Mais um eleição presidencial decidida no fotochart?

Nova presidencial trouxe dados mais interessantes do que a simples disputa de quem está na frente. O que a população acha dos (pré) candidatos listados, a chamada votabilidade.

O presidente Lula (PT) tem 33% de votos garantidos, segundo essa pesquisa. E pode chegar a 50% somando com quem disse que pode votar nele. Praticamente o que ele teve em 2022, quando venceu a disputa por menos de 2% de diferença.

Já Flavio Bolsonaro (PL), o desafiante, teve na pesquisa 18% de votos certos e mais 20% de quem pode votar nele. Totalizando 38%.

Ambos têm o mesmo tamanho de rejeição: 48% para Lula e 49% para Flavio. Mostrando um ambiente ultra polarizado, o que antecipa a disputa de um segundo turno.

Ou seja, por esses dados Lula é o favorito, mas passa longe de ter uma vitória garantida. Mesmo tendo um pacote social robusto (isenção no IR, gás do povo, luz para todos e outros) para apresentar, não vai fazer quem o rejeita mudar o voto. Vai ter que garantir que os 17% que disseram que podem votar nele se animem a isso.

Hegemonia vale mais que vencer uma eleição

Jair Bolsonaro, mesmo internado para mais cirurgia, resolveu escrever de próprio punho uma carta dirigida ao povo brasileiro confirmando sua indicação de Flávio Bolsonaro como o seu pré-candidato a presidente da República na tentativa de pacificar a própria família e dissipar qualquer dúvida sobre quem é seu escolhido para lhe representar na eleição de 2026.

O bolsonarismo é hegemonista, como o petismo também é, mas tem motivo para ser. Ninguém joga poder fora. O bolsonarismo e o petismo ambos têm votos. Abrir mão desses votos pensando pragmaticamente e em uma suposta união do campo político que pertence pode ser um suicídio político do seu grupo.

Não sejamos bobos. Ninguém que lidera não deseja perder o status de líder. Até admite perder uma eleição, mas não esse status.

Pesquisa Datafolha divulgada mostra que 74% dos brasileiros são petistas (40%) ou bolsonaristas (34%); 35% se diz de direita, 22% de esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 7% de centro-esquerda. Quem lidera a direita atualmente é o bolsonarismo que não vai arriscar perder a liderança para outro mesmo sendo aliado.

Direita e centrão sem saída

Pesquisa Quaest joga um balde de água fria nos caciques do centrão que querem o espólio eleitoral do bolsonarismo sem o bolsonarismo ou ao menos que possam controlar e liderar a direita.

Flávio Bolsonaro, o filho ungido candidato por Jair, não fica atrás dos outros postulantes a desafiantes do presidente Lula. E no confronto contra Tarcísio de Freiras, Flávio goleia o queridinho do centrão.

A pesquisa não é só flores para Flávio, que tem a maior rejeição entre todos, mas deixa a direita e centrão no mesmo dilema: Com um Bolsonaro tem a âncora da rejeição à família, mas sem ela não tem chance nem de ir ao segundo turno.

Todos os postulantes a candidatos da direita/centro atingem o teto nessa pesquisa, o que deixa o atual presidente muito confortável para a reeleição. É só não cometer muitos erros nesse último ano de mandato. Lembrando que pesquisa eleitoral faltando meses para a eleição é retrato de momento.

Entrevista: Indiara Barbosa

A vereadora Indiara Barbosa (NOVO), de Curitiba-PR, que foi reeleita em 2024, falou a este blog sobre alguns temas. Indiara escreveu um texto para o Brasil Decide em 2020 pela sua eleição como vereadora e mais votada na cidade.

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⁠Você pretende disputar uma vaga na Câmara Federal e ajudar o partido na cláusula de barreira?

Quero continuar contribuindo para Curitiba, para o Paraná e para o Brasil, trabalhando para melhorar a vida das pessoas, através da política, por isso devemos colocar nosso nome para concorrer no próximo ano. Vamos avaliar junto com o partido qual a melhor opção e enquanto isso, continuamos trabalhando pela cidade aqui na Câmara.

Se for candidata à deputada, qual seria a sua principal bandeira?

Seguirei com minha principal bandeira: a fiscalização dos recursos públicos. Minha principal bandeira é a fiscalização dos recursos públicos, trabalhar pela transparência e pelo combate à corrupção.

O vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, saiu do PL para o Novo, ele disputará algum cargo em 2026 (governador ou senador)?

Nosso vice-prefeito Paulo Martins é um grande parceiro e um nome muito bem preparado, tanto para o governo quanto para o senado. Vou trabalhar junto para que ele continue a contribuir com nosso estado e nossa cidade através da política.

Qual sua visão do cenário eleitoral hoje, o presidente Lula recuperando popularidade e a direita na indefinição por causa de Bolsonaro?

Entendo que precisamos ter bons nomes de direita para fazer frente ao PT e às ações desastrosas desse governo, como a falta de responsabilidade fiscal. Vejo bons nomes, especialmente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do meu partido, que tirou Minas Gerais do buraco que o PT colocou e considero um pré-candidato capaz de fazer a diferença para o nosso país.

O dilema de Tarcísio

Pesquisa em São Paulo divulgada nesta manhã de terça-feira (6) confirma o amplo favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a reeleição.

Tarcísio tem 67% de aprovação, quase 50% de avaliação positiva de seu governo e apenas 18% de ruim/péssimo.

Nas projeções para as eleições de 2026, o governador aparece na liderança isolada em todos os cenários e com chance de vencer a disputa no primeiro turno.

Por exemplo, contra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que governou o estado de SP por 4 mandatos, Tarcísio aparece com o dobro de intenção de votos (42,1% a 21,1%). E contra o provável adversário o ex-governador Márcio França (PSB), o atual tem mais de 30 pontos de frente.

Por tudo isso seria atirar no escuro se Tarcísio escolher disputar a presidência da República do que a reeleição para governador. Ele disse que o foco é a reeleição e entregar o que está fazendo no governo paulista, mas sofre forte pressão do mercado financeiro e de políticos para ser o candidato desafiante do presidente Lula (PT).

Tarcísio tem que colocar na balança e decidir seu futuro político. A melhor opção tudo indica é concorrer a mais um mandato de governador para continuar se projetando pensando em 2030. É difícil resistir a tentação de pular etapas quando aparece uma oportunidade, mas se olhar o passado Tarcísio vai ver que quem fez isso não teve sucesso.