, o que só agora os políticos do sul e sudeste se unem por interesses das suas regiões, mas juntos não dão metade dos senadores do norte e nordeste.
É justo essa desigualdade no tamanho das bancadas regionais no Senado? Bem, já pensou se não fosse assim o tamanho da desigualdade regional que já é grande? O pessoal da meritocracia quer que cada um se vire. Não que sou contra a meritocracia como princípio, mas na política é preciso ter um olhar mais diferenciado para os vulneráveis sem deixar, claro, de olhar para todos os entes federados.