Votos de Luizianne devem pesar na disputa final entre Sarto e Capitão Wagner

Em Fortaleza-CE, José Sarto (PDT) e Capitão Wagner (PROS) estão no segundo turno. A diferença entre eles no primeiro turno foi de 2,40%.

Wagner vai disputar pela segunda vez o segundo turno na capital cearense. Perdeu em 2016 para Roberto Cláudio (PDT). Apesar de Bolsonaro o ter citado e o candidato não declinar o apoio do presidente, ele não é bolsonarista raiz e diferente de Crivella, no Rio, Russomanno, em São Paulo, a candidata no Recife Patrícia Domingos, Wagner não usou a imagem presidencial na sua campanha.

A eleição está conectada com o caminho que os eleitores de Luizianne Lins vão seguir, a ex-prefeita não conseguiu passar do primeiro turno novamente.

O seu partido, o PT, deve apoiar Sarto, o governador Camilo já se antecipou e declarou apoio a ele (intimamente já o apoiava), mas Luizianne foi muito atacada pela campanha do candidato dos Ferreira Gomes, que são desafetos dela. Por outro lado, ela não deve apoiar Wagner, pelo laço dele com Bolsonaro.

Desunião na esquerda favoreceu Crivella e Paes no Rio

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) vai enfrentar Marcelo Crivilla (REP) no segundo turno. O atual contra o ex-prefeito. A vantagem para o ex-prefeito é enorme. Além de ter terminado o primeiro turno com quase o dobro de votos de Crivella e ganhado em quase todas as zonas eleitorais da cidade, Paes conta com rejeição recorde do atual prefeito para voltar a governar o Rio.

Para passar ao segundo turno Crivella contou com dois fatores: colagem na imagem no presidente Bolsonaro e a fragmentação da esquerda. Somando os votos de Martha Rocha, Benedita da Silva e Renata Souza, respectivamente de PDT, PT e PSOL, essas candidatas juntas conseguiram 25,81% dos votos válidos, acima dos 21,90% de Crivella.

Independente se certo ou errado, Marcelo Freixo acertou no diagnóstico. Ao desistir da candidatura percebendo que não teve êxito em formar uma frente de esquerda, sabia que sem uma candidatura única seria difícil passar para o segundo turno, mesmo com toda a rejeição ao atual prefeito.

Guilherme Boulos PSOL) e Manuela D’avila (PCdoB) estarem no segundo turno em São Paulo e Porto Alegre, respectivamente, sem ter formado uma frente de esquerda, não sugnifica que no Rio seria igual. Cada cidade tem sua particularidade e na política são amplificadas.

Essas diferenças pesaram na não união no Rio e desgastaram Freixo dentro do PSOL, também por ter um pensamento menos ideológico dentro do partido.

A fragmentação deu chance ao Crivella disputar o segundo turno e ao Paes voltar a ser prefeito. Mas não significa que a eleição esteja decidada. Segundo turno é uma nova eleição com oportunidades iguais aos candidatos e o confronto do atual prefeito contra o ex é um choque de gestões. Crivella pode fazer uma reta final que convença que seu governo ainda é melhor (ou menos pior) que o de Paes e conseguir uma virada histórica.

Não sei como, especialmente em um segundo turno que terá menos tempo do que os outros. Mas nunca diga nunca em eleição.

Covas e Boulos no segundo turno em SP

Guilherme Boulos (PSOL) vai fazer o segundo turno contra o prefeito Bruno Covas (PSDB). Deixou pra trás nomes de peso como o ex-governdor Márcio França (PSB) e o deputado federal, apresentador Celso Russomanno (REP), mesmo com apenas 17 segundos no horário eleitoral e apostando no engajamento das redes sociais.

O PSOL dá um importante passo para tentar romper a hemogemonia petista no campo da esquerda. Ficou muito a frente do candidato do PT. Mesmo que não seja eleito, não é o favorito, Boulos já fez história. Mas, em surpreendendo novamente, dobraria o feito e entregaria ao PSOL a maior cidade do país, a maior da América do Sul e a terceira das Américas.

Mas herdar apenas os votos do PT não adiantaria para Boulos, porque o partido foi nanico nessa eleição. Boulos terá que conversar e convergir com eleitores de França e com eleitores de direita do Russomanno e Arthur “Mamãe Falei”. O candidato está disposto a suavizar propostas para conquistar o voto desses eleitores?

Até aqui, Boulos não foi radical como se espera de um candidato do PSOL, apesar de mostrar convicções em determinados temas caros ao partido, esquerda e ao próprio candidato.

No discurso após confirmada sua passagem para o segundo turno, o candidato deu uma amostra no que deve ser a estratégia que é apostar na alta rejeição do governador João Doria na cidade de São Paulo contra Covas e contra a hegemonia tucana no estado. Só que Boulos terá a barreira da própria rejeição, maior do que a de Covas.

Já Bruno Covas, vai viver um dilema nessa disputa. Para ganhar os votos do campo mais à direita terá que apelar para polarização que sua campanha foge. O arco de aliança que lhe conferiu o maior tempo de televisão é um esboço de uma frente de centro para a candidatura presidencial de Doria ou outro nome em 2022.

Covas não tem o perfil de polarizador e apostou justamente no discurso contra os extremos, o que deve reforçar agora na reta final para colar no adversário a pecha de radical. O que torna o atual prefeito favorito é a tendência dos eleitores de França, Russomanno e Arthur do Val penderem a ele. Vai ser divertido bolsonaristas pedindo voto no vice de Doria para derrotar a esquerda ou votarão no escurinho da urna ou se absterão.

Há as quase 30% de abstenções. Covas e Boulos podem convencer muitos eleitores que não foram votar no primeiro a votar no segundo turno.

São Paulo: Covas no primeiro turno ou contra Boulos ou França

Datafolha na véspera da eleição, em São Paulo, mostra Bruno Covas (PSDB) com 37% dos votos válidos (excluindo nulos/branco/indecisos). Guilherme Boulos (PSOL) tem 17%; Márcio França, 14%; Celso Russomanno (REP), 13%; Jilmar Tatto (PT) e Arthur do Val (Patriota), 6%.

Pesquisa Ibope mostra dados semelhantes. Bruno Covas, 38%; Guilherme Boulos, 16%; Márcio França, 13%; Celso Russomanno, 13%.

Não é possível descartar uma vitória de Covas já no primeiro turno, o tucano continua subindo e se distanciado dos rivais, mas a disputa é pela segunda vaga no segundo turno que continua imprevisível. Por estas pesquisas, está entre Boulos e França.

Datafolha: PSOL próximo de um segundo turno histórico

Bruno Covas (PSDB) aparece com 32% (votos válidos: 36%) e é líder absoluto na corrida pela prefeitura de São Paulo; Guilherme Boulos (PSOL) ultrapassa Celso Russomanno (REP) – 16% (vv 17%) a 14% (vv 15%) – com Márcio França logo atrás – 12% (vv 13%). Os três estão em empate técnico, mas faltando poucos dias Boulos deve sacramentar sua passagem ao segundo turno, e Covas ainda pode ser reeleito no primeiro turno caso aconteça uma onda de voto útil como na eleição passada com Doria.

Russomanno tentou censurar a pesquisa Datafolha alegando irregularidades e teve êxito na primeira instância eleitoral. A Folha recorreu ao TRE/SP e conseguiu um mandado de segurança para divulgação. Além de desabar nas intenções de voto, repetindo 2012 e 2016, Russomanno viu disparar sua rejeição e superou Joice Hasselmann (PSL) como candidato mais rejeitado pelo eleitor (49%). Explicado o motivo do candidato tentar barrar a divulgação da pesquisa. O papel dele nessa campanha é pra lá de lamentável. É risível e enoja.

No debate de quarta-feira (11) promovido por UOL/Folha, Russomanno acusou Boulos de usar produtora fantasma na campanha e com dinheiro público do fundão eleitoral. Provas? O veículo? O jornalista da acusação? Um blogueiro que foi preso e responde a inquérito no STF por espalhar notícias falsas. Pode até manter votos para se eleger deputado, mas depois dessa campanha Celso Russomanno jogou no lixo sua credibilidade política, o que já não era elogiável.