
Em vídeo constrangedor, Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, candidato a prefeito de São Paulo pelo partido Patriota, justifica seu pífio desempenho nas pesquisas em um boicote da mídia e sugere manipulação das pesquisas eleitorais. Para embasar seu argumento sobre as pesquisas, Arthur relembra erros de pesquisas das eleições passadas reforçando que uma pesquisa custa 100 mil reais, sugerindo manipulação sem apresentar uma prova sólida e usa a sua força na internet para contradizer os resultados das pesquisas, como se o engajamento na rede social fosse o mundo real. Vitimismo, teoria conspiratória e realidade paralela.
O candidato não deve saber, mas pesquisa é retrato de momento. Um candidato pode estar em alta ou em baixa numa pesquisa e na próxima pode ganhar, estagnar ou perder votos. Pesquisas não são para substituir a eleição, mas fazem parte dela e servem para medir a temperatura do pleito. Pesquisas mostram cenários e projeções. Existem erros, por óbvio, até por isso existe o mecanismo chamado de “margem de erro” para aferir a confiabilidade e o método científico das pesquisas.
Realmente, houve uma enxurrada de erros nas pesquisas da véspera do primeiro turno das eleições de 2018. Os representantes dos institutos se ancoraram na volatilidade do eleitor que naquela eleição estava mais mais volátil do que o normal tanto pelo advento das redes sociais como pela onda bolsonarista que impulsionou candidatos desconhecidos e neófitos da política. Mas o Arthur sonega, por desconhecimento ou má-fé, a precisão das pesquisas no segundo turno, quando são dois candidatos e mais fácil de captar o sentimento do eleitor. Inclusive, um exemplo que ele usou foi Celso Russomanno liderando a eleição para prefeito da eleição de 2016 e João Doria (PSDB) em último. Na eleição, Doria ganhou no primeiro turno. Só esquece que as pesquisas já indicavam essa vitória do tucano e em nova rodada de pesquisas do Datafolha divulgada ontem já mostra Russomanno derretendo novamente.
Quanto a teoria que a mídia boicota sua candidatura, redações dos grandes jornais/TV/rádio, em sua maioria, não são simpáticas as ideias e ideologia do candidato, de fato, o que está dentro da liberdade de imprensa em uma democracia dentro do Estado de Direito, e dentro desse Estado de Direito ele pode usar a Justiça caso se sinta prejudicado por uma matéria que o calunie ou com falsa acusação de um crime. O resto, como coloquei, é liberdade de imprensa e editorial.


A campanha de Guilherme Boulos (PSOL) já é vitoriosa mesmo se não passar para o segundo turno. Boulos está imprimindo um estilo que já está colhendo frutos com excelentes resultados nas pesquisas. Também a mensagem que o candidato passa se conecta com o momento mais do que a crise econômica, a precarização do trabalho ou modernização trabalhista. Não é coincidência que o candidato do PSOL está deixando o candidato do PT comendo poeira.
Britinho foi alçado ao posto de candidato em um movimento de união das oposições, reunindo antigos desafetos políticos. Tudo para pôr um fim há 16 anos de hegemonia do grupo que está no poder municipal. Mas o próprio fazia parte do grupo situacionista até meses atrás. Não enxergando grandes oportunidades de crescer no grupo pela forma como Edilardo Eufrásio (MDB) lidera, foi buscar apoio nas oposições para essa disputa. Britinho tem dois mandatos de vereador (no segundo foi presidente da Câmara municipal por dois anos) e foi vice-prefeito entre 2013-2017. Britinho levanta a bandeira de levar direitos e oportunidades iguais para todos e não para um grupo minoritário próximo ao poder.
Heloide não tem boa oratória, mas tem carisma popular que conquistou quando era primeira-dama. Foi o carisma dela que levou Edilardo, que é esposo dela, a apostar em seu nome há quatro anos e repete agora. Antes de ter seu nome confirmado boatos que ela não estava querendo ser candidata novamente cansada do cargo e de críticas.