Financiamento da democracia

O fundo especial para campanhas eleitorais foi instituído em 2017 para as campanhas de 2018 após o STF julgar inconstitucional doações eleitorais de empresas.

O “Fundão Eleitoral”, como ficou conhecido, será de quase R$ 5 bilhões em 2026. É questionável não só o valor como a existência desse fundo público para campanhas políticas.

Por um lado, a democracia tem alto custo e precisa ser financiada de algum modo ou o crime organizado se aproveitará, já se aproveita de várias formas. Já outra visão não acha justo a população ser obrigada a financiar campanhas eleitorais – financiamento popular de campanhas políticas tem que ser individual e voluntária.

Doações de empresas para candidatos viraram a porta de entrada para a corrupção. Não que com o fim delas foi o fim da corrupção, pelo contrário, mas deu um verniz de moralização. O problema é a que custo: dinheiro público e do crime organizado.

Candidatura de Flavio Bolsonaro na berlinda

Explode uma bomba que pode mudar completamente os rumos da campanha eleitoral de 2026. É um áudio do senador Flavio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro pouco antes da primeira prisão do ex-banqueiro pedindo dinheiro para o filme sobre Jair Bolsonaro.

Mesmo se não tem crime, a pré-campanha de Flavio é alvejada e dificilmente escapará. Áudio como esse acaba com a vida política de qualquer um. Aécio Neves tenta reconstruir a sua biografia após os áudios com Joesley Batista e sabe que não será como antes, mesmo absolvido na justiça.

O que pode acontecer na disputa presidencial é o presidente Lula (PT) ser beneficiado; outra pessoa da família Bolsonaro (só vejo Michelle com viabilidade, mas os filhos não querem) assumir a candidatura; Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) ou outro candidato beneficiado.

Seja o que acontecer, o áudio do Flavio entra na galeria de fatos marcantes das eleições para presidente.

Lula pode ter fim político melancólico

Pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em uma disputa de segundo turno confirmando outras pesquisas.

Lula derrete e caminha para se juntar a Jair Bolsonaro como presidentes em exercício que não conseguiram a reeleição. A rejeição ao atual governo é de 52% e 60% não querem a reeleição do atual mandatário. O mau humor com o atual governo não deve mudar até outubro. Se o presidente não agradou boa parte da população em mais de 3 anos, dificilmente vai conseguir em poucos meses.

O cenário da eleição presidencial brasileira é parecido com a chilena, quando a candidata de esquerda venceu o primeiro turno, mas a união dos outros candidatos fez José A. Kast ser eleito com 60% dos votos no segundo turno.

Mesmo assim, a disputa será apertada como a última e Lula pode vencer novamente. Mas os escândalos, a descrença da população nas instituições (principalmente com ministros do STF e o governo os abraça perigosamente), crise econômica agravada por fatos externos tornam a missão muito difícil.

O medo do brasileiro entre Lula e Bolsonaro

Pesquisa mostra que a população tem mais medo da reeleição de Lula do que a volta de Bolsonaro representado pelo filho Flávio.

Diferença mínima e que pode mudar, mas que deve preocupar o PT.

Lula voltou para presidência com muitos dos votos nele em 2022 sendo pelo medo da reeleição do então presidente.

Com eleições cada vez mais decididas por décimos e as pessoas votando mais pela rejeição, o sinal amarelo pisca no governo.

Novo quer censurar desfile de escola de samba que homenageará Lula

As escolas de samba sofrem preconceito pelos seus integrantes de comunidade (favelas), subúrbios, a questão do jogo do bicho sustentar por muitos anos os desfiles no Rio Janeiro (hoje os recursos são diversificados) e o próprio samba chegou a ser marginalizado.

Acadêmicos de Niterói venceu a Série Ouro do carnaval de 2025 e ganhou o direito de abrir os desfiles de 2026. Ainda no ano passado, a escola escolheu como enredo contar a história de Lula, o atual presidente do Brasil.

Só aí já atrairia simpatia por uma parte, rejeição por outra parte, curiosidade do público geral e muita mídia gratuita para o desfile da escola.

Pode ser questionado o timing. Ser no ano eleitoral que o predidetente vai tentar a reeleição. Mas comparar com o ex-presidente Jair Bolsonaro usando o espaço e recursos públicos para atacar o sistema eleitoral a embaixadores e usar o centenário da independência como comício é uma simetria ridícula.

Pior é querer proibir que o desfile aconteça, como pede o partido Novo ao TSE, justo o partido que diz defender a liberdade de expressão. Os desfiles das escolas de samba já passaram por vários tipos de censura, essa é mais uma tentativa.